comerciominho_22061878_802.xml
- conteúdo
-
FOÍ.HA
COMMEHCÍAId,
®2
3WOTICIOSA.
EDITOR
E
PROPRIETÁRIO
JOSÉ
MARIA
DIAS
DA
COSTA,
RUA
NOVA
N.
3
E.
6.° ANNO
PREÇO
DA
ASSIGNATURA
Braga,
12
mezes..............................
^850
Correspondências
partic.
cada
linha
Ânnuncios
cada
linha
.....................
Repetição....................................
1
BB4C-A — SABBADO
*
»
»E
JUIÍMO »E
189»
plalogo — O
toureiro e o litterato. '
Toureiro.
Sabe
que
mais,
meu
dr.?
Vou
'
pedir
votos
para
ser
depuiado
nas
próximas
;
eleições.
Lelterato.
Então
senle-se
com
forças
e
habilitações
para
isso?
Tour.
Ora essa! Não
me tem visto gal
gar
as
trincheiras
de
um
pullo
quando
qualquer
toiro
me aperta?
Nem
tem
visto
pregar-lhe
um
par de garrochas
com
uma
volta
de
pé
sem mudar
de
lugar?
Que
maior prova
de
força,
e
de habilitações
quer?
,
,
Lit.
Ora
essa!
Então
um
deputado
vae
picar
touros,
e
o
parlamento
é
a
praça?!
E
quem
são
os
touros!
Tour.
Vossenhoria
não
aprendeu
rhelo-
rica?
Não
sabe as
figuras?! Não
entende
o
sentido
figurado?
Pois
que
são
os
deputa
dos,
senão
toureiros?!
Que é o
povo,
senão
os
louros,
em
que
elles
mettem
as
gaj-
rochas?!
E
o
parlamento
o
que
é,
senão
a
praça,
em
que
os toureiros
trabalham
mostrando
cada
qual
as
suas
habilidades
naturaes,
e
arlislicas?!
Lil.
Não
entendo
as
analogias
tauro-
machicas:
explique-se
melhor, homem!
Tour. Não me parece
isso
proprio
de
nm
homem
de lettras:
mas
já
que
assim
é,
oiça:
No
dia
da
abertura
apresentam-se
to
dos
de
fardalbão
á
espera
do
homem das |
cortezias:
logo
que
elle
chega cumprimen
ta-os
abaixando a
cabeça; depois
recita-
lhes
o
programma da
corrida,
e
retira-se
saindo
pela porta
por
onde
entrou.
E
os
deputados
escolhem
d
’
entre
si
o
neto,
que
ha
de regular
as
corridas
de
con
formidade
com o
programma
entregue
pelo
homem
das
cortezias. Este programma
contém
a
marcha,
e
as
formas
do pro
gresso
progressivo,
a
necessidade
de
novos
empréstimos,
e
de augmenlo
de
tributos
para
pôr
a
receita a
par
da despeza,
e
pagar
os
calotes
existentes
por
culpa
dos
qne metleram
as
unhas
nos
cofres
do
Estado.
E
vae
d
’ahi
os
nossos
amigos
depu-l
lados
pegam
das capas,
e
empunham
as
garrochas,
dividem
o
povo em
cúrias, pas-
sam-n
’
as
de
capa,
e
n
’estas
passagens
le
va
cada
curia
as
garrochas,
que
lhe
des-
nam! Percebe
agora?!
Diga-me,
se
esta
não é,
methafisica-
mente
fallando,
a
mesma
methafisica
dos
loureiros;
e
se
os
toureiros
não
são
os
mais
aptos
para
deputados
cá
n
’
este
nos
so
paiz?!
Lit
Sim,
senhor:
Vmc.
e
é
imaginoso!
as
figuras
não
são mal imaginadas;
mas do
pintado
ao
vivo
vae muita diflerença.
As
garrochas
dos
trihulos
são
uma
necessi
dade
moral,
e
física: moral,
porque
as
leis
landam
que
se
pague
a
quem se
deve;
fiiica,
porque
quem trabalha
ha de
co-
nar.
Tour.
D
’
accordo
uma
vez
que
se
tingi
.
A
primeira
obrigação
de
lodo
o
verno é
promover
os meios
da
conserva
ção,
t prosperidade
geral.
O
rei
por
ser
rei,
nãj
tem
mais
direito
ao
pão de
cada
dia,
do
que
tem o mais
infimo
dos
ho
mens,
que
elle
governa,
e
nós
os
tourei-
•
ros
nunch
mettemos
em
qualquer louro
mais
garrochas
do
que
as
que cada
um
póde
levan
Esta
é
a
regra
geral,
que
os
nossos
deputados
nem tem
visto,
nem
'rêem;
e
(Festa
cegueira
tem
resultado
Que
uns
certos,
á
laia
de
zangões,
mu-
mem
o
mel dos cortiços,
emquanto
as
abelhas
por
falta de alimento
morrem
de
traça!
Não
vê
vossenhoria
esses
bar-
Diga-me,
se
loureiros;
PUBLICA-SE
ÀS
TERÇAS. QUINTAS
E
SÃBBADOS.
rigudos-barriganas,
que
ainda
hontem
esti
cados,
e
lazarentos,
viviam
do
fanico,
e
que
hoje
trazem
a pelle
a
arrebentar?
E
não
sabe
porque
chegaram
a este esta
do?
Foi
por
terem
aprendido
a
tourei
ros
por
mera
curiosidade,
e
faltando-lhes
a
theoria
bateram
com
os
touros
em
terra
á
força
de garrochas,
e
distribuíram
entre
si
a
carne...
Ainda
não entende?!
Lit.
Sim,
entendo:
mas o
snr.
é
um
pouco
visionário,
e
exagerado.
O
boi
po
vo,
ou
n
povo touro
tem
forças
de
so
bejo
para dar cabo
de
todos
os
tourei-
reiros
presentes,
pretéritos,
e
futuros;
e
n
’
este
caso
tome o
meu
conselho
—
não
se
metia
em
fôfas.
Tour.
Pois
é
por
isso
mesmo: o
caso
todo
depende
de
saber
passal-o
da
capa,
e
passar-lhe
o
pé
fazendo-o
marrar
em
falso
até
cair
de
costas!
Logo
estou
firme
no
meu
proposito:
vou
pedir
votos,
e
conto
conseguil-os.
Lit.
E
quaes
são
os seus
projectos,
se
o
conseguir?
Tour.
Pois
nem
pelo
que
tenho
dito
os
adivinha?
Os
meus
projectos
são
sim
plicíssimos
—
passar-lhes o
pé,
e
passal-os
,
á
capa
até
dar
com
elles
em
terra.
Lit.
Quaes
elles?
Tour.
Quaes?...
Elles
todos...
homem
das
cortezias,
neto,
toureiros,
capinhas,
curiosos,
homens
de
forcado...
até
que
a
praça
fique vazia.
Nova
gente:
novo
di
vertimento...
novas
modas.
Isso que ahi
está
já
fede,
porque
está
podre.
E adeus,
até
mais
vêr.
I Snr.
redactor—Esta
historia
foi-me con
tada
ha poucos
dias
pelo
meu barbeiro,
e
passou-se
lá
na
loja
d
’
elle.
Não
deixa
de
ter
seu
sal.
Se
quizer
transcrevel-a
no
seu
jornal
para
dar
gosto
a algum
assi-
gnante,
aqui
lh
’a
offereço.
José
de
Freitas
Amorim
Barbosa,
o
meu
conselho
—
não
se
por
isso
mesmo: o
caso
capinhas,
dis
-
go-
PREÇO
DA
ASSIGNATURA
2&000
1&050
3^600
Províncias,
12
mezes
.....................
b
6
»
.....................
b
sendo
duas
assignaturas
Brazil, 12
mezes,
moeda
forte.
.
3&600
Folha avulso
................................
-0
I. Diploma
de
approvação
do
ensino
normal
completo
e altestado
de
haver
ser
vido
cinco
annos
com
distincção
n
’uma
escola
publica;
II.
Diploma
de
exame
de
habilitação
para
o ensino
complementar
e
altestado
1
de
haver
servido
com
distincção
cinco
annos
n
’
uma
escola
publica.
§
2.°
Os
aitestados
de
que
tratam
os
numeros
I e
II
são
passados
pelas
camaras
municipaes
e
pelos
inspectores
das
circum-
scripções
onde
tenham
servido.
Art.
56.
