comerciominho_05121876_576.xml
- conteúdo
-
i|
P
reços
:
Braga,
anno
1/600
rs.^Semestre
850
rs.-Prown-
A.-S
33
I
a
*
nn0
2&0Ó0 rs
e
sendo
duas 3&600
rs.
—Semestre
1&050
rs.=Braztl,
anno 3&600
rs.=Seniestre
l$900 rs.
moeda
fc-rt
ÁS
TERÇAS
QUINTAS
E
SABBADOS.
ou
8^000
reis
e
4^500
reis
moeda fraca.
—Annuncios
por
iinha
Y
1
-
20
rs.,
repetição
10rs.
Para os
assignantes
20
°/
9
d’
abàtimento.
Assigna-see
vende-se
no
escriptorio do
editor
e
proprietário
J
cí
’
«
Maria
Dias
da Costa,
rua
Nova
n.
’
3
E,
para
onde
deve
rer
dirigida toda
a
correspondência
franca
de
porte.=As
assi-
gnaturas
são
pagas
adiantadas
;
assim como
as
correspondên
cia»
de
interesse
particular.
Folha
avulso
10
rs.
BlKACA-
TRRÇ.l-FfijnA
3
E>EXKflKB3H<»
I
*
ondrc8,
& íKe
Jíoveassforis,
ISIS.
[A
’
redacção
do
«Apostolo».)
A
(Conchiâãoj
«Examinou
S.
M.
com
grande
interes
se
os
tres
montículos,
um dos quaes,
at-
tribuido
a
Ilector,
foi
escavado
pelo
cele
bre
anthropologista Sir
John
Lubbock,
e
se achou conter
cacos
de
louça
do
quatro
século
antes
de
Christo;
assim
aquelle
tu
mulo
não
pode
aspirar
a
mais alta
an
tiguidade.
Examinou,
de
mais
S.
M.
mui
nnudamente
■
o
pequeno
acropolis
á extre
midade
das
alturas,
que
por
tanto
tempo
foi
considerado
como
o
Pergamus
de
Troya;
em
quanto
uma inscripção
achada
e
pu
blicada
por
mim
(veja-se
a
minha Troya
e
seus
Restos)
prova
ser
Gergis.
Mas
quan
do
S.
M.
viu
que
o
termo
medio
de pro
fundidade
da
accomulação
de entulho
ali
não
passava
de
pé
e
meio,
e
que
só
con
tava
fragmentos
de
louça
Grega
do
2
o
ate
4
o
século
autes
de
Christo;
demais,
que
nenhum
dos
muros
pode
aspirar
á
deno
minação
de
cyclopios,
e
finalmente, quan
do
considerou,
que
a distancia
deste
pe
queno
forte
ao
Heilesponto
é
de
4
horas
(ou
legoas)
e
meia;
em
quanto,
por
to
das
as
indicações
da
«lliada»,
a
distan
cia
entre
Ilium
e
as
embarcações
Gregas
era
apenas
mui
curta
e
não
podia
passar
de
uma
hora
de
caminho,
tem
de
rejeitar
peremptoriamente
a
theoria
de
Troy-Bu-
narbashi.
«Depois
de
lermos
tomado
refeição
de
baixo
de
uma
arvore,
ás
quarenta
Fon
tes,
voltámos
á
Bahia
de
Besdta,
onde,
ás
4
da
tarde,
embarcámos
no
Aquilla hn-
periale,
que
por
ordem
de S.
M.
vogou
para
a
ilha
de
Tenedos.
Tínhamos
ahi
desembarcado
apenas,
quando Mr.
Gersa-
.glia
o
Agente
do
Lloyd
Austrico,
se
of-
lereceu
como
guia
ao
Imperador,
e
lhe
mostrou
a
pequena
vilia
de
Freme-house,
contendo 5,000
habitantes,
e
um
miserá
vel forte
que
parece
haver
sido
edificado
depois
da occupação
Turca. Ao
ver
aqui
«NMããaiKãKMm'
*
^'
gmrsr-r.-x-
r.<: »
x
MWPgnrMM
mbi
»
23
FOLHETIM
e
ali,
na
calçada
e
nas
paredes
fragmentos
de
escultura
Greja, apontou
Sua
Majestade
para
elles,
e
disse.—
«Tenedos
deve haver
sido
em
algum tempo
uma
ilha
rica
e
prospera,
e
deve
baver
existido
um
tem
po
em
que
o
sitio
das
casas
de
pás
actuaes
era
occupado
por
esplendidos
edi
fícios e
templos.»
«Perguntado
por
Sua
Majestade
se
po
dia
indicar
o
sitio
do
templo
de
Apollo,
Mr.
Gersaglia
immediatamente
apontou
pa
ra
um
logar
plano,
e
disse:—«Segundo a
descripção
que
Homero
nos
dá
da
sua
si
tuação,
o
logar
delle, é necessariamente
naquelle
sitio».
—
O Imperador
riu
ás gar
galhadas;
e
prudentemente
reflexionou,
que
Homero
só
uma
vez
menciona
a
Ilha
de
Tenedos,
e
apenas aliude
a
um
templo
de
Apollo.
ahi, dizendo,
que
esse
Deos
reina
poderosamente
em
Tenedos.
«Voltámos aos
Dardanellos
ás
9
da
noi
te,
onde
o
Imperador,
esta manhã,
ás
7
1|2
me
fez
a
honra
de
visitar-me
no
mi
serável
Hotel
do
Heilesponto,
onde
estou
alojado.
Uma
hora
depois, embarcou
Sua
Majestade
com
sua
comitiva
a
bordo
do
Aquilla
Imperiale,
qne
partiu
immediata-
mente
para o
Tyraco.»
Eis
ahi
a
traducção
fiel
da
interessante
carta,
que
me
parece
deverá
ser
lida
com
interesse
no
Brazil,
e
por
isso
fiz
delia o
principal
ponto
desta
correspondência
hoje.
II.—
Um facto
de
considerável
impor
tância
ou
interesse
para
nós
Cathólicos,
é
a morte
do
Cardeal
Antonelli
no
dia
6,
da
qual
já
ahi
saberám,
pois é
noticia
que
não
deixará
de
ter
sido
communicado
pe
lo
telegrafo.
O
correspondente
do
Times
em
Roma
communica-lhe,
que
o
Cardeal
fallecera
n
’
aquelle
dia
ás
5
da
manhã.
Diz
também,
que
Sua Eminência
não se
persuadia
que
a
sua
moléstia
era
ião
grave,
apezar
de
os
médicos
do
Papa e
delle
Cardeal lhe
terem
declarado
que
o
ataque
era
mortal.
Nos
tres
dias
antes
da
sua
mor
te
tinha
trabalhado
nos
seus
deveres
or
dinários.
e
vindo trabalhar
e despachar,
com
o
Pontífice
no
dia
5
mesmo
á
noite;
e
na
vespera,
dia
4,
tinha
recebido
o
Ba
rão
de
Baude,
o
novo
embaixador
de
Fran
ça.
No
mesmo
dia
5
á
noite,
tinha
esta-
do
com
o
Papa,
dando-lhe
conta
do
di
nheiro
recebido
dos
peregrinos
Hispanhoes
Foi
então
mesmo que
o
assaltou um
se
vero
ataque
da
doença
no
peito,
e
tive
ram
de
transportal-o
para
o
seu
quarto.
O Papa
mandou
chamar
á
pressa
os
dois
médicos,
que
depois
de
consultarem
entre
si;
declararam
ao
Cardeal que
estava
a
ponto
de
morrer,
e. elle ainda
não
queria
acreditar;
recebeu
com
tudo
os
Sacramen
tos,
e
então
falleceu
immediatamente.
Ha
via
porem,
antes
mandado
pedir
humilde
mente
ao
Pontiíice
perdão
de
tudo
em
que
o
podesse
ter
offendido
ou
desgostado, ou
faltado ao
seu
dever.
Diz-se
que
por
dis
posição
do
Pontífice,
Monsignor
Vannutelli
tomará
conta
dos
negocios
actualmente,
succedendo
nisso
ao
Cardeal.
O
Times
de
honteui, por
sua
parte
faz
um
artigo
directivo o
mais
infáme
arespeito
da morte
do
Cardeal
repelindo
e
regozijando-se cynicamente
de
todas
as
injustiças,
usurpações,
roubos,
etc.
á
igreja;
olhando
tudo,
já
se
sabe,
como
triumpho
Protestante.
Nos
negocios
do
Oriente ajustou-se
ar
mistício
que
começou
no
principio
deste
mez, a
ver-se
no
entanto se arranja a
paz.
—
A. R.
SARAIVA.
0s enterros civssi sonsiiSeratSos rao
ponte <le
viyti»
e ieijsst
III
O
enterro civil,
que
não
merece
se
não
o
despreso dos
homens
religiosos, tem
perventura
direito
a
algumas
attenções
da
parte
da sociedade
civil?
Não.
Em
toda a sociedade
civil,
e
particu
larmente
na nossa,
os
funeraes
dos
cida
dãos como
um acto
essencialmente
reli
gioso.
Antes
da
invasão
das vergonhas
doutrinas
do
materialismo,
cuja
funesta
influencia
cresce
todos
os
dias,
tudo
nos
funeraes
era
do
expediente
da
religião;
o
corpo,
orgão
da
alma,
era
confiado
aos
cuidados
da
Êgreja,
que
tinha
sido
a mes
tra
e
directora da
consciência.
