comerciominho_02011922_7007.xml
- conteúdo
-
9
©
.
In
Fundador:
Dircctores
Memoriam
José Maria da
Costa
António
Dias
Freitas
João Marques de Azevedo
Albano Coelho
propriedade
de Albano Coelho, Filhos
Editor
- José Leitão de Azevedo
Ano
50.° N.°7007
Redacção
e Administração
JAvenida
Central
n° 2-4
Composição e Impressão
Tipografia
«Moderna»
Rua
da Sé,
42-48-Braga
_________ ________ _____ ___ _
®
*
Sogur)da-feira
2
JRMEIRO
1922
5Kais
um
ano
Comoveu-me
doloridamente
a morte de Albano Coelho. Du
rante
cerca
de quarenta anos,
foi ele o director do «Comér
cio
do
Minho», de
que eu fui
por muito tempo
um dos cola
boradores mais assíduos, em
bora dos mais desluzidos.
Eu
tinha uma grande afeição
a esse periódico, porque era o
único que minha-f-ataília assi
nava; e por isso foi o
primeiro
que eu comecei
i
lêr. Com
que
enternecida
saudade
evoco
os tempos em
que eu nesse
periódico
fiz o
meu
tirocínio
jornalístico!
Quantas sim-
plczas
eaté
par-
volezas
não es
crevi
eu nos
meus ensaios!
Pois
Albano
Coelho nunca
fez
a
menor ob
servação
nem às
tuinhas ideias,
nem
ao me u
modo
de
escre
ver.
Publicava
tudo
que eu lhe
mandasse
e
quá-
si sempre no lo-
gar de honra. Só
uma
vez, num
período de
\uiaze anos em
Qe
eu
escrevi
cêzenas de
ar
tigos, me obser
vou
não convir
a
publicação de
artigo meu,
nâ> por causa
daíoutrínajnas
poi
causa dos
temos em
que
est
v&
escrito.
(
«Comércio do Minho» teve
épcas de grande esplendor
e
nel;
colaboraram algumas das
peií.s mais
autorizadas do jor-
nalr
mo católico. E Albano Coe
lho que era um jornalista de
taleito, podia,
se quizesse, con-
serv.-Io
sempre
numa grande
alturv..
Hotve,
porém, quem tentas
se indignas manobras para fa
zer
desaparecer esse períodico
que, :em embargo dc
quacs-
quer iefeitos
que pôde ter, foi
sempie
sinceramente ortodoxo
e preitou relevantes serviços à
causa
-eligiosa. Albano Coelho
sentiu vivamente a injustiça e
ingratdão de que era alvo.
■ Uma
aarga desilusão lhe in
vadiu a alma.
Tornou-se
um
descreite,
não porque tivesse
perdid' a fé religiosa, mas por
que
pericu
a fé nos homens.
Desde mtão
conservou
o
pe
riódico
nais
por tradição, por
habito, sor
necessidade de re
clamo d:
sua empresa tipográ
fica, do pie
por ardor comba
tivo ou
ie
propaganda.
O «Ccnércio do Minho» co
meçou
a
descair. Era o
dire
ctor
qut o
compunha todo,
quando
wão
tinha algum
ori
ginal
de olabórador
amigo. No
meio dasmuitas tentativas
de
união
e qncentração católica,
que
se teem feito e que quási
todas
foran
duma esterilidade
espantosa, Albano Coelho, de
siludido e:-esabiádo, permane
cia indifei-nte;
nem
aquecia
.
nejiiarrefeia._____ ,_________
Completa
hoje
mais
um
ano
o
«Comércio
do
Illtiilw*.
Pena
é que
Albano
Coelho
já
não seja
do
número
dos
(
vivos,
para
ver
realizada
a
sua
aspiração:
—
a
de festejai
o
quinquagéssimo
aniversáno
do
jornal a
que
ele durante
tan
tos
anos dera
o
melhor
do
seu
esfôrço e
da
sua
dedica
ção,
mantendo
inabalavelmen
te
dentro
destas
colunas
aque
la
ortodoxia
católica
que
sem
pre
orgulhosamente
mantive
ra,
a
par
da
independência
jornalística
em
que
ele
sou
bera tão
belamente integi
ai
-se.
O «Comércio
do
JVUnho»
é
;
.m
jornal de
largas
e
glorio-
as
tradições.