Em cada
cabeça
de
concelho
as
camaras
municipaes
nomearão
uma
jun
ta
escolar
composta
de
tres
vogaes,
es
colhidos
de
entre
os
vereadores
ou outros
quaesquer
cidadãos.
Estas
juntas
serão
no
meadas
por annos, e teem
por
fim
auxi
liar as
camaras
municipaes
e
os
inspecto
res
nas
altribuições
a seu
cargo,
se
gando
os lermos
d
’
esla
lei
e
seus
regu
lamentos.
Art.
57.
Ha em
cada
parochia
ou
pa-
rochias
reunidas,
onde
exista
escola,
um
delegado
parochial
da junta
escolar,
e
por
ella
nomeado.
§
unico.
O
indivíduo
que
desempenhar
este
cargo
é
isento
do
pagamento
das
contribuições
directas
parochiaes
e
muni
cipaes,
e
do
aboletamento
em
tempo
de
paz,
durante
o
tempo
do
seu
serviço.
Art.
58.
O
governo
determinará
nos
regulamentos
as funcções
e
altribuições
dos
inspectores
e
dos
mais
empregados,
e
commissões,
e
fixará
as
despezas
corres
pondentes
ao
serviço
da
inspecção.
§
1.®
Na inspecção
examinar-se-ha
sem
pre:
I.
Os
melhodos
seguidos
pelos
professo
res
no ensino;
II.
O
aproveitamento
obtido
pelos
alum
nos;
III.
Se no
ensino se
cumprem
os
pro-
grammas
estabelecidos
e mandados se
guir.
§
2.°
Se
constar
que
em
alguma
es
cola
o professor
ensina
doutrinas
contra
irias
á
religião
do
estado,
á
moral e
bons
costumes, e
ás
leis
do
reino,
será
logo
suspenso,
seguindo-se
o
procedimento
que
deve
ter logar
nos
termos do artigo 40.°
CAPITULO
IX
10
CAPITULO
X
N.° 802
Da
dotação
do
ensino
primário
Art.
61. Os
vencimentos
dos
professores
ajudantes
de
ambos
os
sexos,
das
es
colas
de
instrucção
primaria
com
ensino
elementar
e
complementar,
são
encargo
obrigalorio
das
camaras
municipaes.
|
l.° Incumbe
ás
juntas
de parochia
dar
casa
para
escolas,
ministrar
habitação
aos
professores,
fornecer
mobilia
escolar,
organisar
a
bibliotbéca das escolas e auxi-
iar as
commissões promotoras
de
benefi-
cencia
e
ensino.
§
2.°
As
juntas
geraes
do
districto vo
tarão
nos seus
orçamentos
annuaes as
verbas
indispensáveis
para
os
encargos
que
hes
pertencem
pela
presente
lei.
§
3.°
Quando
cessar
para
o
estado
o
pagamento
dos
professores
de
instrucção
primaria,
o
governo
concorrerá
annual-
mente
com a
verba
de
200:000^000
reis,
que
será
incluída
no
orçamento
geral
do
estado
para
subsidiar
as juntas
de
paro
chia
na
construcção
dos
edifícios
escola
res.
Este
subsidio
nunca
excederá
a me
tade do custo
total
das despezas
de
con
strucção,
e
será distribuído
segundo
as
mais
condições
que forem
determinadas
nos
regulamentos.
e
(Continua)
GAZETILHA
Eei
nobre a instrucçíío primaria.
CAPITULO
VIII
Da
inspecção e
das
juntas
escolares
Art.
51.
O
reino
e
ilhas,
para
os ef-
feilos
da
inspecção,
é
dividido
em
doze
circumscripções
escolares, dez para
o
con
tinente
do
reino
e
duas para
as
ilhas
da
Madeira
e
Açores,
podendo
comp^elmn^er
conferencias
de
professores,
cada
circumscripçao
do
-
L„ac;
f
ii<Uc
npln
nrnfessor
mais
graduado
ctos
administrativos.
_
Art.
52.
Em
cada
circumscripçao
esco
lar ha um
inspector
nomeado
e retribuído
pelo
governo.
.........
,
,
,
8
unico.
O exercício
das funcções
de
inspector
é incompatível
com
o
de
qualquer
outro
emprego
publico.
Art.
53.
A
primeira
nomeaçao
para
o
logar
de
inspector
é
feita
por
tres
an-
|S
unico.
Os
inspectores
pódem
ser
transferidos
de umas
para
outras
circum-
scripçôes, como melhor
convenha
ao
ser
viço
publico,
não
devendo
nenhum
d
el
les
rezidir
mais
de tres
annos
na
mesma
circumscripção.
.
Art
54
Os
vencimentos
dos
inspecto-
res
são":
ordenado
toe
«ralitação.
r
1
0
O
ordenado
fixo
e
de
50U$0UU
reis
em
Lisboa,
Porto
e
Açores,
e
reis
400^000
nos
outros
districlos.
§
2°
A
gratiíicaçao
é
variavel,
mas
não
póde
exceder
dois
quintos
do
orde-
.
nado
fixo.
_
inaarpQ
Iciítidos,
e
todas
as
opiniões
por
ella
for-
do
tapoX?
íó
P«de
M
Safr
em iodírfdoosImoladas, O eonjuolojTesus aolas
eonsU-
o
cargo
de
inspector:
Das
conferencias
I
Art.
59.
Haverá
em
cada
concelho,
an-
I
presididas’
pelo
professor
mais
graduado
em
habilitações,
e
quando
todos
tiverem
igualdade
de
habilitações,
pelo
mais
an
tigo.
S
f.° As
professoras
de
instrucção
pri
maria
pódem
tomar
parte n
estas
confe
rencias,
e,
não
comparecendo,
devem
man-
dar o
relatorio
e
programma
da sua
es
cola,
com relação
aos
pontos
sobre
os
quaes
é
ouvida
a
conferencia,
nos
lermos
d
’
este
artigo.
§
2
0
Os
professores
que
comparecerem
ás
conferencias
recebem,
nos
dias
da
ses
são
a
que
assistirem,
uma
gratificação
fi
xada-pela
camara
municipal.
§
3.°
As
conferencias
dos
professores
não
devem
durar
mais
de
oito
dias.
§
4.°
O
objecto
da
conferencia
será
o
aperfeiçoamento
dos
melhodos
de
ensi
no,
os
meios
de
os
levar
a
efleito,
e
to
dos
os
assumptos que
especialmente
dis
serem
respeito
á
instrucção
primaria.
r
5,o
a
conferencia
consigna
nas
suas
lactas,
dia
adia,
todos
os assumptos dis-
lue
o relatorio da
conferencia.
Art.
60.
0
inspector
em
vista
de
tudo
fará
um relatorio
que
enviará
ao governo.
S. Luiz
f-oBxaga.—
Os alumnos dos
collegios
do
Espirito Santo,
e
S.
Luiz,
festejaram
hontem
S.
Luiz
Gonzaga,
pro-
tector
da mocidade estudiosa.
No primeiro
d’
estes
collegios queima
ram-se
ante-hontem
á
noite
numerosos
foguetes.
No
de S.
Luiz
houve
hontem
á
noite
academia.
Tridno.
—
Termina
ámanhã,
com
pro
cissão
de tarde, na
tórma
do costume,
o
triduo
da
festividade
do Santíssimo,
na
Sé.
Na
quinta-feira
prégou
o
snr.
desem
bargador
abbade de Maximinos,
que
hoje
torna
a
prégar,
hontem
o
snr.
padre
Luiz
Gomes da
Silva, e
ámanhã
prégará
o snr.
padre
Manoel
Ferreira
Marnoco
e Sousa.
S.
João.—
Na
egreja
de
S.
João
do
Souto,
festeja-se
na segunda-feira pom
posamente
o
Santo
Baptista,
havendo
missa
solemne
a
instrumental,
sermão
e pro
cissão de
tarde,
a
qual
percorrerá
o
giro
do
costume.
Comniuniendo.
—
Unica
e
exclusi
vamente
para teslimunhar
a
nossa
impar
cialidade,
e o
quanto
somos
exlranhos,
n
’
uma
questão
travada
entre
a
classe
ly-
pographica
e
o
snr.
Manoel Ribeiro
de
Carvalho
Júnior,
damos
hoje
publicidade,
no
logar
proprio,
a
um
commuuicado
d
’
este
snr.
Isto
será
sem
exemplo,
e
póde
o snr.
Carvalho
voltar
com
quantas re
plicas
e
quantas
teslimunhas quizer,
que
encontrará
para
todo
o
sempre
fechada
a
nossa porta.