Debaixo
de
pretextos
Jrivolos
o
estado
tem
uzurpado
á
Egreja,
em
parte, os
di
reitos
de
sepultura;
não é aqui logar
de
nos
occuparmos d’
este
assumpto;
mas
ape
zar
de
tudo
o estado
não
deixou
nunca
de
considerar
os
funeraes
como
um
acto
religioso.
Isto
é
tão
verdade,
que
a
ordem
dos
funeraes
é
regulada,
na
província,
pe
los
ministros
do
culto,
e
que
em
Pariz
os
negocios
que dizem respeito
a
um
en
terro são tratados
em
presença
dos
repre
sentantes
de
diversos
cultos
reconhecidos
pelo
estado.
Resulta
d
’
aqui,
que
é
um
dever
para
o estado
respeitar
e
fazer
respeitar
os
funeraes
d
’
um
cidadão,
em
quanto
esses
funeraes
guardarem a
fórma
religiosa, por
que
são então
a
funeção-
de
Um
culto
re
conhecido
pelo
estado
e
ao
qual
elle é
obri
gado
a
dispensar
a sua
protecção.
Mas
se
os
funeraes,
em
vez
de serem
um
acto
religioso,
se
tornam,
ou pela
vontade
do
defuncto
ou
de
sua
famiiia.
um
acto
anli
religioso,
manifestamente
hos
til
á
religião,
o
estado
não
tem
obrigação
de
respeitar
nem
de
fazer
respeitar
esse
acto.
E’
o
caso
em
que
está
o
enterro
civil,
que
se
não
liga a
algum
dos
cultos
reconhecidos
pelo
estado.
Desafio
os
inven
tores
e
os
a deptos
d
’
esta
invenção a pro
var
que
o
estado
tem
obrigação
de
dis
pensar-lhe as
suas
homenagens.
O
seu
umeo
dever
consiste
em
vigiar
que o
ca-
daver
seja
devidamente
enterrado
dentro
do
praso
marcado
nos
regulamentos
de
policia
sanitaria; o
seu
direito
limita-se
a
determinar
a
hora
e
o
modo
do
encovã-
mento,
conforme
julgar
conveniente
no
in
teresse
da salubridade
e lambem,
como
va
mos
ver,
no
interesse
da
moralidade
pu
blica.
Vou
mais longe
ainda:
pretendo
que
a
protecção
de
que
o
estado
está
obriga
do
a
rodear
os
cultos
reconhecidos por
elle,
exige
que
não
conceda
aos
enterros,
dito
civis,
mais
do
que
slricta
tolerencia.
Nós
o
dissemos
já,
o
enterro
civil
é
por
si
mesmo
um ultraje
directo
e
o
mais
sangrento
de lodos
os
ultrajes,
dirigido
da
borda
da
campa
á
fé,
ás
esperanças
e
ao culto dos
Chrislãos.
Explica-se
até
certo
ponto
que
as
pa
lavras
de
impiedade
se
encontram
algumas
i;a.
J.
a.
ué
«
icei
».
0S BOIS àfflôllS
ROMANCE
BRAZILEIRO
VOLUME
I
[ConlinuaçSo]
xaa
A velha.
A
tarde
estava
no
seu
começar.
Cândido,
que
n’esse
dia
se-
recolhera
muito
mais cedo
do
que
costumava,
e
que
subira
ao
seu modestíssimo
aposento,
ou
viu
gdmer
a
escadinha
do
velho
sotão
sob
o
pezo
de
alguém,
que
subindo vinha:
pouco depois
mostrou-se
além
da
porta
uma
cabeça
branca,
e
brilharam
dois
olhos
verdes,
e a
velha
Irias
disse
:
—
Venho
conversar,
meu
filho.
Isto
dizendo
entrou,
e
foi
sentar-se
na
cama
do
mancebo,
a
quem
deixou
a
ca
deira,
que
unica
havia no
sotão.
Estiveram
ambos
guardando silencio
por
algum
tempo,
o
moço
pensativo,
e
como
sempre
melancolia-e
a
velha com
as
ru-
gas
do
semblante
menos
salientes
talvez
pela expansão
de
algum
prazer.
—
Não
te
admiras, perguntou
íinalmen-
te
Irias,
de
me
vêr
a
mim
velha,
qne
me
vou despedindo
da
vida,
e
me
avisi-
nho
da
moste,
alegre
e prasenteira,
ao pé
de
li,
moço,
que
ainda
olhas
para
diante,
e
tens
um
futuro
para
viver,
e
estás
cora-
tudo
tão
abatido
e
triste?...
esta
velhice
que se
sorri
junto
da
mocidade,
que
ge
me,
é
uma
coisa
pouco
commum
na
na
tureza, não?...
—
E
’
assim, respondeu
Cândido
;
seja
qual
fòr
a
razão
d
’
isso,
eu
dou
graças
a
Deus
pelo
prazer
de
minha
mãe.
—
Mas
lambem
é
preciso
que
tu
saibas
o
que
hoje
não
sabes
ainda, e
o
que
to
davia se envelheceres,
sentirás
como
eu
sinto.
À
velhice,
meu
filho,
a
velhice,
que
o
mundo
chama
egoísta,
náo
tem
alegrias
por
si,
sabe
sómente
alegrar-se
pelos
ou
tros
; os
paes
se
sorriem
com
a
ventu
ra
de seus
filhos
;
e aquelles
que
não
tem
tiihos.
amam
sempre
e
muito
alguém,
e se
sorriem
com
a ventura
do
seu
alguém.
—Portanto
alguém
que
minha
mãe
es
tima
muito,
acaba
sem
duvida
de alcan
çar
uma
boa
ventura?...
—
Ou
pelo
menos
não
está
longe de
alcançal-a.
—
Outra
vez
graças
a
Deus,
minha
mãe.
—Pois
agora dá graças ainda
uma ter
ceira
vez,
porque
já
deves
ter
adivinhado
quem
é
o
meu
alguém
;
quem
é
esse
que
eu amo
como
se
fôra meu
Ilibo,
e
que
está
em
vesperas
de
uma
grande
ven
tura.
Cândido
olhou fixamenle
para
a
velha,
e ficou
como espantado, esperando
que
ella
pozesse
bem
claro
o
seu
pensamento.
—Sim. tornou
Irias;
é
de
ti
mesmo:
é de
ti
mesmo
que
eu
fallo.
—
De
mim
mesmo, senhora?!!!
—
Sim
;
de
ti
mesmo.
—
Uma
grande
ventura
para
mim?...
—
Quantas
vezes
queres
que
t
’o
di
ga?...
—
E
não
estaes
zombando?...
—
Não,
de
modo
nenhum.
—
E
essa
ventura...
—Adivinha-a.
O
mancebo
com
um sorrir
convulsivo
nos
lábios,
com os
olhos
em
lagrimas,
cheio
de
ardor
e
de
felicidade,
com
as
mãos
postas
e
trementes,
e
um
pouco curvado
para
a
velha,
exclamou
:
—
Vós
descubristes,
minha
mãe!...
Sua
exclamação
foi
um
grilo
sahido
d
’
alma
:
Irias
respondeu
meio
sentida
:
—
Não
é
isso.
Cândido,
como
fulminadopor
um
raio,
abandonou-se
dolorosamenle
na
cadeira,
e
disse
:
—
Vós
zombastes
de
mim,
senhora.
—
Pois
além
d
’
essa,
não
ha
mais
ne
nhuma
esperança
em
teu
coração?...
—Nenhuma,
nenhuma absolutamente.
A velha,
talvez
para
deixar
a
Cândido
tempo
de serenar-se,
guardou
silencio
por
alguns
minutos,
e
proseguiu
depois:
—
Pois espero,
Cândido,
que
sejas
fe-
iz
bem
cedo.
—
Vós
esperaes,
não duvido
;
mas
quan
tas
vezes na
vida
a
esperança
não
é
sá-
mente
uma
illúsão?,..
—
Meu filho,
eu
devo dizer-te
que
es
sa
misantropia
que
te
amortece,
esse
de
sespero
que
te
vae
consummindo,
offen.de
a
Deus
Nosso
Senhor.
—
Deus
lê
no
meu
coração,
e
sabe
que
eu nada
esperando
dos
homens
n
’esta
vi
da,
espero tudo d’EHe
na
outra.
—
E
julgas-te
com
razões
bem
fortes
para
nada
esperar
dos
homens,
e
te
dize
res
tão
sem
remedio
desgraçado?
—
Creio
que
sim,
minha
mãe.
—
Creio
que
não,
meu
filho.
—
Oh,
senhora!
quereis
que
eu
não
ve-
a
o
que
tenho
diante
dos
olhos,
e
que
eu
não
sinta
o
que
me
peza dentro
d
’
al-
ma?...
—
Não;
mas
quero que
um
quadro,
que
é
sómente triste,
não
o
faça
tua
ima
ginação pavoroso
e
horrível.
—
Sim...
tendes
razão,
exçiamou
o
man
cebo
com
um
sorrir
de
acerba
ironia
;
tendes
razão...
éu
sou muito
feliz!...
A
velha
fez
um
movimento
de
impa
ciência.
—
Eu
sou
muito feliz.!...
tornou
o
man
cebo
com
nova
amargurada
ironia.
—Cândido
!...
—-Sim!
muito
feliz!...
pois
então?.
