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-
4.’ ANNO 1876
FOLHA
CONIiWERClAL RELIGIOSA
£ HOTICIOSA
NUMERO 555
ÂS
TERÇAS, QUINTAS
E
SABBADOS.
■Hanwajw:-<MFT vanei taautrraggy j»
aej xaiiax'
:
stQ
P
reços
:
Draga,
anno
l$J600
rs.^Semestre
85(1
rs.^Provín
cias,
anno 2&000
rs
e
sendo
duas
3&600
rs.“
"Semestre
lâOBÕ
rs.
=Braztl,
anno
3&600 rs.=Semcstre 1&900
rs. moeda
forte,
ou
8^000
reis
e
i^BOO reis
moeda fraca.=>Annuncios
por linha
20
rs.,
repetição
10
rs.
Para
os
assignantes
20
c
/
fl
d
’
abatiniento.
issigna-see
vende-se
no
escriptorio
do
editor
e
proprietário
■/oré
Maria
Dias
da
Costa,
rua
Nova
n.*
3
E,
para
onde
deve
s^r
dirigida
toda
a
correspondência franca
de porte.—
As
assi-
gnaturas
são
pagas
adiantadas
;
assim
como
as
correspondên
cias
de
Interesse
particular.
Folha
avulso 10
rs.
B»A6.4—SA»EiAES® Í4 E3>E
CUTUBEW
Alheios
completamente
ás
pugnas,
que
quotidianamente
occupam
os
jornaes
do
liberalismo
em
todas
as
suas
diversas
ma-
niíestações, e
distanciados cTelles
quanto
os
principios
do
nosso
credo
o permittem,
pede comludo
a
verdade,
que
exponhamos
irancamente
aos leitores
a
nossa opinião
ou
regra
de
conducta
no
meio
d
’este
ba
rulhar
immenso
de opiniões, e
erros
con-
tradiclorios,
que
os
partidos
liberaes
nos
apresentam.
Somos
forçados
a
fazer
esta
declara
ção, porque
já
fomos
apodados
de
libe
raes,
ou
legitimistas renegados,
por
aquel-
les
que
só
sabem
cuspir
affrontas
e
vi
lipêndios
n
’um partido
honesto,
que
sen-;
do
vencido
pelo
direito
da
força,
é toda
via invencível pela (orça
do
direito,
e
pela
justiça
dos
principios,
que
defende:
—
queremos
fallar
do partido
legitimista.
A
famiia
liberal
portugueza
acha-se
dividida
em alguns partidos,
uns
mais
avançados
em ideias e principios, e
ou
tros
chamados
conservadores, sem
‘
que
deixem
o caracter
revolucionário,
com
que
se
apresentam.
Os
primeiros
que
ainda
ha
pouco
tra
taram
de se
fundir
sob
o
titulo unico
e
indivisível
de partido
progressista—
são
co
nhecidos
como
radicaes
em
política,
revo
lucionários
em principios,
e
irreligiosos
e
ímpios
em
religião,
a
qual pretendem ris
car
do
codigo,
por
onde se
regem
as
in
stituições
do
estado,
e pouco
a
pouco
vão
descambando
para
a
republica: se
alguns
se
não
leem
declarado
já
aberta
mente
a
favor
d
’
ella,
é
pelo
seu amor
e
apêgo
ao
orçamento
do
estado
e
ás
redeas
da
administração publica,
que
desejam
assumir;
nem
por
outro
modo
se
póde
explicar
a
guerra
desleal
e
sem
tréguas
que
fazem
a<s
que estão
em
cima.
Poderemos
portanto
nós,
legitimistas
por
convicção
e calholicos
por
crença,
assistir
de
braços
crusados
a
essa
propa
ganda
de
principios
dissolventes
e impios,
que
nos
conduzem
abertamente
á
com-
rnun
a,
e
de
que
os
orgãos
dos
partidos
avançados
entre
nós
trazem lodos
os dias
as
coiumnas
cheias ?
Porventura
deveremos
advogar
a
sua
catísa,
para
que um
dia
subidos
ao
poder
fquod
Deus
avertat)
nos
escorracem
dos
templos,
nos
prohibam
as
varias
manifestações do
culto
catholico,
e reduzam
os
seus
ministros
á
inseria?
Pois
não
são estas
as
ideias por elles
expendidas
nos
seus
orgãos,
e
praticadas
pelos seus
congeneres
em
outras
nações?
E
’
para
evitar
este
mal
gravíssimo,
que
um
dia
poderia
advir
para
todo
este
reino
fidelíssimo, se
estes
homens
dos
par
tidos
avançados,
como do
historico,
refor
mista,
etc.
assumissem
as
redeas
da
go
vernação
publica,
que
nós
nos
prestamos
indirectamente
a
apoiar
este ou
aquelle
acto
do
partido
conservador, que
se
acha
á frente
dos negocios
públicos, e que
nós
conhecemos
que
entre
os
partidos
liberaes
é
aquelle,
que
sem
recorrer a
medidas
violentas,
mais
se
exforça
por
não
offeo-
der
o
melindre
do
povo
portuguez,
res
peitando-lhe
as
suas crenças de
catholico
verdadeiro
e
sincero.
Do
mal o menos,
diz
o
antigo
adagio
pnrluguez, ou—
entre
dois
males
inevitá
veis
é licito
escolher
o
melhor—
taes
são
as
nossas
ideias
com
referencia
ao
actual
estado
de
cousas,
em
quanto
se
não
opera
entre
nós
uma
reformação
completa,
pela
qual
nós
suspiramos,
e
que
nos
traga
o
advento
da legitimidade.
Se
é
mister
que
o
governo
actual
se
conserve
no
poder,
para
a
elle
não
su
birem
históricos, reformistas
ou
republica
nos,
somos
nós
os
primeiros
a
depor
as
armas
do
nosso
partido,
ou
pelo
con
trario,
a
escudar
com
ellas
o governo
que
melhor
sabe
respeitar
as
nossas
cren
ças.
Eis
explicada
sinceramente
ao
nosso
partido
e
aos nossos
leitores
a
rasão
por
que
algumas
vezes
nos
prestamos a
apoiar
indirectamente
um
partido, que
sendo
con
servador
é
o
que
mais se approxima
do
nosso,
sem
comtudo
depormos
as
nossas
ideias,
sacrificarmos
as
nossas
crenças, ou
renegarmos
o
nosso
credo político.
Somos
legitimistas. mas
como
taes
combateremos
sempre
como
uma
ruina
da patria,
uma
vergonha
do nosso
antigo
esplendor
nacional,
e
uma
monstruosidade
herelica,
partidos
taes, que
se
fazem
advo-
gor
na
imprensa
por orgãos
como
o
«Paiz»
e
quejandos.
Julgamos
ter
dito
o
sufficiente
para
os
nossos
correligionários
despresarem
umas
certas
accusações
estultas,
com
que
nos
atiram
dos
arraiaes
do
liberalismo,
para
onde
nos
pretendem
atrair
com
o
engodo
dos
vencedores.
--------
^í.f
--------------------
Do
Ex.
ino
Snr.
Conde
da Redinha
re
cebeu
a
«Nação» a
seguinte carta:
Meu
caro
D.
Jorye.
Heubach,
1
de
outubro.
Chegámos
a
Bronnhach,
eu
e
o
men
companheiro
Jorge
de Cabedo, no dia
27,
graças
a
Deus,
de
perfeita
sande.
e
escuso
dizer-te
como
fomos
recebidos.
Por
expe-
riencia
própria
sabes
tu
como
são
recebi
dos
os
portuguezes
que
vera
aqui.
O
Se
nhor Dom
Miguel
que
encontrámos
logo
que
entramos
no
palacio
de
Bronnhach,
apresentou-nos
immediatamente a
Sua
Au
gusta
Mãe,
com
quem
estavam
as
Senho
ras
Infantas Dona Aldegundes,
Dona
Ma
ria
Anua
e
Dona
Maria
Antonia,
e
o
Senhor
Conde
de
Bardi.
A
Senhora
Dona
Adelaide
de
Bragança
apresentou-nos
a
este
Príncipe,
que.
é
o
mais
amavel.
que
podes
imaginar.
No
dia
27
chegaram
também
a Bron
nhach
o
Príncipe
de
Loevvenstein,
e
sua
esposa,
e
perto das
nove
da
noite
chegou
a
Senhora
Archiduqueza,
que
cada
vez
está
mais
amavel, interessando-se
muito
pelos
portuguezes, e
gostando
muito
de
fallar
com
elles,
disse-me que
lè muito
o
portuguez,
porque se
não
quer
esque
cer
da
sua língua.
O
Archiduque
não
veio,
porque
não
poude,
mas
chegará
breve
mente.
No
dia
30,
ás
nove
horas
e
meia
da
manhã
saimos
para
aqui,
aonde
chegámos
ao
meio
dia
e
meia
hora,
viemos
na
mes
ma
canoagem,
o
Senhor
Dom
Miguel,
a
Senhora
Infanta Dona Maria
Anna, Jorge
de
Cabedo e
eu.
Aqui,
como
em
Bron
nhach
são
sempre
muito
festejados
os
por-
luguezes.
Depois
da
mais
cordeal
recepção,
o
camarista
do Príncipe
Loevvenstein
condu-
zio-nos
aos
nossos
quartos.
A’
uma
hora
servio-se
um
almoço
em
difierenles
mesas,
como
de costume.