Notaremos
que
a
provocação,
que
partiu
do
snr.
Carvalho, e
que
a
principio
era
feita a
toda
a
classe,
está
agora
reduzida
a
um
só 1!! Pois
a
este
respeito
diremos
que
nós,
depois
de
im
portunados
com
muitos
pedidos,
permit-
limos
que
o typographo
a
que
se
refere
i
o
snr.
Carvalho fosse,
se
lhe
approuvesse,
trabalhar
para
a
oíficina
do
snr.
Carvalho
emquanto não
começasse
a
composição
d
’
uma
obra
que
lhe
estava
destinada
ha
mezes,
e
á qual
deu
principio
no
dia
10.
Mas
isto
não
explica
nenhumas
ac-
cusações.
Quem
está ao
corrente
d
’esta
questão,
que
julgue.
E
o
snr. Carvalho
lá
se
ave
nha
como
podér.
Procísafto.
—
Saiu na
tarde
d
’anle-
hontem
a
imponente
procissão
do
Corpo
de
Deus.
Ia
na
frente
a
imagem
de
S. Jorge,
e
o
seu
estado,
seguindo-se
um
esquadrão
de
cavalleria,
as
irmandades
e
confrarias
por
ordem
da sua antiguidade,
communi-
dades
do
Seminário
Conciliar
de S.
Pedro
e
collegio
dos
orfãos
de
S.
Caetano,
pa-
rochos
das
parochias
da
cidade
e
aldeias
do
concelho, clero
e
irmandade
de
S.
Pedro
e
S.
Thomaz d’
Aquino.
Depois
do palio, debaixo
do
qual
s.
exc.a
revd.
ma
o
snr.
arcebispo
Primaz
condusia a
Custodia, iam
as
auctoridades
civis,
judiciarias,
camararias,
administra
tivas,
e
subalternos
de
todas,
e
o
regi
mento
d’
infanteria
8,
precedido
da
banda.
Sobre
a
origem
d
’
esta procissão
do
Corpo
de
Deus,
escreveu
o nosso
erudito
amigo,
dr.
Pereira
Caídas:
E’
debatida
entre
escriptores
a
origem
d
’
esta
procissão
annual;
foi
todavia
insti
tuída
solemnemente
pelo
Papa
Urbano
IV
conforme
a
opinião
geral.
Em o
nosso
paiz
começou
esta
festi
vidade
logo
depois
da
vida
do
alludido
Pontífice:
e
antes
que
D. João
V
a
re
gulasse,
não
assistiam
na
corte
a esta
procissão,
nem
as
irmandades
nem
as
con
frarias.
O
clero
ia
incorporado n’
ella
sem or
dem;
e
sem
ordem
caminhavam
as
cruzes
das
parochias,
levadas
erguidas pelos sa
cristães.
Ao exemplo
da
côrte,
assim
era
fei
ta
a
mesma
procissão,
nas
cidades
e
vil-
las
do
reino:
e
só
depois
da
epocha
as-
signada,
é que
as camaras
das
mesmas
cidades
e
villas
traclaram
de
redigir
os
Regulamentos
para
ella,
cada
um
con
forme
as
tradicções
e
os usos
da
locali
dade.
D
’
ahi
vem
o
figurado, e
as
costumei
ras
que
appareciam variameute
n
’esla
pro
cissão
pelo paiz
restando
ainda
a
sutnma
d
’
ellas.
sendo
uma
das
principaes
o
es
tado
de
S.
Jorge,
em
que
os
cavallos
flo
reiam
ricamente
ajaezados,
conforme
as
librés
dos
que
os
fornecem
para
o
giro
processional.
A
imagem
de
S.
Jorge,
invocada
co
mo
protectora
do
reino,
começob
a ter
este
culto
desde
os
conllictos eutre
Por
tugal
e
Gastella,
em
que
o prodígio
das
nossas
armas
contra
os
nossos visinhos
veio
mostrar
ao mundo,
o qne
nos
diz
Garcia
de
Rezende,
nestes
dois
versos da
sua
Miscellanea:
«Porluguezes,
Castelhanos,
«Não
os quer
Deus juntos
vêr.
Bombeiros
voluntários.—
El-Rei
D.
Fernando
aceitou
a
presidência
hono
rária
da
benemerita
associação
dos
bom
beiros
voluntários
d’
esla
cidade.
Seminário de S. Pedro.—
Os
or-
dinandos
pobres
que pretenderem
ser
ad-
mittidos
no
Seminário
de
S.
Pedro,
para
os
logares
vagos
de
collegiaes
gratuitos,
devem
requerer,
até
o
dia
20
d
’
agosto,
ao
exc.
niu
e
revd.
ffl0
snr.
arcebispo Pri
maz
instruindo
os
seus
requerimentos
com
os
documentos seguintes:
certidão
d’e-
dade;
altesiado
do parocho,
com
jura
mento
de
sua
vida
e costumes, de
ter
satisfeito
aos preceitos
da
Egreja,
e
de
vocação
para
o
estado ecclesiastico;
attes-
tado
de
pobreza; attestado
passado
por
facultativo
em como
foram
vaccinados ou
tiveram
bexigas,
que
são
sadios
e
não
padecem
moléstia
contagiosa;
fiança
ou
isenção do
recrutamento;
escriplura
de
palriíaçnio,
e
certidões
dos
exames que
tiverem
feito
para
provarem
o
seu
adian
tamento
nos
estudos,
pois
que,
em
igual
dade
de
circumstancias,
serão preferidos
os
de
mais
habilitações necessárias.
Os collegiaes
que
quizerem continuar
n’
aquelle
seminário devem
requerer
ao
mesmo
exc
mo
e
revd.
mo
snr.
até
o dia
20
de setembro.
Universo
Illustrado
—Recebemos
o
5.°
fascículo,
correspondente
ao
mez
de
maio,
do
semanario
dhnstrucção
e
recreio
o
Universo
lllustrado.
Eis
o
summario
do
que
contem:
Artigos.
—N.°
18.=-V)
caslello de
Hei-
delberg,
O
que dizem
os
moveis
em
a
noite
de Natal
(conclusão),
Noções
dupli
ca,
Múmias egypcias, O
elixir de
longa
vida.
Escolha
d
’
um
nome.
Galeria
de
ho
mens
celebres,
Mosaico.
—
2V.°
49=-Ermida
de
Garcia
de
Resende,
na
cerca
do Es
pinheiro
(Evora),
O ramo
de
camélias,
Os
jardins
do
mar
no
Oceano Indico,
Ga
leria
de
homens
celebres,
Pyramides
do
Egyplo,
Casamentos
de
conveniência,
O
elixir
de
longa
vida,
Laura
(poesia),
Es
colha
d
’
um nome, Mosaico.—ÍV.°
20=Ci-
dadella
da
praça
de
Peniche,
O
elixir
de
longa
vida (continuação). Galeria de
ho
mens
celebres,
Costumes
chinezes, Rodas,
Castello
de
Alnwick,
Nos
incêndios,
No
ções
d’optica,
Laura
(continuação).
—
N.°
2/=Egreja
de
Vassih
Blaggenoi,
em
Mos
cou,
Elixir
de
longa
vida
(continuação),
Os
esquimós,
Novo
canhão
de
collossaes
dimensões, A
folha
de
hera
(poesia).
Os
teriôs, Galeria
de
homens
celebres,
O
te-
léphono
e o
pbonographo.
Na
vaha
(poe
sia),
A minha
mãe
(poesia).
O
ramo
de
camélias
(continuação),
N
’um
album
(poe
sia),
Apontamentos diversos.
Gravuras.
—
N.°
/8=Castello
de
Hei-
delberg
(Allemanha)
—
Múmias
egypcias.
—
/V.°
J9=Ermida
de
Garcia
de
Resende
na
cerca
do
Espinheiro
(Evora)
—
Pyramides
do
Egyplo.—N.°
20=Cidadella
da
praça
de
Peniche
(Portugal)
—
Castello
de
Aln-
vvich,
(Inglaterra).
—
N.
a
27
==•
Egreja
de
Vassili
Blaggeoni,
em
Moscou
(Rússia)—
O
terió de
Gôa.
Terrível flagello que é o papel.
—
Terrível
flagello
do
mundo
foi
sempre
o
papel;
mas
hoje
mais
cruel
que
nunca.
A
origem
e
o nome
de
papel
foi
tomada
de
casca
das
arvores
que
em latim se
cha
mam
papyrus-,
porque aquellas
cascas fo
ram
o
primeiro papel
em
que
os
homens
escreviam
ao
principio.