*
,
é
verdade
que
a
minha
vida
foi
um
crime,
meu
nascimento
um
documento
d
’esse
cri
me,
meu
primeiro
vagido
o sentimento
•vezes
sobre
os
lábios
de um
homem
cheio
de
vida
e
arrastado pela fuga
das
pai
xões-
mas
a
blasfémia
sahindo
d
’
um
cora-
cão
esfriado
pelas
approximações
da
mor
te
a
negação
de
Deus
na
hora
mesmo
cm
que
se vai
comparecer
na
sua
presen
ça
é
o
supremo
allenlado
de
impiedade,
e
é
este acto
repellente
e odioso
entre
todos que
o
enterro
civil
se
propõe
ma
nifestar
á
face
da
sociedade.
O
estado
não
deve
portanto
permitlil-o,
sobre
pena
de
faltar
ao seu
dever
para
com a
consiencia da
immensa
maioria
dos
ci
ladãos;
o
estado
tem
obrigação
de m-
ti-epôr
a
sua
mão
entre
o
msultador
e
as
coisas
eminenlemente
respeitáveis
que
este
pretendente cobrir
publicamente
com
'
o
seu
despreso.
E,
digamos
de
passagem,
não
é
uma
vergonha
vêr
as
pompas
dos
funeraes estabelecidas
d
’
accordo
pela Lgre-
ia
e
pelo
estado
reduzidas
a
taes indigni
dades?
E,
porque
um homem leve
a
sa
crílega
audacia de negar
a
Deus
no
seu
leito
de
morte,
é
motivo
para
que
se la-
ca
em pleno
dia,
um
lasloso
cortejo
a
esta
coisa ignóbil
e repellente que
se
chama
0
seu
cadaver
?
.
..
A noite
e
um
carro
de
taipaes
lhe
basta...
__ ------------------------ -
Coimbra,
8»
nnrsnhr».
j
Do
nosso'correspondente).
A
’
hora
em
que
lhe
escrevo
<8
da
noite)
todos
os
estudantes do
lyceu
e
os
da
Universidade
formando
um cortejo
de
mais
de
2:000
pessoas percorrem
as
ruas
da
cidade
com
filarmónicas
á
frente,
e
fazendo
estrondear
os ares
com
foguetes
'
e morteiros,
dando vivas
e
morras,
á luz
sinistra
de
muitos
archotes,
simiíhando
grande
revolução.
O
corpo
académico
tendo
pedido
fe
riado
para
o
dia
l.°
de
Dezembro,
e
não
o
obtendo,
reuniu-se
no
theatro
académi
co,
resolvendo
fazer
esta
manifestação
inesperada.
Tendo
conhecimento
mais tarde
de
<iue
o
ex.
mo
snr.
dr.
Mamede,
presidente
ria
camara
dos
deputados
acabava
de
che-
'
gar
a esta
cidade,
foram com
todo
o
apparato
citado,
cumprimentar
aquelle
ca
valheiro.
O
lim
era obter
o
feriado,
e
dar
cheque
no
snr.
vice-reitor. Mas a
briosa
não
pediu
nada.
Com
o
snr.
Ma-
mede
estavam
os
snrs.
drs.
Lourenço
e
Fernando de
Mello,
governador
civil.
Es
tes
cavalheiros
tornaram
a
mandar
entrar
a
commissão,
e
premetteram-lhe
o
feria
do,
dizendo-lhe
que
iam
telegrafar
para
Lisboa,
sem
demora,
e
que
o
feriado
era
certo.
Idem,
d
de
dezembro.
—
E
assim
foi.
Tivemos
hoje
feriado,
como
era
de
justi
ça.
Bem
hajam os snrs.
drs.
Lourenço,
Fernando
e
Mamede,
que
parece
o
tinha
jâ
no
bolso, mas
queria
ser...
cumpri
mentado.
Quando
a
academia,
na
sua
qua
si
totalidade,
regressava
ao
theatro
aca
démico, deu
morras,
durante
o
transito,
GAZETILHA
Collegio
«lo
Esgsãa-iêo Sssasío.—
Os
padres
d
’esle excellenle
collegio
acabam
de
comprar
um
bello
prédio situado
em
Inflas,
coro
quintal
para
a
nova
rua
que
conduz
á
Senhora
A
Branca,
no
terreno
fronteiro
ao
palacete
do
snr.
Simões.
Al-
ii
vão
edificar a
nova
casa
para
o
colle
gio,
que
deverá
ser feiia
com
todas
as
com-
modidades
necessárias.
Como,
porém,
a
construcção
tem
de
ser
demorada, vão
proceder
já
á
factura
d’ura
segundo
andar
n
’
uma
das casas
compradas, para
accom-
tnodar
uma
secção
dos seus
alumnos;
de
modo
que
para
o seguinte curso
ticam
habilitados
a
receberem
mais 20 ou
30
internos,
podendo
assim satisfazer
vários
pedidos
que
tem
havido
para
admissão
de
alumnos.
Damos
esta
boa
nova aos
che
fes
de
familia,
prevenindo-os
para
que
se
apressem
a
requerer
com
o
devido
tem
po.
—
O
digno
e
sollicito
director
d
’
aquelle
acreditadissimo
estabelecimento
lilterario,
Braga,
D.
João
Chrysostomo, quando
re
cebeu
noticia
.da morte
do
snr. arcebispo
primaz,
D.
José,
deu
as
suas
providencias
e saiu
depois
do
jantar
para
a
sua
quinta
de
Cubanas.
Ora
isto
é
inexacto,
e
bem
convenci
do
da sua
inexactidão estava
o
illustre
correspondente,
quando,
para
dar
largas
ao
odio
figadal
que parece
votar
ao
be-
nemerito
prelado
que
tão
dignamente
re
ge os
destinos
d’
esla
archidiocese,
avançou
aquella
asserção estranhamente
insensata.
O
correspondente
não
se
lembrou,
por
certo, que
o
«Ommercio
Portuguez»
é
também
lido
era
Braga,
onde
todos
sa-
bem
que
o
Paço
archiepiscopal está
si
tuado
no
centro
da
cidade,
e
que
para
o prelado
d
’el!e
sair
para
a
sua
quinta
de
Cabanas
tinha
de atravessar
uma
exten
são
de
dois
kilometros,
proximamente,
o
que
só faz de
sege.
A
noticia
que
o
correspondente
refe
re,
e
a
que
aliudimos,
em
nada
desdou
ra
os
provados
dotes
iinaginatiços
do
au
ctor,
porque
só
elle
andava
com
os
olhos
abertos
na
occasião
em
que
se
deu
o
facto.
Os
fazedores
de
novellas
costumam
prender
a
attenção
dos
seus
leitores
pelo
enredo,
segundo
o grau
da
verosimilhan
ça
d
’
este: o
illustre
correspondente, a
quem
para
is-o
não
falta
talento,
foi
porém
in
feliz
n
’
este
seu
arremedo
a
novella,
que,
peza-nos
dizel-o,
só
leve
em
vista
satis
fazer
a
sua
animosidade
injustificável.
O
que
nos
surprehende,
é que
o
cor
respondente
nem
ao
menos se. lembrasse
da
tangente
do
=
consta-nos,
diz-se,
etc.
;
mas
antes
assevere o
facto
com
a
segu
rança
de
quem
está
supremamente
bem
informado
;
assim
como
o
faz
do
que
se
passara
dentro
do
paço,
como
se
assistira
á
reunião
que
alli
teve
o
cabido
com
o
prelado.
Como
entia
ralionis
é
apreciável.
—
O
prelado
lira
forças da
sua
tristeza,
e
con
tinua
o
despacho.
Terminado
este,
vae
jan
tar;
e
como
não
póde
supportar
a
toada
lugubre
dos
sinos,
que
tinham
começado
a
imporlunal-o
ás
3
horas,
quer
fugir
pa
ra
Cabanas
Mas
como
fazel-o,
se
as
ja
nellas
e
portas
estão
fechadas
em
signal
de
luto, e
se
acha
já
afixado
aviso
de
que
s.
ex.
a
está
de nojo?..
Nada
mais
fa
cil.
Surge
por
encanto
o
correspondente
do
«Commercio
Portuguez»,
que
adivi
nhando
o
trance
afllictivo
de
s,
ex.a
,
re
quisita aos
deuzes
o
carro
de
fogo,
e...
ahi
vae para
Cabanas
o
bom
do
prelado.
Isto
passou-se
tanto
em
segredo,
que
ne
nhum mortal
chegou
até
a
suspeitar
da
maravilha.
Custa-nos
a
acreditar
que um
espiri
to
esclarecido,
como
é o correspondente,
desça a coisas
tão
pequeninas...
tão
pe
queninas...
HteélaraçSo.
—
O
artigo
editorial
do
nosso
n.°
do
dia
2
do
corrente,
refere-se
ainda
á
apostasia
do dr.
Richoso.
Faze
mos
esta
declaração
por
se
haverem
sus
citado
duvidas sobre
a
sua
interpreta
ção.
aos ibéricos
e
vivas
aos
dadores
do
feria
do.
No académico
houve
em
seguida
sessão,
pronunciando-se
discursos
enthu-
siasticos,
e
resolvendo
solemnisar
o me
lhor
possivel
o
dia
d’
hoje para
se mos
trar,
que o seu lim
não
era
o
feriado,
que
já
tínhamos,
mas
sim
manifestar o
seu
patriotismo. Resolveu-se dar
esmollas
aos pobres,
e
um
sarau
hoje
no
acadé
mico.
Já
estão
tomados
todos
os
logares.
Daremos
conta.
A
’
manhã
temos
a
f.
a
representação
da
zarzuella
no
D.
Luiz.
Em
seguida
haverá
mais
tres.