Em
uma
das
mezas tomaram
logar
a
Senho
ra Dona
Adelaide,
a
Archiduqnesa,
a
sua
camareira mór,
a
dama
da
benhora
Do
na
Adelaide,
o
Príncipe
de
Loewenslein
e
eu;
em outra, a Princesa de
Loevven-
slein,
a
Senhora
Infante
Dona
Aldegun
des, o
Senhor
Dom
Miguel, o Senhor
Conde
de
Bardi,
a baroneza
Rachat,
da
ma
das
filhas
do
Príncipe,
M.
Richla,
da
ma
da
Princeza,
o
conde
de
Schonfeld;
es-
iãíSiaamiasMé«iii<a«Èã
*
BÉa^^ètóm^"^i'xí:?ia
*
a^^EÍaBíwai
l
tribeiro
mór
do
Archiduque,
o
barão
ca
marista
do Principe
e
Jorge
de Cabedo
e
na
outra
as
Senhoras
Infantas
Dona
Maria
Anna
e
Dona
Maria
Antonia,
suas
primas,
as
filhas
mais
velhas
do
Principe
e
difTerentes
damas
e
cavalheiros.
Ao
almoço
seguiu-se
um
passeio
em
grupos,
e
depois
voltámos
para
casa,
cada
um
para
os
seus
quartos.
A
’
s
seis
horas
fbi o
jantar,
tão
ma
gnifico
como
d-licado,
era
na
realidade
digno da
casa
e
dos
hospedes,
entre
a
grande
quantidade
de
vinhos
nacionaes
e
estrangeiros,
tiveram
logar
distincto
o
Por
to
e
Madeira.
O
principe
de
Loewnstein
fez
um
brin
de
ao
('onde
de
Bardi, este
correspondeu
brindando
ao
melhor
dos
lios;
sinto
não
poder
repelir as
palavras
textuaes.
mas
estavamos
a grande
distancia
e
por
isso
escaparam-me
algumas.
A
collocação
á
ine-
sa
era
a
seguinte:
O
Senhor
Dom
Miguel,
a
Princeza
de
Loewenslein,
o
Conde
de
Bardi,
a
Infanta
a
Senhora Dona
Aldegundes,
a
Senhora
Dona
Adelaide
de
Bragança,
o
Principe
de
Loewenslein,
a
Archiduqnesa,
eu,'a
condessa
de Schonfeld,
Jorge
de
Cabedo,
a
Baronesa
de
Reichag.
o
medico
da
casa',
Mademoiselle
Raichla,
o
barão
de
Schiers-
tadt,
baroneza
de
Herteling,
e
o
conde
Schonfeld.
Acabado
o
jantar
passámos
ás salas
onde
se
servio o
café.
Depois
sentando-se
ao
piano
a
Princesa
de
Loewenslein
to
cou
uma
waltz;
aproveitando
a musica,
o
Senhor
Dom
Miguel começou
a
valsar
com
sua irmã
a
archiduqueza,
as
outras
se
nhoras
seguiram
o
exemplo.—
Convidados
pelo
Barão
de
Schierstadl
descemos á
ca
sa
do
bilhar
para
fumar,
eu
não
fumo
mas accompanhei-os.
E
’
uma
sala migni-
fica, conversamos
ahi
muito.
O
Barão
é
um
moço muito
interessan
te;
sendo
prussiano
e
olfieial
do
exerci
to. onde
servia
com
muita
distincção,
abandonou
a
vida
militar
por
ver
as
hos
tilidades
da
Prussia
á
Religião,
depois
tem
sido
incansável
em promover reuniões
ca-
thoficas,
embora
tenha
por
isso
attrahido
as
vistas
ou
antes
as
anlipatbias
das au-
ctoridades
prussianas.
Era protestante, mas
a
graça
chamou-o
ao campo catholico on
de
trabalha
incansável.
Tem
um
irmão,
também
militar,
e
que
na
vespera
de
uma
batalha,
vendo
como os
oíficiaes
catholi-
Dil.
1
M.
DE
MACEDO.
ROMANCE
BRAZILEIRO
VOLUME
I
O
Purgatorio-triguair.o.
[Continuação]
Eram
oito
horas da
noite.
A
saleta
do Purgatório-trigueiro
estava
fracamente
alumiada
por
uma unica luz
deposta
sobre
antiga
meza
redonda,
junto
da
qual
tomavam
café e
pão
a
velha
Irias,
e
um mancebo,
de
agradavel
presença,
que
deveria
contar
cerca
de vinte
annos
:
uma
escrava
quasi
da
mesma edade,
que
a
primeira,
esperava
de
braços
cruzados,
e
a
alguma
distancia,
a terminação da
cca.
Irias
era
uma
mulher
sepluagenaria,
alta,
magra,
de
cabellos
completamente
brancos,
de
olhos
verdes, que
deveriam
ter
sido bellissimos,
e
que
amda aos
se
tenta
annos
ella
os
conservava
sempre
re
pletos de fogo
e
de
vivacidade:
tinha ain
da
todos
os
seus
dentes
iguaes,
alvos
e
bellos:
vestia
n
’
essa
noite
um simples
vestido
de
chita escura
sem
enfeite
al
gum, e
escondia
os
cabellos
brancos
por
debaixo d
’
um
lenço
de
Alcobaça
atado
á
cabeça
O
mancebo
era
de
estatura
regular:
ti
nha
cabellos
pretos
e
annelados,
e
a
fron
te
elevada
e bella: seus
olhos
pardos,
que
ás vezes,
por
passageiros
instantes
se
acen
diam
e
dardejavam
olhares
ardentes,
mos
travam-se
de
ordinário
desmaiados
e
amor
tecidos;
por
baixo
das
palpebras
inferio
res
desenhavam-se
olheiras
roxeqdas, e fi
lhas
talvez
da vigilia
e
do
estudo:
a
tez
pallida
d’
esse
mancebo
condizia
emfim
per
feitamente
com o
parecer
melancólico
e
abatido,
e
com
o
silencio
obstinado
que
guardava
desde
o
começo
da
refeição
:
es
ta
va
elle
de
calças
brancas
e com
um
lencinho
de seda
encarnada
ao
pescoço,
e
finalmente
vestia
um
chambre
de
riscadi-
nho
azul
abotoado
até
cima.
Embora
a
melancolia
devesse
ser
na
tural
n’
esse
mancebo,
é
provável,
que
al-
guma coisa
fóra
do
commum,
n
’elle
hou
vesse n
’aquella
noite;
pois
que
a
velha
Irias
lançava-lhe
de
relance
vistas
pres-
crutador«s,
e
elle
cem
vezes
linha
já
es
tremecido, como
por
uma horripilação
mo
mentânea
e súbita.
Terminada
a cea,
a
velha
e
o
man
cebo
ergueram-se,
rezaram,
e
tornaram
a
sentar-se.
ao
mesmo
tempo
que
a
es
crava
retirou
de sobre
a
meza o
velho
ser
viço.
Uma
hora
longa e muda
passou
então
para aquelle
mancebo,
que
meditava,
e
para aquella
velha,
que
observava.
O
moço
tinha deixado
cahir
a
cabeça
até
encostar
a
barba
na
mão esquerda,
apoiando-se
com
o cotovelo
sobre
a
meza:
parecia
esquecido
de
si
mesmo,
e
só
en
tregue
a
um profundo cogitar
de
recôndi
tos
pensamentos
;
pesadas ideias como
que
se
lhe
exhalavam
d
’
alma,
e
se
lhe
iam
encrespar
em
sua fronte
elevada, cujas
rugas
horisontaes
podiam dizer-se
ondas
de
um
animo
em tempestade.
A
scena
de
concentração e
de
silen
cia
se
foi
prolongando
mais
e
mais,
sem
que
o
mancebo
pudesse
arrrancar-se
dos
braços
d
’urn
pensamento
em
que,
talvez
a
pezar
seu,
se
achava
embebido;
e
sem
que
lambem
a
velha
ousasse
despertar
o
moço
d
’
aquelle
completo
somno
da
mate-
ria,
que deixa
a
alma livre
e
toda
en
tregue
a
esse vivíssimo
trabalho,
que os
homens
chamam
meditação.
O
loque
de
recolher
veio
despertar
o
mancebo
:
o
som
dos
bronzes
pareceu
to
car
dolorosamente
sua alma;
e
elle
er
guendo-se
immediatamente,
e
sacudindo
a
cabeça
como
para
espalhar
o
exame
de
tristes
ideias,
que
a
pejavam,
córou,
olhan
do p
ira
Irias,
e
disse
:
—
E
’
tarde:
boa
noite,
minha
mãe.
Tomou
então
uma vela,
acendeu-a,
e
sumiu-se
por um
corredor
estreito
e
hú
mido,
no
fim
do
qual
encontrou
a
esca-
dinha
do
solão,
que
vagarosamenle
gal
gou.
A
velha
em
silencio
o
abençoou,
e
duas
lagrimas
grossas
e
brilhantes
vieram
pen
durar-se
das
palpebras
de
seus
olhos
ver
des.
similhanles
a
goltas
de orvalho
pres
les
a
tombar
do
apice
de
duas
folhas
de
arvore
secular.
Mas
quem
era
esse
mancebo?...
Chegado
a
casa
de
Irias
apenas ha
dois
mezes,
fôra
recebido como
um
extremosa
mente
amado
filho;
e
logo
após
sua
vida
correu triste
e misteriosa,
desconhecida
e
abafada,
cotuo
algum
d
’
esses lugubres
pen
samentos
nocturnos,
que no
leito
ss
con
cebem,
e
que
no
leito
se
deixam
até o
repousar
da seguinte noite.
cos
se
preparavam
para
entrar
em
acção,
se
fez
também
catholico.