Depois
deram
em
corlir
as pelles;
e
se
facilitou
mais
a
es-
criptura
com
o
uso
de
pergaminhos.
Ul-
limamente
se
inventou
a
praga
de
que
ho
je
usamos.
De
maneira
que se
o
facto
não
fosse
mais
para
chorar
que
para
gracejar,
dir-se-hia
que
foi
o
papel
desde
seus
prin
cípios matéria
d
’escrever
e
invenção
de
esfollar.
Com
o
primeiro
pape!
esfolla-
vam-se as arvores:
com
o
segundo
esfol-
lavam-se
os
animaes; com
o
de
hoje
es-
follam-se
os
homens. Oh
quanto
papel
se poderá
encadernar
com
as
pelles
que
o
mesmo
papel
tem despido
!
Mas
em ne
nhuma
parte
tanto
como em
Portugal,
por
que
em
nenhuma
se
gasta
tanto
papel,
ou
se
gasta
tanto
em
papeis.
(O
Chrysosto-
mo
porluguez).
The
Financial and
ftKereantile
Gazeite.
—
Recebemos
e
agradecemos
o
n.°
6
do
vol.
II
d’esta
revista,
que
se
publica
em
Lisboa.
O
prineipe Osear da Suécia.—-
Na
segunda-feira, 17,
chegou
a
Lisboa,
a
bordo
da
corveta-couraçada
sueca,
«Sa
ga»,
o
prineipe
Oscar
da
Suécia.
O
prineipe
tem
18
annos
d
’
edade,
e
vem
como
simples
guarda-marinha.
Tranafereneia.—
Foi
transferido
pa
ra
o
regimento
d
’
infanteria
8,
d
’
esla
cida
de,
o
snr.
major
Joaquim
Maria
Pedreira,
da
praça
de
Valença.
O
Oeeídente.
—
Está
publicado
o
n.°
12
d
’
este
periodico illuslrado,
correspon
dente
a
15
do actual.
Contém
as seguintes
gravuras,
todas
primorosas:
O
Rabaçal,
queda d’agoa
no
interior da
Ilha
da
Madeira:
—
Retrato de
Voltaire:—
O
judeu
vendilhão:—
O
caslello
de
Monforte:
—Barros,
guia da
expedição
ao interior
da
África.
Falíeeíinento.
—
Falleceu
no
Porto
o
snr.
José
da
Silva
Couto,
morador
á
rua
de
Germalde,
e natural
da
freguezia
de
Cervães,
do
concelho
de
Villa
Verde,
dei
xando
testamento
feito
com
data
de
14
de fevereiro ultimo,
no qual
declara
não
ter
ascendentes ou
descendentes
e
pede
para
o
seu
funeral
ser
feito
com
modéstia.
Quer
que por
sua
alma
se
digam
20
mis-
sas,
40
pelas
de
seus
pais,
10
pelas de
seus avós e
10
pela
de
seu irmão José,
todas
da
esmolla
de 360 réis cada
uma.
Deixa
400$000
réis
para
se fazer um mau
soléu
no
cemiterio
do
Repouzo,
ondedes-
cançarão
seus restos
mortaes
e
os
de
seu
irmão
Domingos.
Nomeia
testamenteiros
os
snrs.
Francisco
Alves
Peixoto
da Gama,
Viclorino
da
Silva Almeida
e Sousa
e
An
tonio
Fernandes
de
Sousa, deixando
ao
que
aceitar
a
testamentaria
200^000
réis.
A
seu
sobrinho Boaventura.
filho
de
seu
ir
mão
Francisco
1:500$
!
»00
réis;
a
seu
so
brinho
Domingos,
filho
do mesmo
seu
ir
mão,
l:20í)$000
réis;
a
seu
sobrinho
An
tonio,
filho
do
mesmo 100$000
réis;
a
seu
sobrinho
José,
filho
do mesmo
100^090
réis;
a
seu irmão Francisco,
1
conto
de
réis;
a
Manoel
Peres
12$000 réis,
a
seu
primo
Domingos,
d’
alcunha
O boticário,
50^000
réis;
aos
pobres
de
S
Salvador
de
Cervães,
concelho
de
Villa
Verde,
50$000
réis,
sendo
a
distribuição
feita
pelo
paro
cho,
a
quem
lega
9$000
réis,
para
diser
uma missa
por sua
alma;
a
Anna
Maria,
12$000 réis
se
estiver ao
seu
serviço
na
occasião
de sua
morte; a
João
filho de
seu
compadre
Viclorino
e
seu
afilhado,
um relogio
e
corrente d
’
ouro;
á
sua
afi
lhada
Maria,
filha
de
João
de
Sousa,
50$000
réis,
a
um
afilhado
João,
filho
de Anlo
nio
da
Rocha,
50$000 réis;
a
sua
cu
nhada
Maria
da
Costa, 2tW000
réis;
ao
padre
José
da
Silva Bacellar,
sobrinho, ura
relogio
e
corrente
d
’
ouro;
a
Antonio
Fer
nandes
Sousa,
300^000
réis;
a
Victormo
da Silva Almeida
e
Sousa,
300^000
réis;
ao
padre José Maria
da
Silva
Couto,
seu
primo,
100$000
réis;
a
sua
afilhada
Clara,
filha
de
Antonio
José
Gonçalves
Basto,
25$000
réis.
A
Formos» Unzitania.—
Recebe
mos
a
caderneta
1O.
a
da
Formosa
Luzi-
lania,
por
Calharina
Carlota
Lady
Jackson,
versão
do
inglez,
prefaciada
e
annotada
por
Camillo
Castello
Branco,
e
editada
pe
lo
snr.
Manoel
Malheiro,
proprietário da
Livraria
Portuense.
O
Douro
e
suas
margens,
vistas
da
ponte
mais
elevada
do
Porto,
e
Ponte
pen.
sil
entre o
Porto
e
Villa
Nova
de
são as
duas
magnificas
gravuras
que
acouu
panham esta
caderneta.
Já
temos
dicto
por
varias
vezes
quanto
é
brilhante,
intrínseca
e
extrinsecamente
este
livro
notável.
’
A
sua
publicação
é
feita
com
supre-
ma
regularidade.
Portuguezeg falleeidos.
—
Desde
29
a 30
de maio
fallecerain
no
Rio
de
Janeiro,
os
seguintes
súbditos
portu^ue-
zes:
Francisco
da Piedade Dias.
23 annos
solteiro;
Luiza
Alves
Silvana
32
a.
casa-
da,
Victorino
Cordeiro
do
Couto,
48
a
c;
Francisco
Borges
Pires,
37
a.
c;
Ma-"
noel
Coelho,
70
a.
s;
José Ferreira
Cou-
linho,
26
a.
s;
José Arthur
Farne
de
Amoedo, 54
a.
c;
Antonio
José
da Silva
Guimarães
40
a.
c;
José
Lucio Montei,
ro,
73
a.
c;
José Lourenço
Fraga,
34
a.
s;
José
Francisco
dos
Santos,
40
a.
c;
Ve-
nancio
Gomes
de
Azevedo,
47
a.
c.
O eongresuo.—
-O
congresso
de
Ber
lim,
que
se
abriu
no
dia
13
de
junho,
é
o
nono
que
ha
desde
o
principio do
sé
culo.
O
primeiro foi
o
de
Amieas
(1801-
1802). depois
o de
Esfurth
(1808),
o
de
Chaiillon
(1814),
o de
Vienna
(1814-1815,
o
de
Aix-la
Chapelle
(1818),
o
de
Trop-
pan
e
Laybach
(1820-1821),
o
de
Verotia
(1822),
o
de
Paris (1875).
—
Os
plenipotenciários que
tomam
parte
no
congresso
são
19, a saber:
3
pela
Allemanha,
3
pela
Grã-Bretanha,
3
pela
Rússia,
2
pela
França,
3
pela Auslro-
Hungria,
3
peia
Turquia e
2
pela
Italia.
O
estado
maior
do
congresso
compõe-
se
de
71
pessoas,
10
de França, 17
da
Grã-Bretanha,
7
da
Italia,
10
da
Austro-
Hungria,
9
da
Rússia,
8
da
Turquia
e
10
da
Allemanha.
Os
secretários
do
congresso
parece
que
serão
os
snrs.
de
Radowitz, Bucker
e
conde
Mouy, que
já
foi
secretario
da
conferes-
cia
de
Constantinopla.
Juntar-se-lhes-hão
provalmenle
o dr.
Buseh,
e
o filho
de
Bismark.
o
conde
Herberto.