Na egreja
de
S.
Pedro
houve
ha
dias
uma
missa por
alma
do
cardeal
Anto-
neili,
mandada
celebrar
pelos
estudantes
de
theologia,
a
qual
esteve
muito con
corrida.
O
duque marechal
de
Saldanha
não
leve
nada,
porque...
não
rendeu
feriado
que
os
rapazes
pediram!...
Tem
chovido
muito
e
ventado
mais.
Honteqi
pairou
soore
a
cidade
uma
gran
de
trovoada.
O
Mondego
vae
caudaloso;
os
campos
marginaes
estão
alagados.
Ha
prejuízos
nas arvores
e
hortas.
Estão
outra
vez
desertas
algumas ca
deiras
de
Direito. Foi-se o
snr.
Dias
Fer
reira,
que
nos
fez
muita
falta,
e
que
nós
amavamos,
porque
era
um
lente
comme
il
faut.
Foi-se
o snr.
Cortez,
e
falla-se
n
’outras saidas.
Elles
divertem-se...
Nas
outras
faculdades
tem
corrido
me
lhor
o
ensino,
não
havendo
d’
eslas
deser
ções.
Na
de theologia
está
todo
o
pes
soal
sempre
a
postos.
Mas
os estudantes
é
que
raream.
Nos
bancos
das
aulas do
o.°
anno
vemos
tres académicos!
A
causa
d
’
islo
foi
o
jury
do
exame
dTIebreo
reprovar
todos
os examinandos,
impossibililando-os
d
’
ir
ao
5.° Foi duro
!
Se
tencionavam
difficultar
o
exame
prevenissem
os
estudantes
desejando
que
os
seus
alumnos
também
se
associassem
aos
collegas
da
classe es
colar,
no
regosijo
pelo anniversario
da
res
tauração
de Portugal,
e
não
podendo
os
meninos
sair
do
collegio,
em
razão
do
tempestuoso
do
dia,
proporcionou-lhes
um
bello
recreio,
que
durou 3
horas,
con
stando
de
diversões
musicaes
e
exhibições
opticas
por
meio da
lanterna
magica.
—
Um
joven
inglez,
um
dos
professores
ultimamente
chegados,
lembrou-se
de
con
struir
um
lheatrinho
portátil,
para
os
alum
nos
se
exercitarem
a
fallar
em
publico,
e
ao
mesmo
tempo
terem
um
passatempo
agradavel.
E’
inquestionável que
o
collegio do
Es
pirito
Santo se
acha
á
altura
dos melho
res
estabelecimentos
litterarios
do
seu
ge
nero.
no estrangeiro.
Aeções
djgsaws de
louvor.—
Temos,
por
muitas
vezes,
fallado
em
nosso
jorna
dos
importantes donativos
que
um
cava
lheiro
d’
esta
cidade,
o
exm.°
snr.
Ful-
gencio
José
da
Costa
Guimarães,
distin-
cto
pelas
suas excellentes
qualidades,
tem
feito
a
vários
estabelecimentos,
e
sobre
tudo
a
algumas egrejas,
irmandades,
con
frarias
e
imagens.
O
que
elle
fez
ha
pouco em
venera
ção
e
culto
da
Imagem
do
Coração
de
Maria,
erecta
na
capelia
de N.
S. A
Bran
ca d
’
esta
cidade,
merece
as
honras a
que
teem
direito
os homens
que
de
simiihan-
te
modo
manifestam
suas
crenças.
Tendo,
não
ha
muito,
adornado
o
altar
com
varias
prendas
de
valor
e
estima,
como
uma
linda
alcatifa,
uns
excellentes
ramos
de
flores
arlificiaes,
etc.,
etc.,
pri
mou
a sua
devoção
em
dar
para
o mes
mo
aliar
da
Virgem
uma
bordadura
a
ou
ro
em
cortina
de
velludo,
que
brilhará
entre
profusão
de
luzes,
flores
e
adornos
no
dia
8
do
corrente.
E
’
digno
portanto
da
estima
e
consi
deração
que
gosa.
A sustentação
do
culto
religioso
com
o
maior
esplendor
possivel,
é
de
certo
um
dos
actos
que
enobrece quem
o
pratica
e
fórça
os
outros
a
proporcionalmente imitar
igual
exemplo.
Honra, pois,
e
louvor
a
tão zeloso
crente,
a tão
fervoroso
devoto.
Jhí
falleeeu.
—
Já
falleceu
a
pobre
mulher
que
foi
na
passada
terça-feira
aíro-
pellada
em
Frossos,
facto
que
já
narra
mos.
Logo que expirou
foi
conduzida
para
o
Hospital
de
S.
Marcos,
onde
se
proce
deu
á autopsia
do
cadaver.
O
criminoso
ainda
anda
a
monte.
Missa
bss
»
Penha,
—A
missa
que
se
celebra,
em todos
os
domingos,
no
ex-
tincto
convento
da
Penha
d
’
esta
cidade,
é
oílerecida por
todos
os
devotos
que
concorrem
com
suas
esmolas e
serviços
para a
conservação
do
culto
da
mesma
egreja
Nio é
verdade.— O
correspondente
d’
esta
cidade
para
o
«Commercio Porlu-
guez»,
na
sua
carta
de 28
de
novembro,
inserta
em
o
n."
77 d
’
aquelle excellenle
diário,
aflirma que
o
snr.
arcebispo de
de
um
castigo
;
é
verdade, que
apenas
vi
a
luz, fui
por minha
mãe
repeilido... eu-
geitado...
lançado
fóra
por
minha
mãe!...
mas
que
importa
isso? Sou
muito
feliz
!...
Irias
ficou
em
silencio
olhando para
Cindido,
que
continuou.
—
Tinha porém
havido
um
èrro
na
mi
nha
fortuna
:
repeilido
por
minha
mãe,
achei
eu uma
mulher
que
me
deu seu
lei
te,
a
metade de
seu
pão
e
todo
o
amor
de
seu
coração
;
eu
vos achei,
senhora
;
«nas,
para
corrigir-se
esse
èrro,
aos
trese
annos
de
edade
um
homem,
que não
era
meu
pae certamente,
um
homem,
de
cujo
semblante
austero
e
vestidos
negros,
me
hei
de
lembrar
sempre,
arrancou-me
de
vossos
braços,
e
lançou-me
dentro
de
um
navio,
e
no
dia
.seguinte eu
vi
desappa-
recer
a
meus
olhos
a
terra
de minha
pa-
tria
’
...
Por consequência
eu
sou
muito
feliz!...
A
velha
parecia
de
plano
querer
que
o
mancebo
fosse
derramando
toda
sua
amargura
para
depois
fallar por
sua
vez,
e
foi
portanto
ouvindo
silenciosa
aquella
historia,
que,
sem
duvida,
já
tinha
ouvido
cem
vezes.
—
E lá na
terra
estranha,
proseguiu
Cândido,
lá,
quando
eu
começava
a
cotn-
prehender
que
vivia,
e
que
era
homem,
para
que nada
eu
comprehendesse, mi
nha
vida
era um
mistério,
e
entre
os ho
mens
todos
era
eu
um
homem
isolado,
só,
sem
um
laço
no
mundo,
sem
uma
doce
recordação
no
passado,
sem
uma
impres
são
deleitosa
no
presente,
sem
uma
espe
rança passageira no
futuro
:
sim,
o
navio
que
me levava
aportou
ás
terras
de Por
tugal
;
uma
familia
carinhosa,
mas
que
eu
oão
conhecia,
foi
a
bordo
receber-me.:
cresci,
desvelaram-se
em
educar-me;
essa
familia,
que pouco tinha
para
si,
deu-me
mais instrucção
qne
a
seus
filhos,
nada
me
faltava,
e
eu não
podia
saber
d
’onde
tanto
me
vinha
Oh
senhora!...
exclamou
o mancebo,
esquecendo
a
ironia
amarga
com
que até então fallára, será
pois
feli
cidade
essa riqueza
no
meio
de tanta
mi
séria
?...
A
velha
não
respondeu.
—
Oh!...
comprehendeis
vós
acaso
co
mo
é
que
soavam na
minh
’
alma
esses
no
mes
sagrados
de
—
meu
pae
!
minha
mãe
!
—
que
chegavam
ás
vezes
a
meus
ouvi
dos,
sahidos
do
coração
de
meus
cama
radas, que
tinham
uma
mão de
pae
para
beijar,
e
um
seio
de mãe
para
rece-
bel-os?...
com
que
dolorosa
impressão
eu,
desterrado da
mais
bella
das
patrias,
via
no
meio
das
agitações
políticas,
no
cor
rer
1
dos
perigos,
os
homens
animar-se
e
progredir,
arrostar
tudo
pela gloria
da
terra
de
seu
berço,
e
enlhusiasmados
fer
ver-lhes
o
sangue
ao só escutar dos
hym-
nos patrióticos?...
e
compreliendeis
em-
íim,
senhora,
como
se me
enregelava o
coração,
quando
eu pensava n’
esse
mis
tério
indecifrável, que
envolvia
o
meu
pas
sado,
e
obscurecia
o
meu
porvir?...
Orfào
e
desterrado,
sem
saber
nem
ao menos
de
mim
mesmo,
eu
devia considerar-me
munto
feliz,
não
é
assim?...
I
fcui rii runii
www.i
‘
nur.
A
velha
obstinava-se
em
não cortar
o
fio
das
reflexões
do
mancebo.