Perlo
das
dez
horas
fomos
para
a
ca-
I
ella
fazer
a
oração
da
noite;
tin
ia
ella,
voltámos
ás
saias
a
tomar
chá,
e
pouco
depois
das
onze
horas
recolhemos
aos
nos
sos
quartos.
Tinha
apenas
entrado
no
meu,
quan
do
sinto
bater
á
minha
porta,
abro,
era
o
Snr.
Prado,
que
tendo
chegado
a
Bron-
nbach
encontrou
alli
uma
carroagem que
o
esperava
para
o
conduzir
aqui.
Tivemos
granle
conversa,
vindo o somno
separar-
nos
muito
depois
da
meia
noite.
Hoje
ao
meio
dia
fomos
chamados
pa
ra
o
almoço,
que
como
hontem
foi
servi
do
em
ires
mesas.
Agora
sei
que
ás
cinco
horas
hei
de
jantar
no meu
quarto
com
Jorge
Cabedo,
para
partir-mos
ás
6
e
um
quarto
para
Franc-fort
para
com
o
representante
do
Duque
de Parma
e
mais
testemunhas se
proceder
ao
contracto
antenupcial.
Conlinnarei
a
darte
noticias
d’
aqui.
Adeus,
teu
etc.
Antonio
Por
um
telegramma que
acabamos de
receber de
Bronnbach,
sabemos que
o ca
samento
de
Sua
Alteza
a
Senhora
Dona
Aldcgundes
de
Bragança
com
Sua
Alteza
o
Senhor
Conde
Bardi,
terá
logar
em
Salzburg
no
dia 16
do
corrente.
EJ.
America» Ferreira «I
íiéi
Sasato»
Silva
g»®r
mercê *8® EJe:ss
e sJa
Saiscta
Sé Aposteisea, SSásy» alo
Porto,
4® cossríwSSio
do Ssia 52a-
gestiide
Fidelissima, j»»r «5®
rei
no,
etc.
■
Aos
que esta nossa
provisão
virem,
saude,
paz
e
bençá
>
em
Jesus
Chrislo,
Nosso
Senhor
e
Savador.
Fazemos
saber
que
por parte
de Ma
nuel
Malheiro,
editor
d
’
esta
cidade,
nos
foi
representado que
tendo
publicado
a
obra
intitulada
A
Egreja
Triunfante
no
Concilio
do
Vaticano
composta
era língua
franceza
pelo dr.
Maupied,
e
vertida
na
portugueza
por
Dom
Miguel
de
Solto
■
Mayor;
desejava,
para
maior
satisfação
e
tranquillidade
de
consciência
dos
fieis
nos
sos
diocesanos,
que
á
mencionada
publi
cação
dessemos
nossa approvação.
E
con
siderando
nós,
que
a
doutrina
essencial
d
’
est:i
obra
não
é
mais do
que
a
definida
pela
Saneia
Egreja,
reunida
em
concilio,
e
que
como
tal,
suas
decisões
obrigam a
consciência
e
crença
de todos os
fieis:
que
o
fim
especai d
’
este
concilio
foi,
liem
como
o
dos
outros
anteriores,
com
bater
os
principaes
erros
do
tempo,
e
re
formar
abusos
da
epocha:
que
no
que
to
ca
á parle
explicativa
d’
csta
doutrina
do
gmatica,
conformidade
(fuma
com
a oulra
nos
é
suíliciente
garantida,
não
só pela
lei
tura,
que
(festa
obra
fizemos,
mas
muito
principalmente
pelo
testemunho
insuspeito
ífapprovação
dada
por
prelados,
que
lo-
roartfm parte
na discussão e
promulgação
das
definições
dogmáticas
e
decretos do
referido
concilio:
conformando-nos
com
o
favoravel parecer
dos
mesmos,
havemos
por
bem approvar
a cilada
obra
e
recom-
mendar
sua
leitura
aos
nossos
diocesanos
para
maior illuslração
da sua
fé,
e
mais
exacto cumprimento dos
seus
deveres
de
Calholicos,
Apostolicos
Romanos.
Dada
no
Porto
e
Paço
Episcopal
sob
nosso
signal e sello aos 7
d
’
outubro
de
1876.
Américo,
Bispo
do
Porto.
Registada
Episcopal
no
no
livro competente. Paço
Porto
7
d
’
outubro
de
1876.
Padre
Joaquim
de
Carvalho
Moreira
Pinto.
------ --
iK
»
JJ. «ttoaé Miam
Cas-reàa
de
Car
mercê sie Meais e da Sassta
Sê
Apostoliea,
HSãsjis» «le
Cabo
¥erde, fSo csisssel!»» «Se Saia Mfa-
geetasí®, eomsaawiKÍadlar sía
ordem
militar cl®
Kosia Senhora «3a
Conceição
«3® Villa
Vãç®st», etc.
et®.
CÓPIA.
Ao
muito
reverendo
Clero
da
Nossa
dio
cese,
saude.
bênção
e
paz
em
Jesus
Chisto
Nosso
Senhor
e
Salvador.
A
excellente
e
variada
doutrina com
pendiada
no
Thesouro
do Sacerdote,
obra
em
dous
volumes
e
original
do
reverendo
Padre
José
Mach,
missionário
da
Compa
nhia
de
Jesus, e
vertida
em
porítiguez
pelo
reverendo
Padre
Manoel
Ferreira
Mar-
noco
de
Sousa,
editada
peio
snr. Ernes
to
Chardron,
proprietário
da
livraria
In
ternacional
na
cidade
do
Porto,
e
de
cuja
leitura,
estudo e
serio
exame,
é
nossa con-
vinaeção,
poderão
os
sacerdotes,
para
bem
desempenharem
o
seu
sagrado
ministério,
colher
com proveito
seu
e
dos
fieis
a
mais saudavel
e
proveitosa
lição,
torna
a
mesma
obra
assás
recommendave!
e
digna
da
mais
particular
acceitação.
Acresce
que
obras
como
aquella,
de
que se
tracta,
são
sempre bem
vindas
por
abrangerem
em
resumido
quadro
doutrinas
que, por
dis
persas
em
numerosas
obras,
não
poderiam
ser
estudadas
sem
grande
dispêndio
de
tempo
e
de dinheiro;
diíliculdade esta bem
palpavel
principalmenle
para
os
reveren
dos
Parochos,
a quem
os
serviços
proprios
do
seu
officio
não
deixarão
sempre
livre
o
tempo
e
o
descanço,
que
é
mister,
pa
ra o
estudo
e
serio
exame
de
muitas
e
diversas
obras.
E
por
outro lado,
ninguém
ignora
que a modesta
remuneração
dos
serviços
parochiaes
difíicilmente
se
com
padece
com a receita,
que
seria
preciso
dispender
com
a
compra
de
muitos
e
va
riados
livros.
Por
isso
attendendo
nós
ao
mérito
incontestável
da
mencionada
obra
e
de
seu
audor,
aprovamoi-a
e
recom-
mendal-a
muito
instantemente
ao
reve
rendo Clero
da
nossa
dracese,
unindo
as
sim
o nosso
voto
aos suílragios
de
tantas
e
tão
respeitáveis
auctoridades.
que
egual-
mente
lhe
dispensaram
já a
sua
approva
ção,
recommendando-a
como
obra
utilíssi
ma. Dada
e
passada
em
a
nossa
episcopal
residência
da
ilha
de
S.
Nicolau
sob
nos
so
signal
e
sello
das
nossas
armas aos
12
de
agosto de
1876.
(Assignado)
José,
Bispo
de
Cabo
Verde.
Fica
registrada
no livro
competente.
O
secretario,
Conego José
Maria
Pinto.
Logar
do
sello.
Alijó 9 «2® ovatuhro «1® 2.S7®.
(Do
nosso
correspondente).
A
caridade,
luz
celeste,
que
alumia
o
mais
recondito da
choupana
do
pobre,
que
busca
os males
para
remedia!-os,
que
procura
os desgraçados
para
lhes
enxugar
as
lagrimas,
é
o
sentimento
mais
nobre,
que
póde
nutrir
o
coração
do
homem
na
terra.
A natureza
o
inspira
e
a
religião o
manda.
Nudez,
gemidos, sensações
dolo
rosas,
eis
o
triste
apanagio
com
que
nas
cemos
!
Deus
dotou-nos
com
um
coração
sen
sível
e
deu-nos
a
compaixão e as
lagri
mas.
Com
move-nos
a
pobreza
do
nosso
simiihanle
e
até
a
destruição
dos objecios
insensíveis
nos
loca.
Quem não
sente
uma
sensação
desagraUavel
ao
ver
um
sum
ptuoso
monumento
em
ruinas?
A
religião christã
elevou a
caridade
ao
supremo
gráo
de
virtude
lheologica;
é
por
ella
que
nos
condoêmos
das
mi-erias
dos
nossos
simidiantes;
é
por
ella
que
ama
mos
os
nossos
proprios
inimigos;
é
por
ella
que
amamos
a
Deus
e
ao proximo;
é
por
ella
que
acudimos
ao
pobre
com
o
soccorro,
ainda
á
custa
de
proprios
sacrifícios.