O
congresso reune-se no
palacio
Rad-
zivill.
O
chão
da sala está
coberto
de
um
espesso
tapete.
As
cadeiras,
que
rodeiam
a
mesa
em
fórma
de
ferradura,
estão
for
radas
de
coiro
verde. O
tapete
que
cobre
a
mesa também
é
verde.
A
ordem
dos
logares
é
indicada
pela
ordem
das
leiras
do
alphabelo
franca
Assim
o
primeiro
lerá
de
ser
Andrassy
e
o
ultimo
Waddinglon
Os
redactores
do
prolocollo
sentam-se
nas
duas
extremi
dades
inferiores
da
mesa,
defronte
do
pre
sidente.
Ao
longo
dos
muros
da
sala
estão
cadei
ras
forradas
de vermelho.
Para
haver certeza
de
segredo
absolu
to,
os íypographos
encarregados
da im
pressão
dos
documenlos
relativos
ao
con
gresso,
foram ajuramentados.
Acabaram
as doenças.—
Sob
esta
epigraphe,
o
grande
luminar
do
século
IX,
o
«Jornal
do Commercio», diz
o
se
guinte:
«No paquete
«Orenoque»
entrado de
«Bordeux
veio á consignação
dos snrs.
«Mattos
Moreira
&
C.a
27 caixas
com agua
«de
Lourdes. E’
pois
de
crer que
com tal
«abundancia
de
um
remedio
que
é
efímit
«é
infallivel
acabem
completamente todas
«as
doenças,
e se
possa
prescindir dos
auxt-
«lios
da
medicina».
FOLHETIM
UMA
C1BT4 Á VTKílEM
TÍMiU.
Joãosito
contava
seis
annos.
Tinha
as
calças
rasgadas
em
ambos
os
joelhos;
os
cabellos
louros
e ondeados,
tão
espessos
e
abundantes,
que
se pode
ria
com
elles
fazer
dois
penteados
de
se
nhora;
uns
olhos
grandes, azues,
que
ten
tavam
ás vezes
sorrir,
com
qoanto tives
sem
já
chorado tanto:
uma
jaquétinha
muito
bem
feita, toda
esfarrapada;
uma
botina
de
mulher
no pé
direito,
um sa
pato
de
homem
no pé
esquerdo, ambos
muito
compridos, muitos
largos
e
muito
rotos,
adiante
com
as
biqueiras,
abertas,
atraz
sem
tacões.
N
aquelle
corpinho
havia frio
e
fome,
pois
desde
a
vespera
pela manhã
que
não
comia
e
era
uma
tarde
de
inverno,
quan
do
lhe veio
ao
pensamento escrever
uma
carta
á
Virgem
Maria.
Cumpre
agora
dizer-lhe
como
é
que o
Joãosito
escreveu
a
carta
não
sabendo ler
nem
escrever
Em
Pqris,
no
bairro
Gros
Caillou,
á
esquina
de
uma rua, perlo
da esplana
da dos Inválidos,
havia
uma barraca
de
escrivão
publico.
Nesta
especie
de
secretaria
é
costu
me fazer-se
toda
a
qualidade
de
supplicas,
memoriaes
e requerimentos,
quer
os
go
vernos se
componham
de
um rei,
de
um
imperador
ou
de
um
presidente.
N’
estas
repartições
não
ha
prejuízos
polí
ticos
.
O
redaclor
era
uma
velho
soldado de
mau
humor,
bom
homem,
não
tendo
nada
de beato
nem
de rico,
e
que
tinh^
tido
a
desgraça
de
não
ficar
bastante
estropia
do
para
ser
admitlido
no
Palacio
dos
In
válidos.
O
Joãosito
não
fez mais
do
que
is
to:
viu-o
atravéz
dos
vidros
empoeirados
da
barraca a
fumar
no
cachimbo
á
es
pera
dos
freguezes.
Entrou
e
disse:
—
Bons
dias,
venho
cá
para escrever
uma
carta.
—Custa
meio
franco,
respondeu o
tio
Buan.
E’
perciso
saber-se
que
este bravo, que
continha
em
si
a
centesima
millesima
par
te
da
gloria
de
um
marechal
de
França,
chamava-se
o
tio
Buan.
O
Joãosito,
como
não
tinha
bonet,
não
o
pôde
tirar,
mas
disse
com
.delicadeza:
—
Então
desculpe.
E
abriu
a
porta
para
se
ir embora,
mas
o
tio
Buan engraçou
com
elle
e
per-
guntou-lhe:
—
E’
s
filho
de militar,
rapazito?
—
Nada,
respondeu Joãosito, sou
filho
da
mamã,
que
ficou
só.
—
Está
bom,
proseguiu
o
escrivão,
is
to já eu
o
sabia
!
E
não
tens
meio
franco?
—
Nada,
não,
não
tenho
dinheiro
ne
nhum.
—
E
lua
mãe
lambem
não?
Está
claro:
queres
uma carta
para
ver
se
te
dão
alguma
cousa
para
comer não
é
assim,
peliz ?
—
E
’
tal e qual,
respondeu Joãosito,
exactamente.
—
Approxima-te
Por
escrever
dez
li
nhas
e por
causa
de uma
folha de pa
pel,
nem
por
isso
ficarei
mais
pobre.
Joãosito
obedeceu.
O
tio
Buan endireitou
o
papel,
mo
lhou
a
penna
no
tinteiro,
e
com
uma
bonita
letra
de
quartel-mestre,
escreveu:
«Paris,
17
de
janeiro
de
1857».
Depois
mais
abaixo,
n
’
outra
linha:
«Senhor»...
Como se
chama
elle,
Bibt
—
Quem
?
perguntou
Joãosito.
—Ora.
quem?
o
tal
sujeito.
—Qual
sujeito?
—
O
tal
a
quem
queres
pedir.
Joãosito
d
’
esta
vez comprehende^
e
respondeu:
—
Não
é
um
sujeito.
—
Bom
!... Então
é
uma
senhora
•
—
E
’...
nada,
não
é...
eu
lhe
digo--
—
Com
a
breca
1
Pois
tu
náa sa
*)es
sequer
a
quem
queres
escrever?
—Ah
!
sei
!
disse
a
criança.
—
Então
avia-te,
dize
lá.
O
Joãosito
eslava
muito
córado. E
ver
dade
que
não
é lá
muito
agradavel
dm-
gir-se
a
gente
a
um
escrivão
publico
pa
-
ra
uma
correspondência
destas.
Encheu-se
lodo
de
coragem
e
disse:
—E
’
á
Virgem
Santíssima
que
eu
que
-
ro
mandar
unia
carta.
O
tio
Buan
não
riu.,
Pôz
a
penn
e
podento®
infallivel
Acreditando,
como
acreditamos, na
effi-
cacía
da
agua da
gruta
de
Massabielle,
não
crer
que seja
remedio
efíicaz
e
para
sarar todas
as
enfermida-
Ha
doenças
que zombam
da
agua
de
Lourdes
e
só podem
ser
curadas
com
cáus
ticos
ambulantes.
—
Cegueira
cTespirilo;
—
anemia cerebral;
—
estupidez
voluntária;
—
impiedade
syslematica;
—hydrophobia
maçónica;
—
rabies
anti-clerical,
e
muitas
outras
doenças
cujo elenco
seria
fastidioso,
só
se
curam
com
collete
de
forças e
capacete
de
neve.
0
nosso
amiguinho
da
rua
de
Belver
está
n
’
este
caso:
recommendamol-o
ao
snr.
dr.
Craveiro,
primeiro
medico alienista
do
nosso
paiz.
—(«Esperança»).
Queatiio do
Oriente.—
Os
últimos
telegraromas relativos
á
questão
do
Oriente,
são
os que seguem:
Paris 18
—
Noticias
de
Scutari
dizem
que
houve
um
conílicto
sangrento nas
pro
ximidades
de
Krania,
entre
os
habitantes
e
os
montenegrinos.
Procede-se
a
um
inquérito
para
saber
quem
foram
os
aggressores.
Berlim
18
—0
congresso
começou
hon-
tem
a
discutir
na
generalidade
a
questão
da
Bulgaria
e
examinou
as
differenles
na
cionalidades
de
que
se
compõe
a
popu
lação
búlgara;
as
questões
políticas
e
par
ticulares
serão
encetadas
ámanbã.
Continuam
sendo
boas as
impressões,
pois
a
situação
permitte
a
esperança
da
solução
pacifica.