—
Pois
no
meio
d
’
essa
minha
tão gran
de
felicidade,
senhora,
vinha
um
menino
que
me
era
parceiro
nos
estudos
e
nos
brincos,
e
me perguntava
:
«Cândido,
quem
é teu
pae?...»
Vinha
depois logo
outro
que
me
fallava
assim:
«Cândido,
tu
não
tens
mãe?...»
Vinha
logo
apoz
um
tercei
ro
que
me
dizia:
«Cândido,
porque
tão
pequeno
deixaste
a terra
onde
nasceste?»
E
eu
só
lhes
respondia:
não
sei.
E
vi
nham
depois
um,
dois,
vinte
outros
que
me
perguntavam:
«como te chamas?... Cân
dido
de
que?»
E
eu
que não
tinha
nome
de
familia,
eu
que
sou só no
mundo,
lhes
respondia
sempre:
—
Cândido—só.
—
E sa
beis,
senhora,
o
resultado
de
tudo isto?...
é
que
apoderou-se
de
mim
a
convicção,
de
que
eu
era,
de
que
eu
sou
o
somenos
de
todos
os
homens;
porque
entre
todos
os
homens
não ha
um
só,
que,
como
eu,
não
tenha
pae, não
tenha
mãe, não
tenha
nome,
nem
passado,
nem
futuro!... oh!
que
até
me
quizeratn
roubar
aquillo,
que
a
ninguém
se
nega... uma
patria!...
Irias
nem
se
moveu
á
vista do
exage
rado
quadro
d
’aquella
desgraça, que
a
ima
ginação
ardente
do
mancebo
traçava
com
tintas
tão
medonhas;
Cândido
fallou
ainda.
—
Quereis,
senhora,
que
vos
repita
ain
da
outras
provas
de
minha
pretendida
fe
licidade?...
quereis
que
eu
pize
minhas
feridas?...
eu
o
farei.
Aos
dezoito
annos
de
minha
edade
vestiram-me
vestidos
ne
gros,
enrolaram
de
fumo
o
meu
chapéu,
e
quando
eu
perguntei o
que
queria
isso
dizer,
responderam-me: «morreu
teu
pae!»
Ouvistes
bem,
senhora?...
era
meu
pae
que linha
morrido;
meu
pae,
que
nunca
me
havia
abençoado!!!.'
A velha
não
pronunciou
uma
só
pa-
avra.
—
Depois deram-me
uma
bolsa
cheia
de
oiro,
embarcaram-me
em
um
navio,
e...
se
houve
dia
em
que o
prazer
do
cora
ção
correspondesse
ao
sorrir
dos
v
lábios,
foi
aquelle
em
que
eu
vi
de novo
as ter
ras
de
minha
patria!
oh!...
meu
primei
ro,
e
meu unico dia
de
ventura
foi esse,
e
antes
d
’esse,
e
depois
d
’esse
nenhum
outro.
Eu
cahi
em
vossos
braços,
corri
a
vêr
os
logares
testimunhas
de
meus
brin
cos
infantis:
mas passada
a
hora
do
en-
thusiasmo...
eu achei
o
vazio
..dentro
de
mim:
eu
era ainda
como
dantes,
e
como
hoje,
.
Cândido
—só.—
Eu
não
tódia
encon
trado
minha
mãe
!
«St
*
--.-
O
moço
respujjnfo
pr-osj^^^^L
—
Porque
iL^Bpiso
se
nhora,
no
meioJEe
minhas
reflexões
e
magnas,
longe
da patria,
quando eu
pen
sava
no
mistério
de
meu
nascimento,
e
no
segredo
de
meu
nome,
uma esperança
me
animava;
eu contava
de
volta
á
terra
de meu
berço,
achar
os
braços
de
minha
mãe
abertos
para
me
receber!
ah
!
e
eu
não
achei
minha
mãe!
...
eu
a chamo
de
balde ainda!...
(Continiia)
EgcIarecimentoB.
—
Informam-nos
pessoas que presencearam
o
alropellamen-
to
de
que
já
demos
nolicia,
que
o facto
se
deu
na
extrema
da freguezia
de
S.
Jeronymo,
e
começo
da
de
Frossos,
e
que
n’
esla
ultima
foi
o
cavalleiro
prezo.
Os
policias
d
’
enlre
os quaes
o
criminoso
se
evadiu,
eram pois pertencentes
a
Fros-
sos.
'Tlxeatr®.—
Dizem-nos
que
em
a
noi
te
do
l.°
de
dezembro
houve
espectacu-
lo
no
theatro
de
S.
Geraldo.
Nada
dize
mos
sobre
o
que
alli
se
passou,
porque
não
mandaram
ao
nosso
escriptorio bilhe
te
de
entrada.
O
proprietário
do
«Com
mercio
do
Minho»
é
editor
de
dois
jornaes,
e
de
nenhum
recebeu
bilhete.
CoSIegio
Síseserva.
—
Sob
a
direc-
ção
do
snr.
padre
Manoel Alves
de
Cas
tro,
acaba
de
ser
fundado
um
novo
col
legio
que
se
designa
Collegio
Minerva.
°
E’
fundado
pelo professorado
que
con
stituía
o
corpo
docente
do
Collegio
de
S.
José,
no
qual
apenas
ficaram
os
snrs.
Capella
e
dr.
Patrocio
da
Costa.
Este
novo
estabelecimento
será
instal-
lado
na
rua
de
S.
Fauslino
(entre
o
campo
das
Theresinhas
e
Guadalupe).
Desejamos-lhe
longa
existência
e
todas
as
prosperidades.
—
Na
manhã
do
dia
1
falleceu
em
Lisboa
o
snr.
Luiz
de
Mello
Breyner,
conde
de
Sobral.
©
«Sia fi íS® dezesaabro.
—
Em
rasão
do
tempo
horrorozo
que
fez
na
sexta-feira,
o
anniversario da nossa
gloriosa
restauração
em
1640
não
foi
tão
ruidosamenle
feste
jado como
era
d
’
esperar.
Duas
das
í
ban
das
de
musica
que
tinham
de
percõrrer
as
ruas,
e
que
são
de
fóra
da
cidade
não
puderam
pela
mesma
rasão
vir:
foràm
pois
só
as
duas
bandas
da
cidade
que
de
ma
nhã
deram
as
corridas.
Ao
meio
dia
e
á
tarde
tocaram
debaixo
da
arcaria
da
La-
Pa
-
...
Depois
das
3
horas
deu-se
principio
ao
Te-Deum.
que foi
entoado
pelo
ex.
“
‘
°
deão
da
Sé.
A
musica
era
da
capella
da
mes
ma
catliedral.
Não
houve sermão, porque
o
pregador,
que
era
o
snr.
abbade
de
S.
Niculau
do
Porto,
não
poude
chegar
a
tempo,
em
cousequencia
do
desabamento
d
’uma
trincheira
na
via
ferrea
do
Minho,
o
qual
ja
noticiamos.
O
templo
da
Sé achava-se
vistosissi-
mamenle decorado
com
damascos
e
ban
deiras.
.
A
’
noite
appareceram
illuminados
al
guns
estabelecimentos
públicos
e
muitas
casas
particulares.
A’
cerca
dos
festejos
em
Lisboa,
diz
o
«J.
da
Noite,:
A
pesar
de
continuar
desabrido
e
tem
pestuoso
o
tempo
não
impediu
esta
cir-
cumslancia
que
ao
alvorecer
do
dia,
gran
de
quantidade
do
povo
se
agglomerasse
em
frente
do
palacio
do
conde d
’
Almada
onde
os conjurados
Pinto
Ribeiro,
D.
Mi
guel
d’
Almeida,
D.
Anlonio
de
Saldanha,
D.
Luiz
da
Cunha,
o
arcebispo
de
Lisboa,
D.
Antào
d
’Almada,
D.
Jorge
de
Mello
e
seu
irmão
D.
Francisco,
D.
Rodrigo
de
Sá,
D.
Miguel
d
’
Almeida, D. Antonio
Tasso,
D.
Álvaro
d
’
Abranches
e
outros,
conseguiram
levar
a
effeilo com o
mais
brilhante
resultado
a
restauração
de
1640.
Logo
ao
romper
do
dia
subiram ao
ar
repetidas
girandolas
de
foguetes
e repica
ram
festivamente
os
sinos
das
parochias.
O
largo
em
frente
da
casa
estava
adornado
de
mastros
cora
bandeiras
e
ga
lhardetes.
Em
muitos
pontos
da
cidade
houve
eguaes
demonstrações
e
vèem-se
emban
deiradas
diflérentes
ruas
e
edifícios.
Na
Sé
patriaichal
assistiu
a
commissão l.Ne
dezembro
ao
soleinne
Te-Deum.
No
tem
plo,
além
das
authoridades
civis
e milita
res,
vários
funccionarios
e
magistrados,
estavam
os
vereadores
das
camaras
de
Lisboa,
Belem
e
Olivaes
e
diversas corpo
rações.
Durante
o dia
dislribuiram-se
em
algumas
freguezias
bodo
aos
pobres
e
per
correram
as
ruas
varias
philarmonicas
to
cando
o
hymno
da
restauração,
e
lançando
foguetes^
”
___
e
S. Bento
a
so
le
dezembro
rea-
lalriotica.
Na
rua
•e musica
á alvo
rada,
salva
de
morteiros
e bodo.
Na
egre
ja
da
Conceição
Nova cantou-se Te-Deum
e
houve
á
tarde
novena
e
sermão com-
memorativo
da
independencia.