Como
é
bello e
impressionador
ver
uma
creancinha,
que
com
seus
lábios
ain
da
não
tocou
a taça venenosa
do
vicio
e
do
crime,
que
ainda não
sabe
nem
comprehende
as
ruinas
da
calumnia,
da
blasfémia
e
da impiedade,
que
conserva
ainda o
coração
fechado
aos
erros
e
ás
paixões,
ajoelhada
diante
do
seu bemfei-
tor,
beijando-lhe
as
mãos
de
reconheci
mento
!
Qual
seria
o
homem,
que,
vivendo
em
palacios
de mármore
e
salões doirados,
entrasse
na
choupana do
pobre,
onde
os
vermes
formam
o
pavimento
e
a
fome
se
vê
desenhada
a
largos
traços
na
fisio
nomia
d
’um
infeliz,
prostrado
pela
fra
queza
sobre
uma
enxerga,
apodrecida
pelo
tempo,
que
não
acudisse
a
tão grande
miséria
?
!
A
quem
não
palpita
de
enlhusiasmo
o
coração,
quando,
paginando
a
historia,
encontra
algum
exemplo
de
caridade?
Ainda
hoje
se
abomina
a
memória
dos
Herodes,
dos
Neros
e
dos
Caligulas,
e
se
abençoa a
dos
Salomões,
dos
Titos
e
dos
Marcos
Aurélios.
Os
íilosofos
antigos
consideravam
o
des
graçado
como
um
objeclo
sagrado;
mas
quem
não
sabe
que sendo
elles
tão
fortes
em
theorias,
eram
tão
fracos
e
pequenos
na
pratica?!
Só á
moral
christã
cabe
a gloria
de
exercer
a
caridade
por
mil
modos
admi
ráveis.
Quando
se viu, sem
a
luz
do
Evangelho,
formarem
se
associações
com
o
(ira
unico
e
exclusivo
de
valerem
aos
infelizes?
Quando
se
viu,
sem a
luz
do
Evangelho,
destinarem-se
mulheres
para
irmãs
da
caridade
e
sulcarem
as
ondas
do
oceano
em
busca
dos pobres
e
dos
aífli-
ctos?
A
caridade,
essa
angélica
e divina
vir
tude
não
consiste
só,
porém,
em
matar
a
fome
e
apagar
a
sêde
ao
mendigo
que
esmola
de
porta
em
porta
o
sustento
de
cada
dia;
não
consiste
só
em
curar
a
chaga
gangrenada
e
fétida
ao
enfermo
que
se
estorce
de
dôres
no
seu
leito
de
soffri-
mento;
não
consiste
só
em
agasalhar
a
creancinha,
desprotegida,
nua
que
a
mãe
desnaturada abandonou
e
livral-a
das
gar
ras
da
primeira
fera que
a
encontre;
uão
consiste
finalmente
só em amparar
o
barro
para
que
se
não desfaça,
mas
tem
uin
fim
mais
elevado
que
é
alentar, instruin
do o espirito
para
que
não
pereça.
Se o
operário
com o
suor
d
’
um
tra
balho
aturado
abastece
muitas
vezes
uma
numerosa
família,
e cobre
ainda
cora
seu
manto
de
fartura
a
miséria
desprotegida,
porque
não hade
repartir
o
operário
das
letlras
o
seu
pão
e
soccorrer
lambem
os
infelizes ’
O
homem
não
vive
só
do
pão
mate
rial, precisa
lambem
do
pão
do
espirito.
E
hoje
mais do
que
nunca
urge
seceor-
rer
a
orfandade
itnmensa
que
vive
á
som
bra
de
Portugal. Desterremos,
pois,
a
ignoraccia^
e
façamos
brilhar
só
a
luz
da
verdade. Gritamos
contra
as
ideias
subver
sivas
do
século,
mas não
queremos
ex-
tirpal-as
ensinando,
não
queremos
suffo-
cal-as,
pondo-lhes
como barreira
um
se
vero
exemplo d
’uraa
acrisolada
virtude.
Ah
!
não
nos
digamos
calholicos,
que
nós
somos
a
vergonha
do
calholicismo
!
A
caridade
tem
fins
mais
elevados
do
que
livrar
da
fome
e
da
miséria.
A
mi
séria
póde
arrastar
ao
abysmo
da
perdi
ção
dois,
Ires
ou
quatro
infelizes; mas
a
miséria
de conhecimentos
religiosos
ar
rasta
uma
nação
inteira á
desolação
e
á
ruina.
Trabalham
os
pregoeiros da ideia
nova;
e
porque
não
havemos
de
trabalhar
tam
bém
hós,
pobres
reaccionarios ?
Estamos,
dizem
elles,
n
’
um
século
de
luzes
e
de
liberdade.
Sim...
de luzes
que
alumiam
até
o
vicio,
e
de
liberdade
que
conduz
até o
crime.
A
desmoralisação
campea
infrene;
os
lupanares
regurgitam
de
satelliles
devassos
e
desenvoltos;
a embriaguez,
que
reduz
o
homem
ao
estado
de
irracional,
cami
nha
descarada
e
immodesta, o
a encobrin
do-se
cora
os
farrapos da indigência,
ora
recoslando-se
aos
sofás
do opulento;
os
antigos mosteiros,
cujas
paredes
foram
leslimunhas
de
tão
austeras
penitencias,
honra,
gloria
dos nossos
maiores, vão
pouco
e
pouco
sendo
arrasados;
fazem-se
enterros
e
baptisados civis...
que
enver
gonham;
e
no fim
de
tudo
appellidam-se
esses
insensatos
de
avançados
e
de
pro
gressistas! Que
admiravel
progresso!...
Deus
tarda,
mas
nunca
falta.
Trabalhemos,
pois,
nós
os
calholicos.
para
que
Deus
não
nos
tire
contas,
na
santa
causa
da
verdade,
e
esmaguemos
a
bydra
venenosa
da
revolução,
que
por
toda
a
parte quer
inocular
o
virus
da
sua
peçonha maldiia.
Bem sei
que
nem
todos
eslão
nas
con
dições
de
levantarem
a
voz no
meio
das
hostes
tremendas
da impiedade,
e
serem
Sem
um
unico
amigo:
só,
sempre
só,
Cândido
(este
o
nome
do
mancebo),
dei
xava
o
pequeno
sotão
do
Purgatorio-tri-
gueiro
pouco
depois
do
amanhecer,
e
vol
tava
de novo
a
elle,
quando
a
noite
des
dobrava
o manto
das
trevas
sobre
a ci
dade
do
Rio
de
Janeiro.
E
ninguém
tinha
até
então
notado
n’
a-
quelle
mancebo,
que
duas
vezes
por
dia
passava
triste
e
silencioso o lumiar da
por
ta
do
Purg
‘
.tono-trigueiro
:
apenas o par
terrível
o
observava
cuidadoso;
Jacob
o
tinha
seguido
por
vezes,
mas
parára ven
do-o
entrar
em uma
muito
frequenta ia
rua
da Côrte
na
casa de
um
advogado: Ja
cob,
que fôra
escrivão,
detestava
a justi
ça
agora,
e
tinha
medo
de
quem
com
ella
estava
em
relação
;
e
por
tanto
mesmo
para os
dois
maldizentes
e curiosos
visi-
nhos,
a
vida de
Cândido
era
um
misté
rio...
o pesadelo
de
Jacob...
o tormento
de
Helena.
E
o
resto
de
sua
vida,
a
noite,
era
ainda
um
novo
segredo
para
a
velha
Irias,
era
una
segredo
sepultado
dentro
do
antigo
sotão.
E
a
filha de
Paulo
Angelo,
ao
romper
de
todas
as
auroras,
passeava
negligente
c
descuidada
pela
seu
jardim,
e
mal podia
adivinber,
que
a
essas
horas
a
janella
fe
chada
do
triste
sotão
do Purgalorio-tri-
gtieiro
encerrava
um
mancebo
em
toda
força
dos
annos,
que
então
alli
descança-
va,
ou...
quem
sabe, o
que elle
fazia?...
Mas
quem
era esse
mancebo?...
E
’
meia
noite.
Uma
luz
pallida
e fra
ca
alumia
uma
rude
camara,
cujas
pare
des
mal
rebocadas,
e
já
aqui
e
alli
fendi
das,
ameaçam desabar bem
cedo:
taboas
já
meio
apodrecidas,
e
que
rangem
ao
pisar
de
um
pé menos leve,
fazem
o
as
soalho
(fessa camara, que nem
ao
menos
é
forrada :
no fundo
vé
se
uma
pequena
janella,
e
iguaes
a
esta
duas
outras,
que
se
abrem
uma
para
cada
lado
:
todas
ires
se
acham
fechadas;
mas
n
’
aquella,
que
fica
á
direita,
uraa
fenda
larga
de tres
dedos deixa
p"assar
os
raios
da lua,
que
vem
innundar o interior
d
’aquelle aposen
to
resfriado
incessaniemente
pelas brisas
da
noite,
que
entram
peia fenda
da
ja
nella.
Vê-se ao lado
esquerdo
uma
meza
pe
quena.
e
sobre
ella
tudo
que
é
de
mister
para
escrever:
defronte
d’essa
uma
oulra
muito maior
coberta
de
livros,
de papeis,
e
de estampas;
não
longe
d
esta
um
lei
to
baixo
e estreito
:
a
um
canto
uma
har
pa,
cujas cordas,
pela
maior
parte
re
bentadas,
atteslam
o
esquecimento
de
seu
dono.
Eis
o sotão
do
Purgatorio-trigueiro
to
do completo.