Por
aqui
passa
ram
ixmss
as
mais
brilhan
tes
que
fizeram com
que
atra
vessasse
fases
de
verdadeiro
esplendor,
e
se
ora
se
encon
trava
um
tanto
abandonado
rio
era
porque
o
querido
morto
se
furtasse
a
sacrifí
cios,
que
muitos
fizera
ele pa
ra
o
poder
conservar.
iSe se
abrir
a
colecção
dês-
te
jornal,
nos Seus quarenta
e
nove
anos
de
existência,
ver-
se-ha
que jámais se
arredou
dos
princípios
iraoiçioíialísias
que
tão
ardorosamente
defen-
^dêra,
mantendo-se,
portanto,
iLirante
tão
longo período,
dentro da
sua
esfera
de
acçao,
mas
pugnando
com
lealdade
inquebrantável,
porque
jámais
esqueceram,
os
que aqui
se
mantiveram
num
posto de
combate,
o
respeito
que
a
si
próprios
deviam,traçando uma
linha
de
conducta
que
os
im-
pozesse
à
consideração
dos
seus
leitores.
O
«Comércio do
nitnfto»,
ao
entrar
em
novo ano,
devia
ao
seu
saúdoso
director
a
ho
menagem
que hoje
véem
pres
tar-lhe
alguns
dos
seus ami
gos,
afirmando-lhe
postuma
mente que
souberam apreciar
a
sua
fé
inabalável,
a
sua
mo
déstia
e
o
seu
desinterêsse,
para
que
não sossobrasse
a
obra
a
que
outros
tinham
lan
çado
os
alicerces,
mas
que
êle
soubera
manter
e
amparar
através
de todas
as
vicissi
tudes.
Neste
momento
em
que re
cordamos Albano
Coelho, jus
to
é
que
agradeçamos
aos
amigos do
«C
ifilérCÍO Mí-
nfiO» as
palavras
justiceiras
que
consagraram
ao
chorado
jornalista,
por
ocasião
do
seu
inesperado
passamento,
e
lhes
endereçemos
hoje as
nossas
mais
intimas
saiidações
que
traduzem
a
gratidão
sincera
dos
que
com Albano
Coelho
trabalharam
e
luctaram
desas-
sombradamente
na
defeza
dos
’
mais
lídimos e mais
nobres
ideais.
____
não
se afastava da ortodoxia.
O seu director era uma alma
recta e obediente
aos
ensina
mentos
da
Igreja.
Albano
Coelho teve
um mo
mento
de
grande notoriedade.
Foi
em
1887 quando a família
rial visitou Braga. Legitimista
como então era, apreciou a
fa
mília
rial
em termos
que os
festeiros
julgaram
injuriosos
não
só
para os altos visitantes,
mas
também
para uma boa parte
dos
bracarenses.
A audácia
saiu-lhe cara:
a
ALBANO COELHO
edição do periódico foi redu
zida a
cinzas e
o
director do
alto duma
janela da redacção
foi
coagido a retratar-se. O dr.
Patrocínio
da
Costa
que mor
reu
lente
da Escola Politécnica
de
Lisboa, no seu poema he
roico
Apocalypse
—
Romeu
c
Ju-
licta,
faz
referência ao caso, al
vejando
Albano Coelho com
epítetos
desprozativos.
Um dia deu-se
um equivoco
entre mim e
êle. Não vale a
pena
referi-lo.
Eu deixei
de es
crever
para
o periódico. Ape
sar
disso Albano Coelho por
mais duma vez me fez referên
cias lisongeiras;
e eu por meu
lado
nunca
deixei de lhe fa
zer
justiça e
de
o ter em
mui
ta consideração. Nosso Senhor
nx
sua grande
bondade o te
nha chamado ao gozo da pere
ne
felicidade, é
o que sincera
mente
lhe
desejo
e o que
de-
precarei nas minhas pobres
orações.
Afonso.
(
Inédito
)
Quando
Jesus, o santo Naeareno,
Pitou o casto e doce olhar sereno
No
Lasaro já morto
E
lhe deu vida, — a sua voa
maviosa,
Tal como a tua
cos, era harmoniosa
E
cheia de conforto.