Na
festivi
dade da
Conceição.
Velha,
a
pratica
allu-
siva
ao memorável
feito
foi
do
desembar
gador
Garcia
Diniz;
a do Soccorro pelo
rev.°
padre
Sargedas
e
a
dos
Anjos
pelo
rev.°
Pires
Monteiro.
No
Te-Deum
em
S.
Pedro
de
Alcanta-
cied^jjtfoopWI^I
lisou
uma
brilhante
de
Marcos
Barreiro
ra
ofliciou
o
novo
prior
que
tomou
hoje
posse.
A
’
noite
houve
illuminação
a
gaz
no
palacio
do
conde
de
Almada
e nos edi
fícios
de
varias
associações.
No theatro
de
D.
Maria II
houve
re
cita
de
gala
a
que
asssistiram
a
sociedade
1.° de
Dezembro:
no
velho
cir
co,
representou
a
companhia
do
Principe
Real
um
drama
relativo
ao
facto
da
res
tauração:
no
theatro
da
Rua
dos
Condes,
outro
no
mesmo
sentido,
do
snr.
Eduardo
Coelho,
O/ipressão
e
liberdade; no
theatro
Garrelt, uma
sociedade
de
curiosos
repre-
tou
o
drama
Miguel
de
Vasconceilos
ou
os
portuguezes de
1640;
o
theatro
Recreio
In
fantil
(á
Boa
Morte)
representou
o
drama
em
4
aclos,
Carlos
3.°
ou
a
inquisição
de
Hispanha;
academia
Fenian,
deu uma
grande
soirée;
e
a
Sociedade
Alumnos de
Minerva um
baile
e
concerto.
Nas
outras
casas
de
espectaculos
houve
recitas
commemorativas.
O
lyceu
Polylechnico do
largo
do
In
tendente
festejou
cora
o
maior
brilhantis
mo
o seu
terceiro anniversario.
A
sociedade
cooperativa
da rua
de
S.
Bento,
deitou
á
noite
balões
e
queimou
um
fogo
de
artificio,
finda
a
sessão.
Na
Academia
Civilisação
houve
reunião
familiar.
© sass
*
.
asree&ssp»
«Se
Braga, 19.
JoSo
©EarysoBtoass®.
—
Em
uma noticia
biográfica
do
finado
arcebispo
D.
José
en
viada
ao
«Conimbricence»,
e
por
este
pu
blicada
no
seu
n.°
3062,
correspondente
a
sabbado.
2,
lemos
os
seguintes
paragra-
fos
referentes
ao
actual
snr.
arcebispo
D.
João
Chrysostotno
d
’
Amorim
Pessoa:
«Tomou
então
(depois
da
retirada
d
’
es-
ta
cidade
do
arcebispo
fallecido)
conta
(Março
de
1875)
na
qualidade
de
Arcebis
po
coadjutor
e
futuro
successor o ex."
‘°
rev.
ul#
snr. D. João Chrysoslomo
de
Amo-
rim
Pessoa,
que
havia
sido
arcebispo
de
Gôa
e
primaz
do
Oriente.
Snr.
redactor.
Este
preclarissimo
pre
lado
soube
captar
nas
nossas
possessões
asiaticas
tantas
e
taes
sympathias;
refor
mou de
tal
modo
-os
negocios
do Arce
bispado de Gôa;
assentou
em
bases tão
se
guras
as
doutrinas
da
egreja
catholica,
nossa
mãe
e
mestra;
reprimiu
de
tal
ma
neira
os
abusos
alli commettidos;
prestou
alli
tantos
e tão relevantes
serviços á
Egre
ja
e
ao
estado;
captivou
tanto
o
animo
dos seus
súbditos
pelas
suas
maneiras
lha
nas,
sinceras
e
agradaveis; brilharam
alli
n
’
aquelias
paragens orientaes
as
suas
vir
tudes
acrisoladissimas
e
o
seu
saber
pro
fundo
e
conhecimentos
vastíssimos
por
for
ma, que
foi
tão
cabida
a
nomeação e
con
firmação
d
’este
ex.
m°
prelado
para
esta
archidiocese,
tão
vasta
e tão
populosa,
que
eu
não
sei
quem,
mais
que
elle,
fosse
competente
para
reger este
arcebispado.
Successor
da
cadeira
dos
Pedro
de
Ra
tes,
Martinhos,
Geraldos,
dos
D.
Fr.
Bar-
tholomeus
dos
Martyres
e
D. Fr.
Caeta
nos
Brandão,
possue
o
actual
prelado
a
graça
e
o sorriso
para
todos, a
caridade
para todos;
a
lodos recebe
amavelmente,
a
todos
attende,
como
um
pae
extremoso
aos
seus
queridos
filhos,
a todos
aconse
lha
com
ternura;
e quando reprehende,
fal-o
de
tal
maneira,
que
captiva,
que
encanta,
que
attrahe
os
proprios
que
são
reprehendidos.
Parabéns
á
archidiocese
de
Braga.
Que
a
sua
disciplina
será
reformada,
que a
sua
policia ecclesiaslica
melhorada, os
seus
costumes dulciticados,
e
que
a
salvação
das
almas
será
o
alvo
a
que
mirarão
to
das as
virtudes
do
ex."10
prelado,
lodos
seus
conhecimentos,
toda
a
sua
longa
ex-
periencia,
nol-o
está
a
dizer
a
cada
mo
mento
a
fama
de
eguaes
feitos
na
ín
dia.
Parabéns.
A
historia
se
encarregará
mais
tarde
de
tecer elogios,
fazendo justiça
a
este
nobre
prelado;
que não
eu,
pobre
e
obscu
ro
admirador
das
altas qualidades
de
s.
a
ex.
a
rev.ma
Sobeja-me
a
vontade,
mas o
animo
des-
fallece
ante
tão
grave
empreza;
no entre
tanto
outros
mais fortes
e
mais
eruditos
traçarão
a
vasta
e
amplíssima
arêna
dos
feitos
do
actual
prelado bracarense.»
Accrescenta
o
snr.
Martins
de
Carva
lho,
redactor
do
«Conimbricense»:
Associamo-nos
á
justíssima
apreciação
que
o
auctor
d’
esta
publicação
faz do
actual
arcebispo
de
Braga,
o ex.
m
°
snr.
D.
João
Chrvsostomo
de
Amorim Pessoa.
Quer
nâ
índia, quer
em
Braga
tem
s.
ex.
a
dado
numerosos
documentos
do
acerto
que
houve
na
sua
nomeação
para
primaz
do
Oriente
e
primaz das
Hespa-
nbas.
O ex.
mo
snr.
D.
João
Chrysostomo de!
Amorim
Pessoa
de
certo
deixará
em
Bra
ga
um nome
honrissimo,
pelas
suas
vir
tudes
e
zelo inexcedivel na
administração
d
’
aquella
vasta
arcidiocese.
Fucneral
di»
flaado AreebiBj»»» de
l>.
jtosé.
—
Escrevem
de Evora
em
data
de
29:
Fez-se
hoje
com
toda a
pompa
o
enter
ramento
do
arcebispo
de
Braga,
D.
José
Joaquim
de
Azevedo
e
Moura,
o
qual
ha
tnezes
residia n
’
esta
cidade
em
casa
de
sua irmã
a
snr
a
D.
Anna
Fausta
de
Mou
ra
Amaral.
Depois
das
ceremonias
religio
sas
e
do
estylo
feitas
na
Sé
cathedral,
a
que
assistiram
todas
as
auctoridades
ec-
clesiaslicas,
militares
e
civis,
algumas
pessoas
notáveis
e
grande
concurso
de
povo,
saiu
o
cortejo
na
fórma
seguinte:
—na
frente
todas as irmandades
e
meni
nos
do
còro formando
alas,
os
alumnos
da
casa
pia precedidos da
sua
respectiva
banda,
uma
philarmonica,
governador do
arcebispado,
conegos,
e
após
o
esquife
mortuário
descoberto.
Fechavam
o
cortejo
todas
as
auctoridades
e
grande
numero
de
convidados,
que receiando
esquecer
ou
de
mencionar
algum,
os
não
especificamos,
e
toda
a
força
da guarnição.
O
snr.
ar
cebispo
ia revestido
de
todas
as
insígnias.
O
corpo
do
finado ficou
depositado no
ja
zigo
da
familia.
No
cemiterio
foram dadas
as
descargas
pelo
destacamento do
bata
lhão de caçadores n.°
8.
Desde que
o
corpo
saiu
da
Sé
até
entrar
no
cemiterio
não
cessou
de
chover.
Até
este
momento
não
appareceu
ainda
testamento,
sendo
portanto
universal
herdçira
a
sua
unica
ir
mã.
Calculam-se
em
209
contos
de réis
os
bens deixados.
Efí«it«»B
da temporal.
—
-A chuva
torrencial
que
principiou
na
semana
pas
sada
prolongou-se
até
á
madrugada d
’hon-
tem.
A
ventania
era
de
noite
e
ao ama
nhecer
tão
impetuosa
e
forte,
que,
es
pecialmente
nos
sitios
arborisados,
pare
cia o
estampido
de
pesadas
descargas
electricas,
arrastando
tudo
na
sua
cor-
rentesa.
Além
dos
desastres
que
já
menciona
mos,
lemos
a
lamentar
infinitos
outros,
entre
os
quaes
os
seguintes:
Na
rua
de
Santa
Margarida
esboroou-
se
uma
casa
que
alli
andava
em
construc-
çãe.