Na
hora
em
que
fizemos
a
descripção
da
camara
d
’
esse
sotão,
a
qual
era
o
so
tão
inteiro
;
á meia
noite,
um
mancebo
achava-se
sentado
junto
da
meza
pequena,
e
tinha
o
rosto
cahido
sobre
ura
livro,
onde
acabára
de escrever
algumas
linhas:
seu
braço
direito estendia-se
sobre
a
tne-
za,
e
elle
apertava
ainda
a
penna
entre
os
dedos.
Cândido
havia
involuntariamente
ador
mecido.
Quem
se
tivesse
então
collocado
por
traz
do
mancebo,
e
lhe
«ffastasse
um
pou
co
a cabeça, poderia
lêr
uma
pagina
do
livro
da vida
d
’
aquelle
homem.
Esse
li
vro
era
o
seu
diário,
a
utna
onde
se
pultava
os
pensamentos
de
cada
um
de
seus
dias.
Uma pflgina apenas
se
offerece a
saciar
nossa
curiosidade: eis
pouco
mais ou
me
nos,
o
que
eslava
escriplo.
«
15
de
setembro.
»
Hoje
foi como
hon
tem,
e
ámanhã
será
como
hoje:
o
porvir
começa
a
desenhar-se
a
meus
olhos sob
a
fórma
de
um
esqueleto
:
não
ha
nada
no
vo
na
minha
vida.
E
’
sómente
a
mocida
de,
que
tem
por
seu passado
a
infancia,
que
ainda
não
geme
nem
medita
;
que
gosa
já
e
ainda
espera,
é
sómente
a
mo
cidade
quem
se
póde
sorrir
para
a
vida
i
e
todavia
eu
sou
moço,
moço dos
me
lhores
annos, eu
não
me
posso
sorrir
pa
ra
ella!...
quando
o
farei?...
quando
fór
velho?...
mas
o
velho
chora
os
êrros
do
passado,
chora
o
soffrimento
do presente,
chora
a
morte,
que
é
todo o
seu
futuro,
e
emfim
medita
sobre
a
eternidade
:
por
consequência
eu
nunca
me hei
de sorrir
para
a
vida.
«
16
de
setembro
t>
Terrível
sonho ti
ve
eu
a
noite
passada
:
dormindo,
vi
uma
mulher,
que
se envergonhava
de me olhar...
era
minha
mãe
!...
eu
a estive
vendo,
co
mo
se
a
houvesse
algum
dia
conhecido...
eu
chorei
ajoelhado
a
seus
pés,
e
ella
praguejou
contra
mim,
porque
eu
sou
a
prova
do-
seu
êrro
;
amaldiçoou-me,
por
que
eu
sou
para
ella
(talvez!)
um
remor
so,
que
incessante a
dilacera.
Preciso
re
petir
mil
vezes
a
mim
mesmo,
que
isso
foi
um
sonho;
porque
achar
minha
mãe
é a
unica
esperança,
que
n
’
esle
mundo
tenho,
e
ser
amado
por
ella.
uma
am
bição
desesperada.
Eu
adoro
a
minha
mãe
sem
tel
a
nunca
visto;
daria
minha
vida
por
uma
bênção
d
’
ella.
Meu Deus
!
dae-
me
minha
mãe
!
(Continua)
valentes
ou heroes,
mas
podemos
ser
pelo
menos
soldados.
E
um
soldado
catholico
tem
mais
valor
que
um
rei
atheu.
Saibamos
elevamos até
o infinito
pelo
derramamento
das
sãs doutrinas, accor-
demos
esses
infelizes
que
dormem
nos
braços
da
impiedade,
da
perdição, da
igno
rância,
e
assim
cumpriremos
o
grandioso
preceito
que
a
caridade
nos
impõe
—
amar
a
Deus
e
ao
proximo.
—
O
mez
de
setembro foi
por
aqui
de
uma
secca esterilisadora.
Os
lavradores
avaliavam
já
as
perdas
que deviam
soffrer
na
colheita
do
vinho,
se
o
mez
d’
outubro
não
trouxesse no
seu
começo
algumas
gottas
d
’
agua.
Nas vinhas
viam-se
muitas
passas,
e
a
julgar
pela
continuação
da
secca,
podíamos
aíTirmar,
sem
receio de
engano,
que
o
lavrador,
qUe
colhesse
as
suas
20
pipas de
vinho,
teria
8
de
menos.
Nos
dias
1
e
2
doutubro
choveu
com
violência,
e
no 3.
e
quasi
torrencialmente.
Com
inlervallo
de
dois dias,
tem
con
tinuado
o
mau
tempo,
sendo
agora
as
perdas
bastante
soffriveis,
não
por
falta,
mas
por
abundancia
d
’agua.
—
Regressou,
haverá
cinco
dias,
das
praias
d’Espinho
o
snr.
dr.
Roberto
de
Magalhães
Sua
exc.a
apenas
se
demorou
entre
nós
ires
dias',
partindo
em
seguida
para
a
sua
quinta
de
Val-de-Mendís,
onde
foi
assistir
á
vindima.
Até
breve.
C.
M.
O
«
Estafetle
»
publica
a
seguinte
car
ta
d
’nm
correspondente,
para
a
qual
cha
mamos
a
attenção
dos
leitores:
«Estou
hoje em
circurnstancias
de vos
dar
algumas
indicações sobre
os
projectos
altritwidos
ao
snr.
de
BLmark;
«Sustentar
na
Grã-Bretanha o
program-
raa
da
não
intervenção,
predito
por
Stuart-
Mill,
Gladslone
e
Bright;
«Favorecer
na
America
do
Norte
a
doutrina
de
Washington
e
a
de Monroe;
«Reconstruir
o
antigo
estado
hellenico,
com
as
ilhas do
Archipelago, a
Thessalia,
o
Epiro,
a
Albania
e
a
Macedonia;
«Conceder
Candia
aos
inglezes,
para
que
cedam
á
Allemanha
a
ilha
de Heli-
golando,
pela
restituição
do
Norte
Sleswig
á
Dinamarca;
«Conceder
o Tyrol
italiano,
a
Istria
e as
ilhas llliriennas
á
Italia
para
acabar
a
sua
unificação;
«Conceder
a
Bélgica
á
França
em com
pensação
da
perda
da
Alsacia
e
Lorena,
para
que a
França
se
não
intrometia nos
successos
que
vão
ter
logar;
tomar
o
Fren-
che Conlé
e a
Cochinchina, se
a
França
sair
da
sua
neutralidade
prudente;
«Reunir
o
Tyrol
ailemão
á
Baviera,
a
Bohemia
á
Prussia,
a
Gahcia
á
Polonia
russa,
tirar
a
Bukavina,
o Banat,
a
Tran-
sylvania,
a
Croacia
a
Sclavonia,
á
II
lyria
e
a
Dalmacia á
Austria-Hungria,
para
as
ajuntar
á
Moldo-Valachia.
á
Bos-
nia,
á
Servia,
á
Bulgaria,
ao
Monlenegro
e
á
Herzegovina, e
formar
a
Confedera
ção
dos
Esiados-Unidos
Danubianos;
«Reduzira
Austria-Hungria á
Hungria,
a
Moravia
ao
Archidticado
de
Vienna;
«Conceder
a Dobrutcha á
Rússia
com
o
protectorado
de Constantinopla,
cidade
livre,
e
abrir
o
Bosphoro;
«Não
se
oppor
a
que
os
inglezes
fa
çam
do
Egypto
Siria
uma
annexação
do
seu
império
das
índias,
ao
passo que
os
russos
farão
a conquista
do
que lhes
res
ta
a
tomar
no
Turkestan,
e
a
Grande
e
a
Pequena Boukharia;
«A
Inglaterra
e
a Rússia
se
tornavam
assim potências
asiaticas,
e
Allemanha
seria
delinitivamenle
a
grande
potência
Europea».
Accrescenta
a
«Nação»:
Não faremos reflexões
ao
que
fica
tran-
scripto, deixando
ao
«Estafeite
a
respon
sabilidade
da noticia.
Vejamos
agora
o
que
dizem
os
outros
jornaes
A
guerra
é inevitável,
temol-o
dito
desde
que
se
agitou
a
questão
do
Orien
te;
hoje
podemos
acrescentar:
A
guerra
está declarada.
A
tanto
equivale
a
nota,
publicada
pelo
«Jornal
des
Debats,
e
dirigida
ás
potências
pelo
príncipe
de Gortackakolf, com
o
fim
de
convidar
as
províncias
a
impor
á
Tur
quia uma tregoa de
seis
mezes.
A
Turquia não
podia
acceitar,
e
as
potências
não
se prestam,
julgamos
nós,
a
impor
taes
exigências.
Mas
sendo
assim,
que
fará
a
Rússia?
Declaram
a guerra,
cremos
nós.
E
todavia
foi
a
Turquia
que
provocou
aquelle
passo
da
Rússia;
pois
se
acceilára
as
propostas
das
potências,
não teria
a
Rússia
pretexto.
A
diplomacia,
diz
a
«Union», parece
ler
o
pressentimento
da
sua
impotência,
como
se
uma
força superior
a
paralisasse.
As
potências
tractam
ofílcialmente
da
paz,
e
ao
mesmo tempo
preparam-se
para
a
guerra,
como
se
a
guerra
fosse
inevitável.