Talões se tu, que tens poder de fada,
Quando
eu
morrer, a minha inerte ossada
Chamares
com fervor,
Vejas tremer a fria cova escura
E
ressurgir dc
lá minha estatura
Por
milagre de amor.
31
minha
ôaudadc
Veio
colher-nos de
surpresa
a notícia do passamento do
nosso
antigo Director.
Há
bons 30 anos
que no Jor
nal
de
Albano
Coelho eu me
habituei a lançar ao lume pú
blico
uns
rabiscos ligeiros
da
minha
pena tôsca
e rebelde.
Quem conheceu,
ano após
ano, a vida de
honra e de tra
balho
do querido Director nos
so ; quem lhe apreciou os dotes
de
jornalista
prudente
e
de
nodado; quem
mediu naquela
franzina criatu
ra os
predica
dos
escondidos
do
mais
formo
so
espírito;
quem
tudo isto
ponderou
e re
conheceu, pode
afoitamente di
zer
que na Im
prensa
de
Bra
ga se deu uma
perda irrepará
vel.
E deu.
Aque
le
homem
tinha
ainda as virtu
des cívicas
e
morais
de
um
passado
que fa
zia homens.
O
presente,
nem
sei o
que faz.
Aquele ho
mem foi um
exemplo de
lu
tador
que
de
certo
não
deixa
quem
o
rivalize.
Aquele
ho
mem
deixa
um
nome que
é uma
honra provada
e uma glória re
conhecida.
na
Eterna Paz
o
Descanse
jornalista emérito cuja morte
nos
contrista
fundamente.
Aqui
lhe fica o singelo
ramo
de
goivos
da minha
pungente
saudade.
Duas
palavras
Quando, pela vez primeira,
se
defrontaram
as nossas almas,
então alegremente
povoadas
de
ilusões
c sonhos,— ilusões
que
só
a mocidade ruidosa
mente
doira
c alegra e sonhos
que
só o sangue rubro
entu-
siásticamentc agita
e aquece,
—
entre mim
e
o
pobre Morto
houve
a emergência duma au
rora
afectuosa
e pura que, ape
nas
num intervalo
fugitivo, sc
prolongou até o momento an
gustioso
e supremo cm que fo
mos
levar-lhe o último adeus,
além,
na
amplidão fúnebre,
por
entre
os círios
crepitantes, o
verde-escuro dos ciprestes
e a ■
merencória
alvura
dos sepul
cros.
No
decorrer dêsse tempo
houve o embate das nossas pe
nas, cruzando-se numa
polémi
ca
em
que o meu desditoso
. Albano, sempre
nobre, sempre
alevantado
e sempre
digno,
habilmente
esgrimiu em legiti
ma
defeza
da
sua fé
e da sua
crença,
que
julgou
melindradas
e
feridas.
Em matéria
religiosa Aib^é
....«Cí—
......
,-r-........
intransigente,
um fanático, lu
tando
com a
veemência e com
o
ardor
dum grande apóstolo
ao
serviço
duma grande causa.
Depois,
aquele
arcabouço de
trabalhador
e de combatente
principiou
a
ser
minado
e roído
pelo
verme da fadiga
e do de
salento, da
mágua e do desen
gano, da
consternação e da
tristeza,
tendo o seu epílogo
inesperado e fatal
por entre as
lágrimas
sentidas
de
muitas
dedicações, algumas das quais,
hoje, vão depôr na algidez da
sua campa o luctuoso
tributo
da sua homenagem
e da sua
saudade:
—
.hoje, melo século
volvido
sobre o aparecimento
do Comércio do
Minho, onde O
desventurado Albano
deixou,
com
a sua actividade, toda a
energia, todo o carinho,
todo o
amor do seu belo e radioso cs»
pírito.
António
Ribeiro,
I!
IHERÍÓaiflPI
Eu
devo
à memória de Al
bano Coelho o testemunho so
lene
da minha saudade.
A seu lado
trabalhei
duran
te largo tempo,
com ele cola
borei no «Comércio do
Minho»,
tendo
momentos de alegre
e
amavel
convivência,
que não
esquecerei jámais.
Vivendo
ultimamente
isola
do, isolamento que
não tradu
zia
egoísmo, mas
talvez des
crença
nos homens, nunca
o
seu
espírito deixou
de possuir
uma
certa bonhomia, animando
por vezes
a conversa que- en-’
tabolavamos
e tornando-a su
mamente agradável.