Na
rua
do
Conselheiro
Avelino
desa
bou
uma
grande porção do
muro
que a
divide
da
propriedade
do
snr.
Cunha Reis.
Na
rua de
D.
Pedro
V
desabou
uma
casa,
ainda
construída
d'ha
pouco.
As
chaminés,
vidraças
e
clarabóias
que
foram
pelos
ares
são
innumeras.
Na freguezia
de
Adaufe
appareceram
afogados
dois
homens,
e
na
de
S.
Pedro
d
’Escudeiros
uma
mulher
e
um
homem
(mãe
e
filho).
Quasi
tòdos
os
moinhos
que
havia
no
rio
Cávado
ficaram
totalmente damnifica-
dos,
sendo
muitos
d
’
elles
arrastados
na
corrente.
Tanto
neste
rio
como
no
Dés-
te,,
que
corre
ao
sul
da
cidade,
a
super
fície
ia coalhada
de
troncos
d
’
arvores,
taboas,
moveis,
porcos,
etc.
Os
estragos
que
a
innundação
lem
feito
nas
freguezias
ruracs
próximas
desta
ci
dade são
incalculáveis.
Hontem,
depois
do
meio dia
continuou
a chover
ininterrompidamente.
As
noticias
que
temos das
outras
ter
ras
do
reino
não
são
menos
desoladoras.
—
As
margens
do
rio
Ancora
apresentara
um
espectaculo
triste
e
desolador.
No
dia
27
de
novembro
de
1865
hou
ve
também
alli
uma
terrível
cheia,
ainda
assim
não
produziu tão
grandes
prejuízos.
As
freguezias
de
Lanhelos,
Covas
e
Villar
de Mouros
soffreram
muito;
a
cheia
der
rocou
moinhos,
levou pontes
e
arrasou
muros.
Em
algumas
localidades
o
gado
foi salvo
com
muita
difliculdade.
Em
Ariosa,
concelho
de
Vianna,
caiu
pela
segunda
vez neste
anno
a ponte
de
ura
só
arco,
que
se
está
construindo
na
via
ferrea..
No
passal
do
parocho
da fre
guezia
de
Soutello,
os prejuízos
orçam
por
1:000$000
reis.
—
Por
10
horas
da
manhã
de
sexta-
feira
e
quasi
em
frente
da
capella
da
rua
do Heroísmo,
no
Porto,
desabou
parte
da
parede
de
uma casa
que
alli anda
em
conslrucção, caindo
em
cima
do
telhado
de
uma
outra
de
dois
andares,
que
se
achava
quasi
concluída.
—
De
Barcellos
sabe-se
que
as
chuvas
damnificaram
muito
as
estradas,
impedin
do
a
passagem
dos
carros
e
diligencias.
—
De
Villa
Nova
de Famalicão
consta
que
abateu
a
ponte
de
Villar,
na
estrada
de
Guimarães,
pelo
que
não
pôde
vir
para
Famalicão
o
carro
com
as
malas,
tendo
de retroceder
para
Guimarães,
Consta
que
na
villa
houve
algumas
desgraças
pessoaes,
em
consequência
de
uma inundação na praça
da
Motta, inva
dindo
as
aguas
a
egreja
matriz
e
direc-
ção
do
correio.
—
Em
Villa
do
Conde
o
rio
Ave
che
gou
á altura
de
meio
melro junto
ás
casas
do
Campo da
Feira.
—
Na
Povoa do Varzira
foi
grande
a
consternação
durante
a
noite, principal
mente
na
rua
e praça do
Almada, por
ter
a
agua invadido
quasi
todas
as
casas,
causando
avultados
prejuízos.
Na
rua
do
Pellourinho lambem
a
agua
invadiu
varias
casas,
sendo
a
que mais
soílieu
a
do
snr.
José
do
Valle, com
es
tabelecimento
de
mercearia
e
fazendas,
que
teve
um prejuízo
aproximado
a
reis
1:0000
>00.
—
As
linhas
do
telegrafo
lem
soffrid»
bastante,
tendo
os
expedidores
de
tele-
grammas
para
a
capital
de
se
segeilarem
á
demora
de
4
a
5
horas.
—
Na
manhã
de
sabbado
tendo
um
gurrda
da
alfandega,
embarcado
no
rio
Douro,
em
um
cahique
com
destino
a
La-
vadorés,
ao
chegar
ao
ancoradouro de
Santo
Antonio
de
Valle
Piedade,
e
pro
ximo
da
amarração
do
patacho
«Bom
Je
sus
de
Fão»,
virou-se
o cahique em con
sequência
de ter balido
nas
amarras,
do
que
resultou afogar-se
o
mencionado
guar
da
que
se
chamava
Maneei
da
Assumpção,
salvando-se
os
remadores,
que
poderam
com
difliculdade agarrar-se
á
amarração
do
patacho.
O
cahique
foi
ao
fundo.
iTIoniianento
«Iw
—
A
commissão
promotora
do
monumento
da
Immaculada
Conceição
no
monte
Sameiro,
convida
por
este
modo
a
todas
as
pessoas
que
queiram
concorrer
com
seus
donati
vos
para
a
projectada
procissão,
que
de
verá
realisar-se,
quando
chegue
de
Roma
a
Imagem
da
SS.
Virgem,
benzida
e
in-
dulgenciada
por
S.
S.
Pio
IX,
a
entre
gai os
ao
thesoureiro,
o
snr.
Antonio
José
Vieira
Machado,
na
Praça
Municipal.
Outrosim
pede
áquellas
pessoas
que
tenham
de
prestar
alguns
anginhos
para
a mesma
procissão,
tenham
a
bondade de
dirigir-se previamente
ao
snr.
Joaquim
José
Vieira
da
Rocha,
na
livraria
Catho
lica,
rua
do
Souto,
ou
ao
snr.
Manoel
Ignacio
da Silva
Braga,
Praça
d’
Alegria.
Padre
João
Dias
Corrêa.
A
’
caridade
putbliea.
—
Na
rua
de
D.
Pedro
V
n.°
61, existe uma familia
honesta
e
envergonhada,
passando
muita
necessidade, achando-se um
filho
por
no
me
Clemente,
unico
que ganhava
os meios
para
a
subsistência
de
lodos,
lutando
com
uma
grave enfermidade.
Roga-se
ás
almas
bemfazejas
que
os
soccorram
pelo
Amor
de
Deus
Appel» á caridade pstfeliea.
—
Lembramos
ás
alffirís
caridosas,
Joanna
Teixeira,
viuva,
de
86
annos
de
edade,
moradora
na
rua
de
Iníias
n.°
85,
a
qual
se
acha
entrevada
ha
14
annos,
e sem
meios
de
subsistência.
MM»
José
Joaquim
de
Sousa
Velloso,
ne
gociante
de
ferragens,
d
’esta
cidade,
par
ticipa aos seus
amigos
e
ao
publico
em
geral,
que
de
hoje em
diante
se
assignará
:
José
Vélloso
de
Sousa
Guimarães.
Braga
l.°de
Dezembro
de
1876.
(4465)
ENXER WS
DE
LARANGEIRA
Da
melhor
qualidade
dos
arrabaldes
de
Coimbra,
recebem-se
ençommen
tas
na
rua
de
D.
Pedro
n
0
32,
2.°
andar,
Porto,
on
de
se
dão
os
esclarecimentos
precisos.
(4466)
li 1)4^ ÍÍV'I:
Mm!
Para
interesse
dos
snrs. Anlonio
José
Gonçalves
Andeixa
e
Sá e
Eulrazia
d’
As
sumpção,
deseja-lhes
fallar Bernardo José
Vieira
da
Cruz,
rua
do
Souto
n.
“
16,
fres
ta
cidade.
rrt<p
rr,.>.SK.\
,v
No
dia 6
de
dezembro
p.
f.
ás
tres ho-
Tas
da
tarde,
na
casa
do
snr.
Adelino
José
Vieira
da
Silva,
em
frente
á
Mise
ricórdia,
constando
de
dois
bahús
de
fo
lha
cojn
roupa
d
’uso, papeis,
livros e
qua
dros,
pertencentes ao
snr.
Bento
Querido,
que
deixou
ficar
em casa
do
annuncian-
te
de
quem
era
caixeiro,
quando pediu
para
ir
a
Braga
buscar
146$288
reis
que
con
fessou
ter-lhe roubado, sendo
o
seu
liquido
producto
para
offerecer ao
Asilo
de
Men
dicidade
d
’
essa
cidade,
mas
que levarei
em
desconto
a
quantia
roubada,
se
antes
do
dia
do
leilão
a
não
vier
resgatar.
Porto
26
de
novembro
de
1876.
(4457;
J.
J.
Ferreira
da
Cruz.
director
geral
J. L.
Carreira
de
Mello
director
gerente
J.
Baplisla
Ferreira
ARREMATAÇÃO
JUDICIAL
No
dia
10
do
corrente
mez de
dezem
bro,
pelas
10
horas
da
manhã,
á
porta
do
Hospital
de
S. Marcos,
d
’
esia
cidade de
Braga,
se
tem
de arrematar
e
entregar
pe
lo
maior
lanço
que
oíferecerem,
quando
no
acto
convenha aos
interessados,
o resto
dos
inoveis
que
ainda faltam
por
arrema
tar,
e consistem
em
vários
quadros,
pai
néis,
arca
de
ferro
e
livraria,
pertencente
ao
espolio
do
fallecido
revd.