PABTE
OFFICiaii
MINISTÉRIO
DOS NEGOCIOS
ECCLE-
SIASTICOS
E
DE
JUSTIÇA
Direcção
geral
dos
negocios
ecclesiasticos
l.
a
Repartição
Aviso
declarando
aberto
concurso
do
cumental
por
30
dias,
a contar
de 7
do
corrente
outubro,
para
provimento
das
se
guintes
egrejas
parochiaes:
Aldeia
da Ponte
(Santa
Maria
Magdale-
na),
concelho
de
Sabugal,
diocese de Pi
nhel.
Cabeção
(Nossa
Senhora
da
Assumpção),
concelho
de
Mora.
Fornos
(S. Pelagio),
concelho
de Cas-
tello
de
Paiva.
Junceira
(S. Matheus),
concelho
de
Tho-
tnar.
Manigoto
(Nossa Senhora
da
Concei
ção).
concelho
de
Pinhel.
Milheiroz
de
Poiares
(S.
Miguel),
con
celho
da
Feira.
Parada
do
Bouro
(S.
Julião),
concelho
de
Vieira.
Paramio
(S.
João Baptista),
concelho
de
Bragança.
Pegarinhos
(Santa
Maria),
concelho de
Alijó.
Penna
Verde
(Nossa
Senhora
da
Puri
ficação),
concelho de
Aguiar
da
Beira.
Sadão
(S. Romão),
concelho
de
Alcá
cer
do
Sal.
Samodães
(S.
Pedro),
concelho
de
La-
mego.
Santa
Eufemia
(Santa
Eufemia),
con
celho
de
Pinhel.
Tendaes
(Santa
Christina),
concelho
de
Sinfães.
Valle
Nogueira
(S.
Pedro),
concelho
de
Viiia
Real.
Varzea
de
Lafões
(Nossa
Senhora
da
Espectação).
concelho
de
S.
Pedro
do
Sul.
—
Idem
declarando
aberto concurso
pa
ra
provimento
da
egreja
parochial
de
Nos
sa
Senhora
dos
Milagres,
do
concelho
da
Ilha
do
Corvo.
GAZETUHA
íhegada
e
gsartiíls».
—
Chegou
an
te
hontem
a
esta
cidade,
acompmhando
sua
exm.
a
cunhada
e
uma
sobrinha,
o
exm.°
snr.
dr.
Antonio
Bernardino
de
Me
nezes,
decano
da Universidade de
Coim
bra.
S. ex.
a
partiu
hontem de
tarde
para
Coimbra,
e sua
familia.
que
veio
trazer
ao
collegio
do
Espirito
Santo
um
menino
seguiu
para
Ponte
do
Lima.
F«iaeeun®ní«».
—
Falleceu,
ha
dias,
na
sua casa da rua
de
Santo
André
a
snr.
a
D.
Maria
Clementina
Vieira
Braga,
viuva.
Já
tarde
tivemos
esta triste
noli
cia,
porisso
não
pudemos
cumprir
o
nos
so
dever na
occasião
própria.
A
bjííí
vet-síirio
fjinebre. —
Hontem
pelas 7
horas
da
manhã, na
parochial
egreja de
S.
João
do
Souto,
celebrou-se
uma
missa
de
requiem
para
suffragar
a
alma
da
exm.
a
snr/
D.
Libania
Rosa
Ta-
veira
de Magalhães
Barbosa,
por
ser
o
undécimo
anniversario
do
seu
passamento.
Esta missa
foi
mandada
celebrar
pelo
nosso
amigo
Antonio
Teixeira
Barbosa
Jú
nior,
filho
da
fallecida
senhora,
em
tesli-
munho
de
saudade
e como
prova
de
amor
filial.
Vsetãma
«Sa
ssaa
íesnarzdade.
—
Era
no
dia
21
de
setembro, por
hora
e
meia
da
tarde.
O
comaceiro
Benôit.
de
24
annos de idade,
natural
de
St.
Lotip
(Rhôpe),
foi
banhar
o
seu
cavallo
a
uma
ribeira
da
cidade
Parlhenay. Chegando
ao
sitio
denominado
a
Gréve,
montou
no
ani
mal
depois de ter tirado as
botas.
Per
guntou
a
umas
mulheres
que
estendiam
roupa
no coradouro
se
havia
alli
agua
bastante, ao
que
ellas responderam que
a
ribeira
era
pouco profunda junto das
mar
gens,
mas um
pouco
adeanle
havia um
pôço
perigoso.
—
Ora
!
retorquiu
Benoil,
sou
d
’um
paiz
onde ha
rios
mais
caudalosos
do
que
es
te,
e tenho atravessado
a
vau
muitos
ou
tros
!
E
disendo,
estimulou o
cavallo
para
avançar,
mas o animal
recuou
instinctiva-
mente
e
voltou
á
margem
com
o
caval-
leiro.
Meteu-se o couraceiro
em
Brios;
corta uma
vara d’
olmo
e
fustigar
o
ca
vallo
para
obriga-lo
a
avançar
de
novo.
Quando
o
animal
chegou
á
beira
do
po
ço
e
sentiu
faltar-lhe
o
pé,
empinou-se
e
tornou
a
ganhar
a
margem,
mas
d
’
esta
feira
vinha
só.
O
homem
tinha
ficado no
fundo
do
po
ço.
Estataií» «r»
í,'aní!« d® MoStSte.—
A
dois
de
outubro
inaugurou-se
em
Par-
chim
um
monumento
consagrado
ao
feld-
marechal
ailemão
conde
Moltke.
E’
uma estatua
do
celebre
estratégico,
fundida
com
bronse
de canhões.
Eleva-se
sobre
um
pedestal
de
granito da
Suécia.
A
estatua,
obra
do
esculptor
Brunow,
diz-se
.que
está
admiravelmente
acabada.
A
face anterior
do
pedestal
tem
a
inscri-
pção:
«Conde
Hellmuth
Moltke,
feld-ma-
rechai
general».
A
face
opposta
é
ornada
com
o
escudo
d
’
armas
do conde,
a
cruz
de
ferro,
as
datas
de
1864.
1866,
1870
1871
e
a
divisa do
snr.
de
Moltke:
«Ersl
woegen,
dann
wagen»,
(Primeiro
pensar,
depois
ousar).
O
monumento
foi erigido
na praça
de
Moltke,
em
Parchim, cidade
natal
do
con
de.
Custoij 60:0o0 marcos
e
tem
uma
altura
total
de cerca
de
seis
melros.
Exposição
«xnSversal
«5® 3“sss-i».
—
Acaba
de
iutrodusir-se
uma
importante
modificação
no plano
do
palacio
do
Cam
po
de Marte,
no
qual
estavam reservados
onze
compartimentos
para
a
exposição
das
bellas-artes
Deviam
elíes
estender-se
por
todo
o
immenso
paralleiogrammo,
sem
solução
de
continuidade, mas
resolveu-se
supprimir
os
tres
do
centro,
cuja
inutilidade
se
re
conheceu,
e
substituil-os
por um
vasto
jardim,
de cerca
de
atm
hectar
e
meio
Este
jardim,
que
ficará
justamente
no
centro do
palacio
e servirá
para
descan
so
e
recreio
dos
visitantes,
foi
uma
lem
brança
feliz. Não
está
ainda
delineada
a
sua
disposição
definitiva,
mas
é
certo
que
será
ornado
com
essa
natural
magnificên
cia
e
exquisito gosto
que
distinguem
os
horticultores parisienses.
E’
considerável o espaço
destinado
ás
obras
d
’arle.
Em
1867,
a
exposição
das
bellas-artes
occupava
7:000
metros.
Na
de
1878
esse
espaço,
ainda
depois
de
sup-
primidos
os
tres
compartimentos,
excederá
a
10:000
metros.
Donde
resulta
que.
ainda
admitlindo
que
as
obras
d
’
arte
aflluam
em
quantidade,
o
que
é
provável,
fica
espaço
muito
stif-
ficiente
para
accoramodal-as.
Em
quatro
dos
salões
estarão expostas
as
obras
ex-
trangeiras
e nos
outros
quatro
as
de pro
cedência
nacional.
Telegramnias
de
EisJsaa.—LIS
BOA
li.-
—
Corre
que a
Turquia
acceilára
o armistício por
4 mezes.
O
Banco
Lusitano
contrahiu
em
Lon
dres
um
empréstimo
de
80:000
libras.
Verificou-se
hoje
a
abertura
solemne
do
Instituto
Agrícola.
Compareceram
os
ministros,
os
snrs.
Fontes,
Corvo e
Ave
lino.
Recitou
o
discurso
de abertura
o
snr.
Ferreira
Lapa.
Reuniu
hoje
a
commissão
permanente
geográfica,
estando
presentes
os snrs.
D.
José
de
Lacerda,
marquez
de
Souza
Hol-
stein,
Figaniére,
Luciano
Cordeiro
e José
Julio
Rodrigues
A commissão
propoz
ao
governo
para
que
o
snr.
Luciano
Cordei
ro
fosse
inspeccionar
os
archivos
de Hol-
landa
e
Veneza.
O
snr.
marquez
de
Sou
za
propoz
que se
estabelecesse
um
pré
mio
para
o melhor
livro
a
respeito
da
emigração
para
o
Brazil.
Tratou-se
do
con
gresso
de
Bruxellas,
dando-se
noticias
gra
ves
ácerca
dos
nossos
interesses
na
Áfri
ca.
A
commissão
reunirá
na
próxima
se
mana,
com
assistência
do
snr. ministro
da
marinha.
UfijTÍMOS
TEI
j
EGKA.TÍ.II.KS
AGEtWia.