Metido naquele reduto do
jornal, ele sósinho,
últimamen-
te,
o essrevia, dizendo-me que
sustentava e mantinha «O Co
mércio do Minho», não porque
dali lhe adviesse o menor
lucro,
mas
porque não queria ver
morrer uma obra
a que outros,
em
época assás
distante, ti
nham
dado
vulto.
E
sustentou aquele capricho,
chamemos-lhe assim, até mor
rer,
pezaroso
de não ter quem
o
auxiliasse em fazer viver de
novo
essa época
de intenso
brilho, que
«O Comércio
do
Minho»
atravessára.
A
doença, a
neurastenia que
o
dominava
c o acabrunhava,
fazia-o às
vezes desanimar;
mas
logo recuperava a energia
abatida
e prosseguia na sua
tarefa, cheio de fé, animado
pelos seus sentimentos
religio
sos
que ele defendia
sempre
e
abertamente
manifestava.
Poderia
ter sido
alguém nes
te meio acanhado'e
estreito,
se
houvesse
subordinado a
sua
pena
a mesquinhos
interêsses;
mas
ele preferiu cônservar-se
independente
de
tudo e de to
dos, mantendo-se no seu posto
inabalavelmente
e luctando
com denodo
e desassombro na
defeza
dos princípios que con
victamente
professava.
Eu
tive ensejo de observar
que Albano Coelho
conhecia,
melhor do que
ninguém, os
homens
do
seu tempo.
Muitas vezes conversávamos
e
nessa
conversa rcflectía-se o
seu espírito inteligente
e ar
guto,
conversa que ele
animava
sempre
com
um dito alegre,
que
provocava o riso.
... ■
Albmm
O
COMÉRCIO DO MINHO
morte
surpreendeu-nos doloro
samente.
Deixo-lhe nestas linhas o tri
buto
da minha
saudade, pedin
do
a Deus que conceda o re
pouso eterno
à sua alma.
E
Deus
há de ouvir
a
minha
prece,
porque
Albano Coelho
foi
o
jornalista
que depinferes-
sadamênfe
combateu
o
bom com
bate.
justiça,
os
vossos
legítimos
direitos.
Vicente
Braga.
0
Comércio É
Minho
'
Um
grupo
de
amigos
e co
legas
do
saudoso
director
des
te
jornal
lembrou-se
de
orga
nizar
uma
Emprêsa a
swa
gafeltaaç&a
áBssa, pon
do
em
prática uma
velha as
piração
de
Albano
Coelho.
Já
vários
cavalheiros
subs
creveram
para
essa
Eímprêsa
áa
Gôsaésafa
da
cu
jo
capital
será
de
00.000$00
em
acções
de
20$00.
Se
o
empreendimento
fôr
por
diante, a
cidade
de
Bra
ga
terá
um
jornal
diário
como
merece,
jornal inteiramente
moderno,
de aspecto comple
tamente
novo.
Escusado
será dizer
que
o
Cfamêsaio
da
JOafoo
não
te
rá
feição
política,
mas
tão
só
mente defenderá
os
interesses
locais,
sem
contudo
deixar
de
manter
nas
suas
colunas
aquela
intransigência,
sob
o
ponto
de
vista
religioso,
que
durante
o
longo
período
de
quarenta
e
nove
anos
foi
o
seu
mais
legítimo
orgulho.
Aos
que
se
propõem traba
lhar
no
Gomésoto
do
não
os
move
outro
interêsse
que
não
seja
o
de
serem
uteis
;i
sua
terra,
pugnando
ardoro-
samente
pelo
seu
progresso
material
e
moral.
Se
por
ventura
a
sua
aspi
ração
não
fôr
por
diante,
res-
tar-lhes-há
a
satisfação
de
que
procuraram
dar
à
cidade
de
Braga
todo
o
seu
esforço,
num
campo
onde
tanta
ener
gia
se
dispende
e
onde
essa
energia
é
tão
ingratamente
re
compensada.
E
restar-lhes-há
também
agradecer
com
o
mais
vivo
reconhecimento
a
todos
os
cavalheiros
que
subscreve
ram,
pedindo
vénia
para
des
tacar
o
nome dum
velho
e
dedicado
amigo
do
Cfanaès*
cio
<£o
Miahe,
o
Ex™
Snr.
