Nascida na paróquia de São João, do concelho de Lajes do Pico (Ilha do Pico), faz a sua formação superior no continente. Professora Catedrática aposentada da Universidade do Minho, Maria Norberta Amorim está ligada à criação do Repositório Genealógico Nacional e à Casa de Sarmento.
- Percurso académico/profissional:
Seguindo a sua área de interesse do estudo dos indicadores demográficos populacionais no Antigo Regime através dos registos paroquiais, Maria Norberta Amorim elaborou a sua tese de licenciatura “Rebordãos e a sua população nos séculos XVII e XVIII (estudo demográfico)”. Aqui deu início à criação de uma metodologia adequada aos registos paroquiais portugueses, a Metodologia de Reconstituição de Paróquias.
Entrou na docência universitária em 1984 na Universidade do Minho. Em 1983, criou na mesma universidade um grupo de investigação, o NEPS (Núcleo de Estudos de População e Sociedade), hoje incluído no grupo Mercados, Pessoas e Políticas do CITCEM, da Faculdade de Letras do Porto, que vem adequando a metodologia à evolução das ciências da informação e alargando geograficamente as áreas de trabalho. Concluiu o seu doutoramento em 1985, com a tese intitulada “Guimarães 1580-1819: estudo demográfico”. Em 1994 conseguiu o título académico de Professora com Agregação e em 1996 tornou-se Professora Catedrática na Universidade do Minho.
- Em que consiste o Método de Reconstituição de Paróquias e para que serve?
“Reconstituir paróquias significa primeiro organizar os dados dos registos de forma a acompanhar, em encadeamento genealógico, a história demográfica de cada residente, tenha ele nascido na paróquia, entrado nela pelo casamento ou simplesmente nela ter falecido. Por outras palavras, reconstituir paróquias é formar, em larga diacronia, uma “base de dados” com fichas biográficas de residentes em que se projecta marcar um início e um fim de observação, com as combinações possíveis entre nascimento ou imigração, por um lado, e falecimento ou emigração, por outro.” (M. N. Amorim, 1992, p. 14).
Trata-se de um método adequado à realidade portuguesa, na qual não se verifica uma tradição da transmissão do apelido paterno ou materno. Esta metodologia permite uma maior aproximação, não só, aos fenómenos da fecundidade e da nupcialidade, mas também, aos da mortalidade e da mobilidade, “(…) além disso, oferece-nos uma análise social segura, possibilitando-nos um cruzamento nominativo de fontes históricas de natureza diversa.” (Lobo & Miranda, 1995, p. 65).