1UVA8
MADRID
10
—
Diz
«ei
Tiempo»
que
o
governo
se
reserva o
direito
de
modificar
ou
annullar
a
decisão
da
junta
geral
da
Viscaya
referente
a
suspensão
de
pagamen
to
do subsidio
ao
clero,
pois que
tal de
cisão
tende
romper
a
harmonia, das
re
lações
de
Hespanha
com
a
Santa
Sé.
PAR1Z 10
—E’
prematura
a
noticia da
Porta
ter acceitado
o
armistício. A
Rou-
mania
procede
com
toda
a
actividade
ao
seu armamento.
Em
consequência
de
va
rias
manifestações, as auctoridades
dissoj-
veram o
congresso
calholico
de
Boie
cuja
continuação
fasia
receiar
pela
ordem
publica.
VIENNA
10
—
Foi
repellida
pelos ser-
vios uma
tentativa
dos
turcos
para
atra
vessarem
o
rio
Drina nas
proximidades
de
Ratzcha.
Dervisch
Pachá
alcançou
con
tra
os
montegrinos
uma
insignificante
van
tagem.
CONSTANTINOPLA
10
—
A Porta
re
solveu
conceder
armistício
de
6
meses
fin
dando
em março. A
circular notificando
as
condições
do
armistício
será
enviada
ámanhã ás
potências.
MADRID,
II
—
O
«Imparcial»
diz
que
brevemente embarcarão para
Cuba
rnais
600
homens.
O
general
Martinez
Campos
partirá
de
Cadix para
Havana
de
15
a 20
do
corrente.
D.
Isabel
virá
a
Madrid no
dia
13.
Oi
rei
e
a
sua
irmã
irão
recebel-a
á
gare
de Madrid;
haverá
recepção
ofiicial,
re
gressando a
ex-rainha
n
’
essa
mesma
noi
te
ao
Escurial,
d’
onde
partirá
directamen-
te
para
Sevilha
no
dia
16
do
corrente.
Appareceu
morto
no
hotel
Peninsular,
em
Madrid,
súbdito
inglez
William
Will.
A
justiça
encontrou
o
cadaver
enforcado
e um
pape!
pedindo
á
irmã
Williana
perdão
por
aquelle
acto
de
desespero.
O
juiz
recolheu
todos
os
papeis
do mor
to.
MADRID
II
—
Apresentou
demissão o
governador
da
província
de
Madrid
a^jual
lhe
foi
acceita.
PARIS
11
—A
folha oíficial
publica
um
decreto
convocando
a
camara
para
o
dia
30
do
corrente
mez.
BELGRADO 11—
Os
cônsules
da
In
glaterra,
Russia,
Áustria e
Franca
rece
beram
ordem
de
aconselhar
a
Servia
a
acceitação
do
armistício.
Crê-se
que
Ris-
lilch
acceilará.
CONSTANTINOPLA
14
—Como se
ma
nifestasse
aqui
grande opposição ao
ar
mistício
por
seis
semanas, a
Porta
resol
veu
oílerecer
armistício
de
5
a
6
meses
não
só com o
fim
de
evitar a eventua
lidade
de
ter
que
sustentar
uma
campanha
de
inverno
mas
também
para
poder
ap-
plicar reformas
em
todo
o
império. Crè-
se
que
as
condições
da
Porta
serão
accei-
tes
pelas
potentencias
estrangeiras
e
pela
Servia.
Àouwnoms
Tíj
*
«je
W
D.
Maria
Filomena
de
Aranjo
Vascon-
cellos Athaile
e
Alvim,
D.
Gmlhermina
Maxima
Lobo de Vasconcellos,
D.
The-
reza
Filomena
de Mello Falcão,
João
de
Mello
Falcão
e.
Antonio
Maria L
‘ite
Pe
reira,
na
impossibilidade
de o
fazarem pes
soalmente, agradecem por
este
meio
a
todas
as
pessoas
das
suas
relações
e
ami-
sade,
que
os
procuraram
dispensando-lhes
seus
obséquios
por
occasião
do
fallecimen-
to
de seu
presado
e innocenle
filho
e
sobrinho,
protestando
a
todas
sua
gratidão.
(4346)
•
«
y
«4
fes
y
’
•
àas
'isads
ss
D.
Maria
Julia da
Costa
Araújo,
suas
filhas,
D.
Maria
Felizarda
do
Soccorro
e
José
Ferreira de
Magalhães,
agradecem
por
este
meio a
todos
os
cavalheiros
e exm.mas
snr.
as
que
os cumprimentaram
por
occasião
do
fallecimenlo
de
seu sempre
chorado
1
marido,
pae
e cunhado o
snr.
José
Julio
da
Costa
Araújo.
(43-48)
:
rnu.rsTn.si
Arrematação
No
dia
22
do
corrente
mez
d
’outubro
pelas
10
horas
da
manhã,
no tribunal
das
arrematações
judiciaes
no
largo
de Santo-
Agostinho
d
’
esta
cidade
se
tem
de
pro
ceder
á
arrematação
de
duas
moradas
de
casas designadas
pelos
n."
s
29
e
30,
uni
das
uma
a outra, sendo
uma
de
doas,
andares,
situadas
na rua
de
S. Vicente
d
’esta
mesma
com
seu
quintal
e
poço
que
ambas
formam
um
só
prazo
avaliadas am
bas,
com
abatimento
de
todos
os
encar
gos,
na
quantia
de
9o9$3ò0
rs
Mais
uma
outra
morada
na
referida
rua,
com suas
pertenças
designada
pelos
n.
os
67
a
67
B,
e
•
'
‘
*- da rua
de
Santa
Thereza,
ou-
h
a,
tem
os
n.
os
9,
I0
w
11,
12
e
13,
com
seu quintal e
poço,
avaliadas
com abatimento de
todos
os
en
cargos
na
quantia
de
2:397$500
rs.
E
bem
assim
se
tem
d
’
arrematar toda
a
mo
bília
e utencilios
da
loja, que
foi
do
fal-
lecido
Seivastião
Ramos
Barros
Pereira,
sito
por
força
dos
autos
de falência.
Toda
a
pessoa
que
quizer arrematar,
póde com
parecer
no
indicado
dia,
hora
e logar.
Os
administradores,
Antonio
Manuel
Ayres d’
Oliveira
Bernardo
José
Fernandes
Carneiro.
(4338)
wraclo
Custodia
de
Faria,
da
freguezia
de
Ruilhe,
declara
para
lodos
os
effeitos
íe-
gaes
e
jurídicos,
que
vae
propor
em juiso
uma
acção
de
separação
contra
seu
mari
do
Antonio
Martins
da
Costa,
dos
Quin-
taes
de Baixo,
freguezia
de
Tadim;
e
poris-
so
previne
a
toda
e
qualquer
pessoa
que
não
faça
contraio
algum
com
o
dito
seu
marido, isto
quer
por
letras,
ou por
as-
signados
particulares—
;
porquanto
desde
já
declara
que
tudo
é
feito
com
o ma
ligno
intento
de
a
fraudar
e
reduzir á
ultima
miséria
—
e
por
isso
nullo
e
sem
«ÍTeiio
algum.
E
para
que
ninguém
alie
gue
ignorância,
se
faz
a
presente
declara
ção
|iara
prevenir
os
incautos.
Freguezia
de Ruilhe
10
de
outubro
de
1876.
(4356)
Retratos
l —
ÍIÍA
SANC
TUA RIO DE S. 10 R-
j 3 J
10
$
MAIA
OAL
IWLIZâ
(INCORPORADA
POR CARTA
REAL)
baratos
—A
l$0,:0
rs.
a
duzia.
MOS
CAPIXLISTAS-4
(V
ulgo
F
onte
da
C
arcova
)
Theophilo
Santiago,
photographo,
tira
retratos
pelos
systemas
mais
modernos
e
aperfeiçoados,
garantindo
a
perfeição do
trabalho,
todos os
dias, das
10 horas
da
manhã
ás
2
da tarde, mesmo
com
os
dias
inne
voados.
i4343)
Custodia
de
Faria.
J'<U
NOVO
HORÁRIO
co-
Jaquim
Alves
Vinagreiro,
leva
ao
nhecimento
do
respeitável
publico
que
o
seu
carro
que
d'esta
cidade
sae
para
a
Povoa
de
Lanhoso ás
3 horas da
tarde,
a
sahir
desde
o
dia
15
emdian-
chega á Povoa ás
4
da
tarde.
12
de
outubro
de
1876.
principia
te
ás
2
e
Braga
(4357)
Joaquim
Alves Vinagreiro.
PIANO
Vende-se
ou aluga-se
um
pia-
no
de
5
oitavas,
em
bom
uso.
Quem
o
pretender
dirija-se
ao
Hotel Particular,
largo
da Praça, n.°
13.
(4352)
LINHA
QUINZENAL
DE
PAQUETES
A
VAPOR
Para
S. Vicente, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro,
Montevideo e Euenos-Ayres
Acceilando
também
passageiros
de
3.
3
classe
para SANTOS e
RIO
GRANDE DO
SUL
com
trasbordo
no
Rio de
Janeiro
MONDEGO.
.
.
28
de
Outubro
ELBE
....
13
de
Novembro
MINHO.
. .
.
28
de Novembro
PREÇOS
SAIR
HE
LISBOA
GUADIANA
DOURO. .
commodos
.
13
.