Júlio
Antonio
de
Amorim
Li
ma,
estimado
e
benquisto
ca
pitalista
bracarense,
que
da
melhor
vontade subscrevera
para a
organisação
da
Em»
préaa.
O Ex.
m
* Sr.
Dr.
Albano
Ribeiro Coelho,
disthicto
advogado
lisbonense
e
filho
do
saudoso
director
do
Co-
aséscia
d®
Míiho,
merece-
lhes
também
o
testemunho
da
mais
viva
simpatia
e
do
me
lhor
agradecimento,
por
ha
ver
removido
todas
as
dificul
dades
que da
sua
parte
po-
dessem
opôr-se
à
publicação
do
novo diário.
A
subscrição
das
acções
encontra-se
aberta
na
Gasa
Osc&tdea,
ao
largo
do
Barão
de
S.
Martinho.
O
«Coxaewto
íq
lOa&a»,
diário
regionalista
indepen
dente,
não
esperará
pela su
bscrição
total
do
seu
capital
para
surgir à
luz
da
publici-
/dade.
'
Bracarçnses
:
O
«Game»"
cia
d©
saberá
defen-
♦
O sr.
Artur Bivar, quando
leu nos
jornais
a
notícia de que
o «Comércio do
Minho» se pro
punha
passar a diário, .
ficou
completamente
desnorteado
e
veiu para as colunas
do seu
«Diário
do
Minho» escrever o
que lhe apeteceu.
Julgou-se,
com certeza,
com
o
exclusivo dos diários regio-
nalistas cá no Minho, de con
trário não viria,
mais uma
vez,
dar
provas do seu desiquilí-
brio
mental.
Mas
não contente com as lo
cais que escreveu, pretenden
do
depreciar
os
que faziam
parte
da
imprensa
local, veiu
depois, no meio dum grande
aranzel de elogio à sua gran
diosa
obra jornalística,
vaidoso
como
sempre, atirar-se
a nós,
só
porque imaginou
que o «Co
mércio do Minho» podesse em
panar
o brilho
da sua incom
parável pena.
Não respondemos
ao sr. Ar
tur
Bivar, porque não temos
por
costume responder a dis
parates
e mesmo porque o bom
senso
nos aconselhára a não
fornecermos ensejo
a S. Ex.*
encher
à nossa custa aquelas
insípidas páginas do seu «Diá
rio do Minho».
Enganou-se, porém, o sr. Ar
tur Bivar supondo
que nós pre
tendíamos depreciar
a sua
obra
jornalística.
Ela
aí está bem
patente a demonstrar que tem
sido redondamente nula.
O sr. Artur
Bivar ainda não
escreveu no w «Diário do Mi
nho» coisa de geito, qualquer
coisa
com
que podesse afir
mar as suas qualidades jorna
lísticas.
~
Apenas
tem feito uma
obra
de truques,de
expedientes, com
que poderá enganar o público
ingénuo, mas
de que
se riem
aqueles
que conhecem de
so
bejo
esses
truques e êsses ex
pedientes.
.
E
’
certo que a obra jornalís
tica do sr. Artur
Bivar assim
claramcnte
se
destaca da obra,
modesta
mas honesta, dos jor
nalistas
locais que
S. Ex.* pre
tendeu
agredir.
Se
a
obra desses jornalistas
locais se não podesse impôr
por outro motivo, bastaria a
sinceridade
e o espírito barris-
ta
que ã mesma sempre presi
dira, não
tendo portanto o sr.
Artur Bivar
o
direito de
vir
petulante mente depreci.a-la.
E'
claro
que êsses nossos co
legas
nunca
desceriam
até on
de
o
sr.
Artur Bivar já descê-
ra, para poderem subir às cul
minâncias
jornalísticas em
que
S.
Ex.* presentemente se en
contra.
Eles
são dignos
e honestos,
incapazes,
por isso mesmo, de
se
prestarem a situações du
vidosas,
no
campo onde exer
cem a sua
actividade.
E
pelo
que diz respeito
a nós,
pode S.
Ex.*
ter
a certeza de
que
o
«Comércio do Mrnho» só
sairá
diáriamente no dia em
que puder caminhar com aque
la independência de scçãc, que
foi o
seu ma:s
legítimo
orgulho
durante
quarenta
e nove anos.