0
Antonio
Joa
quim
Nunes
d'Abreu,
abbade
que foi
da
fre
guezia
de
Moine,
e
constam
do
inventa
rio
a
que
se
procedeu
por
fallecimento
do
mestco,
pendente
no cartorio
do
es
crivão
Esmeriz.
Como
um
dos
testamenteiros
Bernardo
da
Cunha
Pinlo Barbosa.
<4467)
(305)
Este
collegio
continúa
com
uma
Direcção zelosa,
instruída,
e
vigilante,
não
se
poupando,
a
qualquer
melhoramento que
a
educação
e
instrucção reclamem.
Profes
sores
de
linguas
naturaes
com
internato
no
estabelecimento,
professor
de
commer
cio,
habil,
guarda livros
de grande
pratica
na
escripturação
em qualquer das
linguas,
Porltigueza.
Franceza
e
Ingleza
Todos
os
mais
professores
e
pessoal
escolhidos
com
esmero.
A regencia
dos
estados
a
cargo
do
professor
AHemão
Hugo
Cramer.
Gabinetes
de physica
e
chimica
e
museu
de
historia
natural;
as
aulas
de
geo-
graphia,
mathematica
e
desenho,
devidamenle montadas,
gymnastica;
finalmente to
dos
os
estabelecimentos
parciaes
auxiliares
do
ensino
que
devem
fazer
parte
integrante
de
um
estabelecimento
d
’
esta
ordem.
Recebem-se alumnos
para
todos
os
preparatórios
de
estudos
superiores,
e
estu
do
de
commercio
e
linguas.
No
escriptorio
do
collegio
se
dão os
estatutos, e
todos
os
mais
esclarecimen
tos
precisos.
Os
nossos
foram
todos approvados.
O
Director
proprietário
(32
*
)
Joaquim
Lopes
Carreira
de
Mello.
O
Século XIX em face da con
sciência
e da. Egreja.
(Conferencias
pelo Padre Itoux)
Versão
de
D. Miguel
Sollo-Mayor
Vende-se
na
livraria
de
Manoel
Malhei-
ro,
rua
do
Almada, 123,
Porto.
Preço.......................
500
reis.
DE
HHÍS-
,
PORTO.
N
’
esle
estabelecimento
satisfaz-se
com pontualidade
todas
e
quaesquer
encom-
mendas
que
sejam
feitas,
de bilhetes
ou fracções
para
quaesquer
loterias,
vindo
acompanhadas
do
respectivo
importe
em
valles
ou
estampilhas
do
correio.
Remelte-se
no fim
das extracções
as
respectivas
listas
dos
prémios;
e
fornece-se
fazenda
para
revender
nas
províncias,
proporcionando-se
vantajosas
commissões.
Além
dos bilhetes inteiros,
meios,
quartos,
oitavos
e
décimos,
ha
um variadís
simo
sortido
de
vigésimos,
quadragésimos,
cautelas
de
1$200,
600,
500,
390,
250,
130,
100
e 40 réis;
e
bem
assim
:
dezenas
de cautelas de
400,
1$000,
3$000.
6$000
e
12-3000;
e
collecções
especiaes
de 5o
numeros
difierentes,
de
2$000, 5$000,
15$000
e
303000
rs.
Aceeiincaa-fíe
já
esicosíisaaeíssíaK
jsraH-ss a ®Sras8s
”e IioSes-ãs»
«jne
na
fós-ma dos
hiaís
aasasasi deve exta-asr-se ra® proximo futuro mez
«Se
Dezenabr»
e
eapital
«tosi prémios cjtie s»e «Jãgtrsbuem é de
dois
mil
cento
e
dois
e
«jwaír® cesssos ssasS a-éis !!!
(4277)
‘
J
r-
■
F
Farmaoia
de HOGrG, 2, rue de Castiglione,
Paris {Unico proprietário').
Dí
e
^HIGADOSJRESCOS
BAGALAO
ds
Prescrjpto
por
todos os médicos e empregado com o mayor succeso
contra
:
as eufermiíSades do
peíS», aífeiçôes escrofn-
losas, tosses elironieas, rheuniatismo.s,
magreza
crSanças,
das impigemes, <^rr
ílwxos
Esraueos,«le5»ilídadegeral,
ete.,eíc.
Agradavel e
facil de tomar.—Desconfiar das falsificações.
‘
Exigir-se-ha
a marca da Fabrica juntó que encobro
a
capsulo de
cada frasco de feitio triangular, e a firma
HOGG
e Cia,
que devera
achar-se sobre o rotulo.
Depositos
nas principaes Pharmacias e em lâsbea, nas casas de B
arreto
,
ma
d® I.oreto,
28 e 3Í). A
zevedo
e Filhos,
B
arral
e I
rmão
; em Porto,
nas®casas
de A
lbano
A
bílio
A
ndrade
,
S
ouza
F
erreira
e
I
rmão
,
J
osé
P
into
;
em
Coâsiiibra, Salvador F
erraz
.
.
.
XAROPE
de
BLAYN
Consultorio
a
toda a hora,
tanto
de
dia
como
de
noite.
Rua
do
Campo
(antiga
JPorta
de
S.
Francisco) n.° 22.
(4332)
de
um
gosto
agradasse!,
adaptados
cnrn
grande êxito
ha
mais
de
20 annos
pelos
melhores
médicos
de
Paris:
curâo
os
deflussos,
gripe,
tosse, dores
de
garganta,
catarrho
pulmonar, irritações
do
peito,
vias
urinarias
e
da
bexiga.
Paris,
BLAYN,
Pharmacien
à
Parts,
7,
rue
du
Marché
Saint-Honoré.
Preços
540
«
_ca
840
reis.
Pasta
2go
reis,
£oi Lisboa
;
Barreto,
e
em
todas
Pharuiacias.
etc.
Deposito no Por-
° |
NOVO
HORÁRIO
Antonio
Garcia,
de
Villa
Verde,
leva
ao
conhecimento
do publico
que
0
carro
que
d
’
esta
cidade
sae
para
0
Pico
ás
3
horas
da
tarde,
principia
a sair
no
dia
4
do
corrente ás
2
da tarde,
chega
ao
Pico
ás
4, sae
do
Pico
para
Braga
ás
7
da
manhã,
chega
a
Braga ás 9.
O
carro
que ás
terças-feiras
saía
ás
2
horas
da
tarde
fica
saindo
ás
3.
Braga
1
de dezembro
de
1876.
(4463)
Anlonio
Garcia.
IXaSecadarios
Seraplsicos, pas-n
Vendem-se
em
Braga
na
casa
do
illm.
e
snr.
Manuel
José
Vieira
da
Rocha,
na
rua
do
Souto. Preço
240
rs.
No
Porto
na
rua
das Flores,
á
Esqui
na
do
Souto,
na
casa
do
snr.
José
Carlos
das
Neves.
(4461)
Muita
altenção
fileposito «Se biscoutos de Valongo
no
eatabelecimesi to de Cerqtaei-
ru
«’íía
Silva, (BostaçaSves (casa re-
doncla).
LARGO
DA
LAPA
N.°
1
Preços
Biscouto valonguense
kilo
280
Ditos
Macarrão
D
280
Dito
Brazileiro
D
300
Dito Imperial
330
Bolacha
doce
J>
280
Bolachinha
d’araruta
»
340
Tosta
azeda
»
190
Dita
doce
(4450)
D
280
Para
os
engenheiros,
pharmaceulicos,
médicos,
dentistas,
professores
e
outras,
pessoas
que desejarem obter
0 diploma
de
doutor
ou de
bacharel
de
uma
universida
de
estrangeira.
Dirigir
carta
registada
a
Medicus,
13,
praça
do
Rei,
Jersey. (In
glaterra.)
(31
vt
)
ciRURGile
oektista
APPROVADO
PELA
ESCOLA
MEDICO-CIRURGI-
CA
DO
PORTO
Largo
do
Barão
de
S.
Marlinho
n.°
5
BRAGA.
Faz
tudo
quanto
diz
respeito
á
sua
arte e
continúa
operando
grátis,
pobres
e
soldados.
(
36-H-)
ATTEXÇÃO
Trocam-se
por
Promissórias
do
Banco
do
Minho ou Commercial
duas
moradas
de
casas n’
esta
cidade.
No
escriptorio
da
administração
d
’
este
ornai
se
diz
quem.
(4445)
Substitutos
militares
4
Braga. Rua
do
Campo
n.°
15.
Ha sempre
homens
promptos
para
sen
tar
praça.
Preços commodos. (4440)
DWECÇiO
HYGIENICA
BAIíSAMIC® S>KÍ)a
*
MI
’r
ATIC»
Esta
injecção
é
a
unica
e
efficaz
que
cura
em
seis
ou
oito
dias
toda
a
qualida
de
de
purgações tanto antigas
como
mo
dernas, ainda
as
mais
rebeldes.
Vende-se
em
Braga
na
pharmacia
Alvim,
á
Porta
Nova.
Em
Coimbra,
pharmacia Barata
Di-
niz,
rua
de
S.
Barlholomeu.
Deposito
principal
no Porto
na
phar
macia
Madureira,
rua
do Triunfo n
0
142,
proximo
ao
Palacio
de Crystal.
Preço
de cada
írasco—
400
rs.
(4449)
ILíSWKi
Lecciona-se
0
curso
da
lingua
france
za
na
rua
do
Anjo
n.°
11,
desde as 6 ho
ras
da
tarde até
ás
7,
pela
quantia
de
800
reis
mensaes,
pagos adiantados.
(4412)
Parte de Comércio do Minho (O)