Paris
19—
As
questões
que
mais
preoc-
tupam
o
congresso
são
as
que
se
referem
aos judeus da
Roumania e a
do engran
decimento
territorial
da
Grécia.
Os
turcos
não
estão
dispostos
a
ceder
o
território
á
Grecia.
flovinientn do
Hospital de
S.
nareott.—
Doentes
existentes
em
9
de
junho:
74
homens e
94 mulheres.
Entraram
durante
a
semana
finda:
25
homens
e
15
mulheres.
Sahiram:
16 homens
e
20
mulheres.
Falleceram:
2
homens
e
2
mulheres.
Ficaram
em
tratamento
em
15
de
junho
BI
homens
e
92
mulheres.
Desmentido.—
Algumas
pessoas
mal
intencionadas
tem
dito
publicainente,
que
o
snr.
Manoel
José
da
Silva,
casado
em
primeiras
núpcias
com
Felicidade
de Frei
tas,
desta cidade,
se
casara segunda
vez,
tendo
viva
a
primeira
mulher.
Podemos
asseverar,
e asseveramos, que
similhante
arguição
é
altamente
falsa,
e
sentimos,
que
aquella
dita
primeira mulher
tenha
si
do
a
causa
de
similhante
boato.
*
* *
X.
«■
JE O
S EETWTBT JE
Pede-se
aos
assignanles d
’
este
jornal
0
obséquio
de
mandarem
pagar a
impor
tância
de
suas
assignaluras
em
debito,
para não
soffrerem
interrupção
na remessa.
SECÇÃO
D£
CO^IMUSTIGADOS
Snr.
redaclor
do
«Commercio
do
Minho».
Appareceram
no seu jornal
dous
com-
municados
em que
é grosseirameute
al
cunhado
de
menos verdadeiro
o
que|
affirmei
em
uma
carta
minha
dirigida á
Opinião
Publica.
E
’
do meu dever
repellir
energica
mente as
expressões
offensivas
de
que
os
signatários
julgaram
dever
servir-se
para
sua
defesa.
Não
lhes
imitarei
o
exemplo.
0
publico
já
tem
bastantes
elementos
para
decidir
se
tive
ou
não razão
para
affirmar
o
que
disse.
Se necessário
fosse
proval-o
ainda,
bastaria
referir-me
ao
que
assevera no
seu
communicado
o
snr.
João
Joaquim
Pereira
da
Silva.
Este
snr.
aífirma
também que
nenhum
compromisso leve
commigo,
sem
se
lem
brar
de
que
eu
posso
provar-lhe
com
testemunhas
que
chegou
até
a
trabalhar
meio
dia
na minha lypographia
na
com
posição
do primeiro
numero
da
Opinião
Publica
!
Desappareceu
em seguida
sem
me
dar
a
menor
satisfação,
e
até
hoje
ainda não
procurou
receber
o
dinheiro
que
lhe
per
tencia
pelo
seu
trabalho.
E
’
isto natural
?
Pela
inserção
d
’
estas
linhas muito
obse
quiará
o
De
v.
etc.
Braga, 21
de
Junho
de
1878.
Manoel
Ribeiro
de
Carvalho
Júnior.
(Segue-se
o
reconhecimento).
ÀiRADECIMElíTOS
Antonio
José
Lopes,
Rosa
Maria,
Fran
cisco
José
Lopes,
Jacintho
Fernandes
Lo
pes,
Manoel
José
Lopes,
João
Gregorio
Lopes,
penhorados
para
com
todas
as
pes
soas
que
os
procuraram
por
occasião do
fallecimento
de
seu
presado
filho
e
irmão
José
Manoel
Lopes bem como
para
com
todos
aquelles
que
assistiram
aos
respon
sos
que
por
alma
do
mesmo
se
celebra
ram
na
capella
do
cemiterio;
agradecem
por este
meio
a
todas,
protestando-lhe
o
seu
profundo
reconhecimento.
(948)
Sendo
tantas
as
manifestações
de
com-
tnoção
e
interesse,
e
tão
geralmente
dis-
tinctos
os
obséquios, dispensados
n
’esta
cidade
aos
abaixo
assignados,
paes
irmãos
e
cunhado
do
moço
Miguel Eduardo
Pe
reira do
Lago
Freire
de
Andrade
por
oc
casião
da sua doença, e
no dos
actos
religiosos
celebrados
em
serviço
de
sua
alma
na egreja da
Misericórdia,
e
na
ca
pella
do
cemiterio
no
dia
16
do
passa
do,
e
sendo
aos
mesmos
difficilimo pro
curarem
a
tantas
pessoas
que todas
as
classes
porfiaram em
acompanhal-os
na
sua
immensa
dôr,
aproveitam
este
meio
para
lhes
confessar
suas
innumeras
obri
gações,
protestando
a
todos
o seu
pro
fundo
e
eterno
reconhecimento.
D.
Maria
F.
Pereira
do
Lago
Porlo-Carrero
Henrique
F.
d
’
Andrade
Coulinho
Bandeira
Baroneza
de
Pombeiro
D. Ernestina
A.
Freire
d
’Andrade
José Antonio
F.
d
’
Andrade
Pereira
do
Lago
Henrique
Carlos
Freire
d’Andrade
Barão
de
Pombeiro.
(930)
ANNUNCIOS
Sociedade Democrática Recrea
tiva
Esta
sociedade
manda
celebrar
terça-
feira 25
do corrente,
ás
7
e
meia
horas
da
manhã
na
egreja
dos
Terceiros,
uma
missa
de
sétimo
dia
por
alma
de seu
socio,
Antonio
Joaquim
Pereira
de
Mat
tos.
De
ordem
do illm.
0
snr.
presidente
convido
a
todos os
socios
d
’
esta socieda
de,
á
familia
e
amigos
do
finado,
para
assistirem
a este
acto
de
religião
e
cari
dade.
Braga
22
de
junho
de
1878.
0
Secretario
—
Luiz
B. de
Mendonça.
MUITA ATTENÇÃO
Alluga-se
do
S. Miguel
por
diante,
2
pretiios
recentemente
reconstruídos
de
novo,
com
os
n.
os
27
e
28,
eitos
na
rua
de
D.
Pedro
V
com
quintal ajardinado
todo
murado,
e
com
agua.
Tem
commo-
dos
para
numerosa
familia,
e
dos
2.
0S
andares
gosam-se
os
pontos
mais
impor
tantes
de Braga.
Passa
ao
pé da
porta
o
americano. A
tratar
com
o
seu
pro
prietário
nos
baixos
dos
mesmos
onde
po
dem ser
vistas
todos
os
dias,
das
4
horas
da tarde
por
diante.
(949)
Quem,
na
romaria
do
Espirito
Santo,
perdesse algum
dinheiro
no
território
do
Bom
Jesus
do
Monte,
póde
dirigir-se
ao
rev.°
Capellão-Mór
do
mesmo
Sanctuario,
que,
dando
indícios
certos
o
entregará.
(846)
Traspasse
de negocio
O
abaixo
assignado,
negociante
que
foi
de carnes de porco,
verdes
e
seccas,
bem
como
de
mercearia,
na
rua
de
S.
Marcos
d
’
esta cidade,
vem
declarar,
para
todos
os
effeitos,
que
passou
o
seu
negocio
ao
snr.
Lucas
José
de
Andrade,
d
’esta
mesma
ci
dade,
ficando
o
annunciaote
como
seu
cai
xeiro
percebendo
ordenado
aonualmenle.
Braga
18
de
junho
de
1878.
(945)
José
Alves
de
Araújo.
APROVEITAR
AOS
MESTRES SAPATEIROS
João
Baptisla da
Silva
Gomes,
com
armazém
de
cabedaes,
participa
aos
seus
freguezes
que
tem
no
seu
estabelecimen
to
um
variado sortido
dos
seguintes
ge-
neros:
Boas partidas
de
sola,
que
vende
cada
459 gram.