O
que escrevemos de ne
nhum
modo cpnstitue uma res-
-posta
ao
aranzel do sr. Artur
Bivar,
porque desde que o le
mos, fizemos o propósito de
não lhe
darmos resposta.
Para lhe respondermos, se
ria preciso
que o pudéssemos
tomar
a
sério c não conhecêsse
mos
bem
a sua incomensurá
vel
vaidade.
Pode
lá escrever
no seu
•Diário
do Jvlinho» à
vontade;
pode continuar com os seus
truques e expedientes, que nós
limitar-nos-hemos
a rir, a rir
^'
ae aPareÇa
a por
His-
S.
Ex? já tão
anunciada
tória do Alinho
Gráfico».
Bem
diz
o
sr. Padre
Luiz
Caídas nos
"Ecos de Guima
rães»:
«Fale, sr.
Bivar, fale;
que
nestes
tempos de
tristeza,'
com alguma coisa nos havc-
nçVQe
rir».
'^S^sr.
Artur Bivar faz-nos
da
Hlbano
Coelho
Conhecl-o pela
primeira vez há
um
quarto
de século.
Figurou-se-me
um
homem
ca
minhando para uma vida apáti
ca, vivendo
para viver, dando-se
a
uma energia sem vida,
sòpelo
único
sentido de
ter dois filhos
que
estremecia.
Albano Coelho, que sabia lidar
com invulgar galhardia a pena
jornalística, perdeu-se mais de
pois
do
falecimento da Esposa
que
adorava
em extremo.
Dali para cá, vivendo única
mente para seus filhos, que os
soube
educar bem, apenas lia,
raras
vezes
escrevia, porque de
siludido
dos homens e das
suas
apreciações discordava em abso
luto de
todo o
mal que assober
bava
este
nosso
País.
Quantas vezes êsse
honrado
homem
de bem, pronto
sempre a
defender
os
desgraçados famin
tos,
se me referia com
mágua de
certos
dcsconchavos
políticos dis
cutindo-os
mais com amargura
do
que
paixão
por aquele crédo
que
defendeu
em
1887
nunca
se
mostrando
resentido pelo aban
dono
ou
abstracionismo a que
o votaram.
No entanto
o ^Comércio do
Minho* singrava na arena
publicidade,
mais pelo amor
que
Albano
Coelho
lhe votava, fazen
do-o
publicar mais por tradição
do
que
pelo favor público que
lhe
dispensavam, tanto mais
que
era
este periódico além de
decano dos jornais bragueses o
que
mais completo se
apresenta
va numa
variada reportagem.
Se
Albano Coelho tivesse tido
aquela ajuda
que ele em tempos
idos
tanto ambicionou,
seria ho
je o « Comércio
do Minho* o
diá
rio local,
porque Albano Coelho
sabia como devia sêr publicado
um
bom informador nesta
região
Minhota; mas a
sua desilusão...
tornou-o sético, tornou-o estéril, e
tão estéril
e tão sético
como de
siludido que a sua morte é o pro
tótipo
do viver
dos seus últi
mos anos.
Era Albano Coelho além dum
jornalista inteligente
e
hábil,
um
poeta apreciável, cavaqueador
agradavel,
de argumentos
conci
sos
que o tornavam estimado on
de quer que se
encontrasse, pelo
muito que sabia, dando o
calôr
próprio
à discussão.
Sentindo
pois
o desaparecimen
to de
tão ilustre jornalista aqui
apresento à sua Família o prei
to
das
minhas
homenagens de
saudade
pelo
extinto.
P.
V.
O
ilustre director
do
«Cor
reio
da
Manhã», sr.
dr. Aní
bal
Soares,
a
propósito du
mas
insinuações
que
lhe
foram
feitas
pelo
correspondente
da
Epoca
nesta
cidade,
escreveu
o
seguinte:
Diz
o
correspondente da
Epo-
ca em Braga ter causado al;
«geral
indignação não só entre
católicos
mas
também entre t
maioria
dos monárquicos» urm
local em que, segundo o mes
mo correspondente, nós apoi-
tavamos
o
sr. Arcebispo
Primiz
e o presidente do Centro Ca
tólico
como •> mancomunados °
com o «grupo dos 13» para as
tropelias
praticadas nas últimas
eleições. '
O
correspondente da Epca
está
a
sonhar
para
não dher-
mos
que faz outra coisa.