29
de
Dezembro
de Dezembro
Cada
pa«jw<‘te
eompanhia
leva
a bordo
eriados
e
portugueses
par»
commodidade
dos
passageiros
de
to,3as
as classes.
Sendo
as
passagens
pagas
na
Agencia
Central
no
Porto
ou
em
qualquer
Agencia
provincial,
a
conducção para
Lisboa é
por
conta
da
Companhia.
A herdo
os passageiros
teem grátis eama, roupa «I® cama, co-
raitf»
feita por cosiuheiros portuguezes, vinho duas vezes por dia,
assistesaeia
medica, serviço de
criados e outras despezas.
A
EXPERIENCIA
de
mais
que
um
quarto
de
século
tem
feito
com
que
os
pa
quetes
d’
esta
companhia
(a
mais
antiga
na
carreira
do Brazil)
sejam
conhecidos
pela
regularidade, velocidade
e
segurança
excepcional
;
além
d
’
isso
pela
limpesa,
boa
or
dem,
bom
tratamento
e accommodações
a
bordo,
e
pelos
melhoramentos
mais
moder
nos tanto
para
a
hygiene
como
para
a
commodidade
dos
passageiros.
ISTO
É
COMPROVADO
pela
grande
concorrência
que
teem de passageiros e
pelos
agradecimentos
de
mais
de
mil
e cem passageiros d
’
entre elles
leitos
por
es-
cripta
como
consta
de documentos
archivados
em
varias
agencias.
SÀO ESTES
OS
PAQUETES
preferidos
pelo
Governo
Inglez
para a
conducção
das
suas
malas
do
correio,e
por
este
serviço
recebe
a companhia
um
importante
subsidio.
TIVERAM
ESTES
PAQUETES
a
honra
de
conduzir
Suas
Mageslades o
Impera
dor
e
Imperatriz
do
Brazil,
como
lambem
S.
A. o
Infante D.
Augusto.
TODAS
AS INFORMAÇÕES
e bilhetes
de
passagem
podem
ser
obtidos
no POR
TO
na
AGENCIA
CENTRAL,
rua
doslnglezes.
23,
do
agente
GUILHERME
C. TA1T;
e
nas
províncias
nas
agencias e
correspondências
estabelecidas
em
todas
as
princi-
paes
cidades
e villas.
Agente
em
Braga o
snr.
João
Manoel da
Silva Guimarães,
Rua
do
Souto.
eosinheiros
Aviso
nos
mestres gtedreiros
No
dia
22
do
mez
de outubro do
cor
rente
anno,
por
volta
das
onze
horas
da
manhã,
na casa do
despacho
da
Irman
dade
de
8.
Torquato,
será
posta
em
pra
ça
e
entregue
a
quem
por
menos
se
of-
ferecer
a
fazel-a,
se
o
preço
convier,
uma
empreitada
de fornecimento’ de
pedra
de
cantaria,
apparelho
e
assento,
com
seu
respectivo
enchimento
de
alvenaria
arga
massada,
para
a
fiada
da
cornija
do pe
destal, em
toda
a
extensão
da
obra
cons
truída.
As
propostas
serão
verbaes.
Além
do
desconto
de
10
0|0
que
ha
ser
feito
mensalmente
á
importância
obra
que
se
executar,
terá
o
licitan-
de
depositar
sobre
a
meza
no
aclo
da
arrematação,
a
titulo
de deposito
provisorio,
a
quantia
de
trinta
mil réis, que lhe
se
rá
restituída,
logo
que
o
desconto
men
sal
attinja essa
importância.
Os
desenhos
e
relevos
da
obra,
assim
como
as
condições,
podem
ser
examinados
todos
os
dias
na
casa
do despacho
da
Ir
mandade.
S.
Torquato
9
de
outubro
de
1876.
O
secretario,
de
da
te
(4353)
José Ferreira
de
Abreu.
LLCÍUNL-TA.
Na
rua
do
Anjo
n.°
11
ensina-se
a
lingua
franceza
por
a
quantia
mensal
de
800
reis,
paga
adiantada.
(4336)
IÍI
I
C/2
4
da
—
ÍO
mudança
PARA
O
ANNO
DE
1877
s
e
u
b
C
b
s
•WtóáSss;
*i
e
4
da
tarde
;
volta
de
Gui-
boras
da
manhã
e
1
da
lar-
Braga
ás
8
da
manhã
e
240
160
de baga-
a
10 reis
z
.
Aluga-se
na
rua
da
Ponte
uma
’
morada
de casas
apalaçada,
com
'
quintal
e
pôço
;
e
bons commodos
para
uma
familia.
Quem pertender
alugal-a
queira
dirigir-
se
á
mesma
rua,
casa
n.°
58
C. (4309)
NOVA
CARREIRA
José
Antonio
Ferreira Guimarães,
ne
gociante
de
cbapeus
em
Guimarães,
leva
ao
conhecimento
do
publico
que
no
dia
15
do
corrente
abre
a
sua
carreira
de
di
ligencias
entre
esta
cidade
e
a
de
Guima
rães,
saindo
de
Braga
ás
6
horas
da
ma
nhã
e
1 da
tarde,
chega a
Guimarães ás
9
da
manhã
marães
ás
5
de,
chega
a
tarde.
Preços:
De
Braga
a Guimarães
ou
vice-versa
De
»
ás
Taipas
»
»
Cada
passageiro
tem
8
kilos
gem
grátis
pagando
de
excesso
por
kilo.
Escriptorios:
Em
Braga
em
casa
do
Arranjadinho,
largo
da
Lapa n.°
5, e
em
Guimarães
em
casa
do
annunciante,
Campo
do
Toural.
Braga
1
1
de
Outubro
de
1876.
O
Gerente,
(4354)
Francisco
Pereira
Leite
e
Castro.
Rodrigo
d
’
Oliveira
e
Sousa,
mudou
o
seu
armazém
de
vinhos da
casa
n.°
19,
da
rua
do
Alcaide,
para
a casa
n.®
U,
da
mesma
rua
;
onde
continúa
a
servir
bem
os
seus amigos
e
freguezes
com
bons
vinhos,
assim
como
com
optimos
petiscos.
(4326)
,
•
Á
abaixo
impor-
o
Rio
s
a
e
b
v
JOAQUIII
JIAIAKJ»
Livraria
Bracarense
Já
se
acha
á venda
n’
esta
casa
o Al-
manach das
Senhoras,
por
Guiomar
Tor-
rezão,
sob
a
prolecção
de
S.
M.
a
Rai
nha.
(4355)
Tendo-se desencaminhado, ao
assignado,
entre
outros
papeis
de
tancia
o bilhete
de
passagem
para
de
Janeiro
da
Companhia
Franceza,
po-
risso
pede-se
a quem
o
achasse de
o
en
tregar
em
Braga
em
casa
dos
snrs.
Al
meida
&
Pereira,
em
Caldellas,
ao
Rev.°
Reitor,
em
Villa Verde
em
casa
do snr.
José
Joaquim
Peixoto,
que
receberão
al-
viçaras.
Pois
as
providencias
já
estão
da
das.
Braga 20
de
setembro
de
1876.
Antonio
Pires
da
Costa
Arraes.
(4312)
MUITA ATTENQÂO
deposito iSe
biscoito»
<ie Valotigo
í
—
Largo
da
Lapa
—
7
Estes
biscoitos são
muito
recommen-
daveis
tanto
pela
qualidade
das
farinhas,
perfeição
porque são feitas,
como
pelo
seu
baixo
preço
em
relação
a
qualidades.
Preços
porque
são
vendidos:
Biscoito
valonguense,
kilogramma
Tosta doce
Biscoito
maçarão
Bolacha
doce
Biscoito
Brazileiro
Dito
imperial
Bolachinha
de araruta
Tosta
azeda
(4331)
»
»
»
»
»
)>
D
280
280
280
280
300
330
340
190
José
Duarte
Pregueiro
&
Irmão,
fazem
publico
por
esta fórma,
que continuam
com
a carreira
diaria entre
esta
cidade
e a
Povoa
do
Varzim,
principiando
no
dia
15
do
corrente
a
sair
de
Braga
ás
6
horas
da manhã,
e
vice-versa
ás
mesmas
horas.
O
carro
que
d
’esta
cidade
saía
para
a
Povoa
ás
8
horas
da
manhã,
suspenderá
no
mesmo
dia
15.
Braga
9
d
’
outubro
de
1876.
José
Duarte
Pregueiro
8c
Irmão.
(4347)
DINHEIRO
A
JURO.
Quem
pretender
até
á
quantia
de
800$
a
1:000$000
reis
a
juro
de
5
por
cento
livres,
sobre
hipotheca
e
fiadores
idoneos,
n
’
esla
redacção
se
diz
quem
a
tem.
(4345 a)
Ai UH-TIMA.
KHOX4.A
Aluga-se
a
casa n.°
48
da
rua
dos
Chãos
de
Baixo,
de
fronteira
com
a
hos
pedaria
hespanhola.
Tem
dois
andares elle-
gantes
de rica
esquadria,
boa
loja
e
gran
de
armazém.
Para
tratar,
na
mesma.
(4341)
Para
o
Rio
Grande
do
Sul
A
b
arca
—
MINERVA,
•
—sahi-
at
^
d’
Outubro
;
para
car-
g
a
e
passageiros
tracta-se
com
Antonio
Luiz
Gomes
Lima,
rua
do
Príncipe
n.°
305, Porto.
(4345)
BRAGA:
TYPOGRAPHIA LVSITANA—
1876
*
Parte de Comércio do Minho (O)