(antigo
arraiei), desde
160
até
320
reis;
bezerros
brancos
e
pretos,
francezes, das
melhores
fabricas,
desde
l$700
a
2$750
rs.
o
kilo;
vernizes
de vitella de
primeira
qualidade,
de
13$500
a
24$()00
rs.
a
duzia;
magizes
desde
reis
15$000
a
33$000
reis a
duzia;
vernizes
da
Rússia,
ditos
moutoens, chêvres,
o
que
ha de
mais
novidade; chagrins
prelos,
fran
cezes
e
nacionaes,
desde
7$200
a
22$500
rs
a
duzia;
ditos
de
côres,
camursas,
pel-
licas-capas,
carneiras
pretas
e
de
côres,
moutoens
rouge,
couros
seccos,
ou
atana-
dos
de todos
os
pezos,
desde
320
a 460
reis; couros
para
tamancos,
de
sumagre
e
casca,
brazil ou
terra,
carneiras
em
su-
magre,
ditas
acapadas,
capados
de
excel-
lente
qualidade;
elásticos
inglezes
de
se-
tim,
seda
e
algodão,
de
diversos
gostos»
e
o
que
ha de
mais
moderno;
ditos
de
algodão
e seda,
nacionaes;
formas
france-
zas,
prezilhas
forradas
para
homem
e
mu
lher,
ditas
lisas,
laços
para
sapatos
ou
botas
de
snr.
a,
livellas,
biqueiras
de
me
tal,
fio
de
côres,
dito
branco,
de
todos
os
numeros,
carrinhos
de algodão
brancos»
pretos
e
de
côres,
ditos
de troçai, cravo
de
ferro,
zinco,
cobre,
broxa,
carda,
taxa
de
arame,
graixa,
e
muitos
outros
artigos»
que tudo
vende
por
preços
consideravel
mente
favoráveis,
tanto
por
junto
como
a
retalho.
13
—
RUA
DOS
CHÃOS
DE
BAIXO
—13
(942)
Arrematações
A
meza
da
Santa
Casa
da
Misericór
dia
d
’
esta
cidade,
administradora
do
Hos
pital
de
S.
Marcos,
faz
publico,
que
no
dia
23
do
corrente,
ás
horas
abaixo
in
dicadas,
effectuar-se-hão
na
ante-sala
das.
sessões
da
meza,
as
seguintes
arrema
tações,
a
saber:
A
’
b
IO
horas da manhfti
A
do
pão
trigo
e
de mistura;
A
de
carne
de
boi
e
de
vitella;
A de arroz,
assucar
e
bacalhau.
3
horas da tardei
A
de
palha
de centeio,
por
pezo
para
os
enxergões
dos
doentes;
A
de
cera
para
as
festividades
e ser
viço
quotidiano
das egrejas
da
Misericór
dia
e
Hospital;
A
de
mortalhas
e
lençoes
para
os
fal
—
lecidos;
A
de
reparos
dos
telhados
e
branquea
mento
das
paredes
interiores
e exteriores
do
mesmo
Hospital.
Convida,
portanto,
todas
as
pessoas
que
queiram licitar
nas
ditas
arrematações
a
examinarem
as
respeclivas
condiçõos, que
se
acharão
patentes
no
acto
da
praça
e
nos
dias
21
e
22
na
secretaria
do referido
Hospital
de
S.
Marcos.
Braga
Í4
de
junho de
Í878.
O
Escrivão,
Lourenço
da
Costa
Gonçalves
Pereira
Ber
nardos.
(9ãl)
Quem
quizer arrendar
a
casa
n.°
7,
no
campo
das
Carvalheiras,
falle
com
Joaquim Antunes
Alves,
na
rua
do
Cam
po, d’
esta
cidade,
que está
auctorisado
para
este
fim.
(713)
ARRENDA-SE
Quem
pretender
arrendar
uma
morada
de
casas
apalaçadas,
sitas
no
campo
de
S.
Sebastião, desta
cidade,
que
se acha
dividida
para
dois
inquilinos,
falle
com
Manoel
Ferreira
d
’Azevedo
e
Castro,
mo
rador
no
campo das Carvalheiras,
que
se
acha
habilitado
para
arrendal-a
no
todo
ou
em
parte,
com
as condições
que
no
acto
apresentará.
(934)
cima
da
mesa e
tirou o
cachimbo
da
boc-
ca.
—
O’
garoto,
disse
com
severidade,
não posso
crer
que
se rnetta em
cabeça
zombares
de
um velho.
Ainda
és
muito
pequeno
para
que
te
bata.
Toca,
meia
volta
á
direita
!
Trata
de
te
pores
ao
fresco.
Joãosinho
obedeceuje
voltou-se
para
a
porta;
mas
ao
vel-o
tão
docil,
o
tio
Buan
mudou
de
tenção
pela
segunda
vez, e
pôz-
se
a
olhar para
elle.
--Com mil
bombas
1 Muita
miséria
há
nesta
Paris!...
como
te
chamas
tu,
pe
queno?
—João.
—
João,
e
que
mais
?
—
Mais
nada.
0
tio
Buan
sentiu
humedecerem-se-lhe
os
olhos,
mas
encolheu
os
hombros.
—
E
que
queres
tu
dizer
á
tua
Virgem
Santíssima
?
—
Quero dizer-lhe
que
a
mamã
está
a
ooi-rir
desde
hontem
á
tarde,
ás
quatro
noras, e
que
me
faça
o
favor
de
acordal-a.
Porque
eu
não
posso.
0 velho
soldado
sentiu
aperlar-se-lhe
o
coração,
e
receiou
comprehender.
Ape-
zar
d
’
isto
continuou
a
perguntar:
—
Porque
fallavas
tu
em comer,
ha
pouco
?
—
Já
se
vê,
respondeu
a criança,
é
porque
é preciso.
A
mamã
tinha-me
da
do
o
ultimo
bocado
de
pão
antes
de ador
mecer.
—
E
ella,
o
que
comeu?
—
Havia já
dous
dias
que dizia: «Não
tenho
fome».
—
Como
fizeste
para
a
accordar
?
—
Como
faço
sempre,
beijei-a.
—
Respirava ?
Joãosito
sorriu.
O
sorriso
tornava-o
lindo.
—
Eu
cá
não
reparei:
então
a
gente
respira
sempre
?
O
lio
Buan
voltou
a
cara.
Duas
gros
sas
lagrimas
lhe
cahiram
pelas
faces. Não
respondeu
á
pergunta
do
pequeno,
e
dis
se-lhe
com
a
voz
um
pouco
tremula:
—
Quando
a beijaste,
não notaste nada
?
—
Notei... Estava
fria.
Faz
tanto
frio
lá
em
casa!
—
E
ella
tremia,
não
é
assim
?
—
Nada,
não...
Fslava linda,
linda!
as
mãos
não
mexiam,
estavam
cruzadas
sobre
o
peito
e
tão
brancas!
Tinha
a
ca
beça
toda
deitada
para
traz,
fóra
do
tra
vesseiro
quasi,
de modo
que,
com os
olhos
meio fechados,
parecia
estar
a
olhar
para
o
céo.
O
tio
Buan
meditava.
—
Tenho
invejado
os ricos,
eu
que
te
nho
lido
que
comer
e
que beber...
E
esta
morreu
de
fome
!..,
de
fome I
Chamou
a
si
a
creança;
sentou-a
no
collo,
e
disse-lhe
com
muita
doçura:
—
A
lua carta, meu pequeno,
já
está
escripta,
enviada
e
recebida.
Leva-me
a
tua
casa.
—
Levo,
levo,
mas
porque
é
que
es
tá
a
chorar
!
perguntou
Joãosito
admi
rado.
—
Eu
não
estou
a
chorar,
respondeu
o
velho
soldado,
abraçando
o pequeno
quanto
podia
e inundando-o
de
lagrimas:
então
um homem
lá
chora
!...
Tu é
que
vaes
chorar,
Joãosito,
querido
pequeno!...
Amo-te
mais
do
que se
fosse teu
pae
!
não
sei
como
é
isto...
Olha
cá
I
eu
lam
bem
tinha
mãe...
Ha
já muito
tempo,
com
certeza!
parece
me
estar
a vél a,
deitada
na
cama,
a
dizer-me
quando
parti:
«Buan,
sê honrado
e
bom ebristão». A
imagem
da
Virgem,
que
alli
estava pre
sente,
parecia
sorrir-se;
eu
amava
aquel
la
imagem,
dir-se-hia
que
acabava de
me
entrar
no
coração.
Quanto
a
ser
honra
do,
tenho-o
sido,
mas
lá
bom
chrislão»
isso...
Levantou se
conservando
sempre
a
creança
nos
braços, e
accrescentou
como
se
fallasse
cora
alguém
que
não
estava
alli:
—
Mãe,
minha
boa mãe, deves
estar
satisfeita.
Os
amigos
pódem zombar,
se
quizerem.
Quero
ir
onde tu
estás,
levar-
te
o
pequeno,
pobre
anjo,
que
nunca
mais
largarei,
porque
a
tal
carta,
que
nem
se
quer
chegou
a
escrever-se nem por isso
deixou
de produzir
dobrado
effeito: a
elle
deu
lhe
um
pae,
a
mim
um coração
!