_Reputamos,
e com boasra-
zões, o
sr. Lino
Neto capa: de
se mancomunar -com
qualjuer
casta
de
republicanos,
emui-
to
mais contra
os monàrqúcos,
para fins eleitorais. Ma
de
facto não avançámos q:e o
presidente
do Centro Caólico
se tivesse realmente «mtnco-
munado»
em
Braga c*m
o
«grupo dos 13».
Muito ncnps
dissemos ou poderiam<s
ter
dito tal
coisa a respeitodo sr.
Arcebispo
Prinjaz.
O
que
dissémos,
sin, de
harmonia
com
informações
que
não
fóram desméntid.s — e
que o não são pelo facto
de terem sido agredidos
alguns católicos —
é pie as
hordas do < grupo d)s 13»,
que
praticaram
na
eleção de
Braga
numerosas
violneias
e
atentados,
apoderand>-se de
algumas assembleias,déram
a
maioria aos democr,ticos,
e
para roubarem aos nonàrqui-
cos
até
a minoria, nãopodendo
materialmente
atribi -la aos
outros
candidatos
repmlicanos,
a
asseguraram ao
sr. Lno
Neto.
Frisámos que, em t is condi
ções,
o
presidente io Centro
vem à Camara, em
utima
ana
lise, por
deligencia,magnani
midade,
ou
como
sequeira di
zer, do
«grngo dos 3»;
quan
do
é certo que
se a|represen-
Quando
há
um
ano o
Co
mércio
do
Jvfinljo
celebrava
o
seu
49.’
aniversário,
coisa
al
guma fazia prever
que
a
pe
na
hábil
do
jornalista
que
foi
Albano
Coelho,
jazeria já
ho
je
inerte
e
que a
pedra
fria
dum
túmulo
abrigaria
para
sempre
o
corpo
inanimado
do
seu
chorado
e
querido Di
rector
1
O Destino,
nos
seus
inson
dáveis
disignios,
assim
o
de
terminou,
porém.
Inesperada
e
quási
repen
tinamente
foi
Albano
Coelho
roubado
à
Direcção
dêste
jor
nal,
que
durante
largos
anos
exerceu
e
ao
qual
dedi
cou toda a
sua
actividade,
inteligência
e
até
a
própria
vi
da,
pois
por
êle,
e
para
que
não
se
extinguisse
nas
suas
mãos
apesar
das dificuldades
de
toda
a
ordem
com
que
luctava, muito se
‘
sacrificou.
Conhecedores
do
muito
amor
que
Albano Coelho
de
dicava
ao
seu
jornal, fizemos
logo
o
propósito,
quando
o
inesperado
da
sua
morte
nos
veio
tão
dolorosamente
sur
preender
e
ferir,
de
publicar
um
número de homenagem à
pois
o
fúturo
do
Corqércio
do
jvíinhc
nas
mãos
dêsse
Desti
no
que
tão
cêdo
lhe arreba-
tára
o
seu
Director.
Pareceu-nos
ser
mais
pró
prio
ao
nosso
desígnio
o
dia
de
hoje
em
que o
Comércio
do
Jvfinho
comemora
o
seu
50.°
aniversário.
Completando
assim
49.°
anos
de
existência
o
Comércio
do
jvfiqho, longe de vestir
as
suas
roupas
de
gala
para
ce
lebrar
o
seu
aniversário,
vem,
ao
contrário,
envergar
os
seus
trages
do
mais
rigoroso
luto
para
chorar
o
seu
querido
Director
e
depôr na
sua
últi
ma
jazida
um
braçado de
saudades.
Assim,
além
de
cumprirmos
um
dever
de
fiiho,
acalenta
mos
a
esperança
que
o
Co
mércio
do jvfinho, pelo
qual
mantemos
também
um
verda
deiro
culto,
pois
foi
nele
que
quási
aprendemos
a
soletrar
e
onde
ensaiámos
os
nossos
primeiros
vôos
literários,
inau
gurará
urna
nova
época,
per
petuando
a
memória
do
seu
chorado
Director.
E
bem
singela
a
nossa
ho
menagem
;
mas
estamos
cer
tos
que
na
Mansão
Eterna,
onde o Director
do
Comércio
do
//finho
descança
em
paz,
compreenderá
e abençoará o
nosso
gesto,
o
E
isso
nos
basta.
Albano
Ribeiro Coelho.
proposto
pelos monárquicos e que
recusou,
nem todas
as
tropélias
carbonárias poderiam ter im
pedido o sr. Lino Neto de ser
eleito,
como tanto ambiciona
va,
mas
então
com inteira de
cência.
Ainda
acentuámos,
emfim, o
facto escandaloso —
e que não
póde ser contestado — de no
dia
seguinte ao
das eleições o
Diário
do Minho, orgão do Cen
tro em Braga, ter guardado o
mais assombroso silêncio sôhpe
as
brútais violências perpreta-
das durante
a eleição de que
saiu deputado o sr. Lino Ne
to—
limitando-se a dizer, em
referência
genérica aos
actos
eleitorais
em todo o país, que
élas
haviam decorrido... * co
mo
de costume, bem animádos
e
e por vezes, aqui e ali, agita
dos* ...
A
esse propósito notámos —
porque era de
notar
—
que es
se
jornal, que
assumiu uma tão
extraordinária atitude em face
dosgráves
acontecimentos
ocor
ridos,
recebe
inspirações direc-
tas
do sr. Arcebispo-Primaz':—
e
só a tal respeito nos referi
mos a s.
ex.* rev.m‘.
Podíamos
ter acrescentado
que o mesmo jornal católico,
confécionado
sob tão altas ins
pirações, tem recebido pecúnia
do
chéfe, democrático
local
Ferreira
Capa
e de outros re
publicanos ... decerto, para
maior
serviço
e glória da Re
ligião.
Êle
próprio acusado do facto
pelo
sr. Padre
Luiz Caídas,
director dos Ecos de Guima
rães,
se
viu
obrigado a confes-%.
sá-lo num dos seus últimos nú-/*
tieros
—
explicando.
.. que as-
lim como
num carro clectrico
podem viajar monárquicos
e
republicanos
(sic)
também êle
póde chupar ao mesmo tempo
najèta
monárquica
e na demo
crática,
e
com tudo isso fazer
uma gazeta...
católica.
Ora
o que
aqui se escreveu
pode
realmente
ter causado,
«indignação» nos
católicos
des
te jaês, cuja fé se vai
alentar
aos
cofres
dos marechais demo
cráticos. Mas não indignou
decerto aqueles católicos que,
assignando
a gasèta em ques
tão, a forçaram pela sua atitu
de
a esboçar nos números úl
timos
— e só então
— alguns
protestos
contra
as tropélias X
cometidas na eleição .de Bra/
ga
-pelos carbonários. *
isto,
pelo
que diz respeito
ao
correspondente da Época.
Mas como o director do
jor
nal
católico-cárro-elçctricó
se
dirige, pela sua parte, pessoal
mente ao sr.
Aníbal Soares,
também temos que lhe
dizer
alguma coisa.
O
nosso
chorado Albano
Coelho
é
que
conhecia
bem
-
estes
comediantes,
acolhidos
sempre agradavelmente
por
esta
terra
que
sempre primou
em
sei
boa
madrasta,
..
^radccimcnto
jFIlbcno iijhciro-
Gç>é!ho
Crispin^^oores @on|cs
juígaqdo
ferem agradecido a
to
das
as pessoas
que os acompa
nharam
na sua dôr por ocasião
do
falecimento
de
^eu querido c
saudoso
pai
e £ogro
— Albano
Coelho
— , vem por
este meio fa
ze-lo àquelas
pessoas a
quem,
por
esquecimento ou ignorância
de
direcção,
o não hajam feito, e
bem
assim a
todas as pessoap
que
os honraram com a sua pre
sença
nas missa^ que, sufragan
do
a sua alma, mandaram rezar.
Iguaímente
agradecem á Im
prensa todas
as referências e
ho
menagens prestadas
à
memória
do seu chorado pai
e sogro, ma
nifestando-lhe
por esta forma q
seu
profundo reconhecimento,
P
r,3Ê-L3
Janeiro de D22,
Parte de Comércio do Minho (O)