Paulo
Feval.
DA
COMPANHIA
FABRIL
SINGER
17,
RUA DE S.
VIGENTE, 17
BRAGA
SINGER—
Vendeu
no
anno
de
1877
a
enorme
quantidade
de
282:812
ma-
chinas
de
coser!!!
mais 20:496
que
em
1876.
SINGER—
E
’
a
machina
que
todo
o
mundo
reconhece
como
superior
a quan
tas
invenções
tem
apparecido.
SINGER—
E
’
a
unica
machina
de costura
que
tem
obtido
em
todas
as
ex
posições
os primeiros
prémios
e medalhas,
não
só
pela
sua
boa conslrucção
e
duração
como
também
pelo
seu
bellissimo
trabalho.
SINGER—
E’
a
machina
que
está
mais
conhecida
e
introduzida
em
todas
as
partes do
mundo
e a
que
offerece maiores vantagens em
economia
de
tempo
e
dinheiro.
SBIWCwISXL—
E
’
a
que
se
garante
por
7
annos, fazendo
sempre
bom
trabalho
e
nunca
apresentando
difliculdades.
SIIWGER.—
E
’
a
unica
machina
que
se
vende
a prestações
de
500
reis
semanaes,
sem
prestação
de
entrada,
para
assim
favorecer
mais
as
classes
menos
abastadas.
SIIWGrEIt—
Tão
boa
tem
sido
que mais
de 60
imitadores,
vendo
o bom
resultado
d
’esta
machina,
a
fabricam
e
a
vendem
como
legiti
mas
SINGER,
illudindo
assim
a boa
fé
do
publico.
TWBS
—
Finalmente
é
a
machina
que
mais
acceitação
tem
lido,
devido
sempre
á sua
boa
costura;
tanto
nas
fazendas
tinas
como
nas
mais
encorpadas,
á
sua rapidez
no
trabalho
e
a
sua
immensa
duração, supplantando
assim
todas
as
invenções
modernas,
que
jamais
poderão
competir
com a
machina
SINGER.
Não
se
illudam com
essas
novas machinas.
Peçam
catalogos
illustrados
com listas
de
preços na
coma
’
juvniA
faiíiiii
.
17,
RUA
DE
S.
VIGENTE,
17
MIMWM
MS munUUEm
Já
proveniente
de algum defeito
de
constituição,
já
de
accidente, curada
com
pletamente
pelo
tratamento
de
Mad.
Lachapelle.
Consultas
das 3
ás
5.
27,
rue
Mon-
habor,
perto
Tulherias, Paris.
(39
-H-)
OURIVESARIA
DE
INDUSTRIA
NACIONAL
Narciso
José Marques,
annuncia
ao
publico
que
continua com
suas
carreiras
diarias entre
Braga, Guimarães
e
Caídas
de
Vizella,
e vice-versa.
Horário:
Sae
de
Braga
ás
4
e
4
1/2
horas
da
manhã e
2
da
tarde,
em
direitura
a
Vizella,
e
volta
de
Vizella
ás
3
horas
da
manhã
e
ao
meio
dia,
e
de
Guimarães
para
Braga
ás
5
horas
da
manhã e
ao
meio
dia
e 2
da
tarde.
Preço
para
Guimarães
240
reis
e
em
direitura
a
Vizella 400
reis. Escriptorio
em
Braga
em
caza
de
José
Antonio
Mar
ques
&
C.a,
largo
do
Barão de
S.
Mar-
tinho
n.°
5,
em
Guimarães
em
caza
do
snr.
João
de
Mello,
no
Toural
e
em
Vi
zella
em
caza do
snr.
Francisco
da
Costa
e
Silva
Guimarães.
Braga 6 de
Junho
de
1878.
(921)
DR
VENDA DE CASAS
No
largo
da
Ponte
de
S.
João
ao
entrar
na
rua
do
Paemante
(la
do
esquerdo)
vendem-se
as
duas
moradas
de
casas
construídas
de
novo,
juntas
ou
separadas;
trata-se
na
rua
de
S.
Marcos
com Antonio Silverio
de
Paiva.
Arrenda-se
na
rua de
S.
Marcos,
o
andar
superior
da
casa que
habita
Anto
nio
Silverio
de
Paiva,
em
frente
ao con
vento
dos
Remedios.
Prefere
se
uma se
nhora
de
probidade
com
creada,
ou
eccle-
siastico
idoso. Póde
ver-se
a
qualquer
hora.
(916)
ANTONIO
CASIMIRO DA
COSTA
ENSAIAD0R
VISUAL
E
REAL
D0
OURO,
APPR0VAD0
PELA
CASA
DA MOEDA
5
—
Rua
Nova
de
Sousa
—
5
BRAGA
N
’
este novo
estabelecimento
vendem-
se
e
compram-se
pedras
preciosas
e
ob-
jecto
de
ouro
e
prata.
Concérta
e encar
rega-se
de
mandar
fazer
toda
a
obra da
sua
arte,
com
a
maior
perfeição
e
gos
tos
mais recentes.
A
maior
parte
dos
objectos
são
man
dados
manufacturar
com loque
fixo,
e
ga
rantido
com
marca
especial,
particular,
e
pelo
ensaio
real.
3,
Rua
Nova de
Sousa, 3.
(923)
Para
uma
casa
de
bastante
familia
pre
cisa-se
d’
um
que
seja
diligente
e
activo.
No escriptorio
d
’esle
jornal
se
indica
rá
quem
é
o
pretendente.
(93o)
Aluga-se
a
casa
n.°
88 da rua
da
Boa-Vista.
(906)
Quem
tiver
uma
casa que
queira imprasar,
annuncíe pelo
«Diário
do
Minho».
(924)
LINHA
QUINZENAL
DE
PAQUETES A
VAPOR
CRANDE HF.DICÇÃO DE PREÇOS NA 3.a CEASSE.
Para
S. Vicente, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro,
Montevideo
e
Buenos-Ayres
Acceitando
também
passageiros
de
S.
a
classe,
com
trasbordo
no
Rio
de
Janeiro,
para
SANTOS,
PARANAGUÁ,
SANTA
CATARINA,
RIO
GRANDE DO
SUL,
PORTO
ALEGRE,
CAMPINAS,
S.
PAULO,
CANPOS,
VICTORIA,
MACEIÓ,
e
outros
pontos
do
litoral
e
interior do
Brazil, ao sul
de
Pernambuco.
PEE»
MESJIO PREÇO QUE PARA O RIO DE JANEIRO
PAQUETES
A SAIR
DE
LISBOA
ELBE.........................
13
de
Maio
í
TAGUS
.....................
14
de
Junho
MINHO.
.
.
.
28
de
Maio
|
GUADIANA
.... 28 de
Junho
PREÇOS
GOMMODOS
Cada
paquete
<I’esta eompanhia
leva
a
bordo
criados
e
coainheiroa
portuguezes
para
commodidade dos
passageiros
de
todas
as
eiasses.
Sendo
as
passagens
pagas
na
Agencia
Central
no
Porto
ou
em
qualquer
Agencia
provincial,
a
conducção
para
Lisboa
é
por
conta da
Companhia.
Os
passageiros
com
trasbordo
no Rio
de
Janeiro,
teem
sustento
e
hospedaria
gratuita
durante
a
demora
precisa
para
obter
trasbordo.
A
bordo og passageiros
teem grátis cama, roupa de cama, co
mida
feita por
cosinlieiros portuguezes, vinho duas vezes por dia,
assistência medica, serviço de
criados e outras despezas.
A
EXPERIENCIA
de
mais
de
um
quarto
de
século
tem
feito
com
que os paquetes d’
esta
companhia
(a
mais
antiga na
carreira
do
Brazil)
sejam conhecidos
pela
regularidade,
velocidade
e
segurança
excepcional;
além
d
’
isso
pela
limpesa,
boa
ordem,
bom
tratamento
e
accomodações
a
bordo,
e
*
pelos
melhoramentos
mais
modernos
tanto
para
a
hygiene
como
para a
commodidade
dos
passageiros.
ISTO
É
COMPROVADO
pela
grande
concorrência
que
teem
de passageiros
e
pelos
innu-
meros
agradecimentos
que ha
archivados
em
varias
agencias.
SÃO
ESTES
OS
PAQUETES
preferidos
pelo
Governo
Inglez
para
a
conducção
das
suas'
malas
do
correio,
e
por
este
serviço
recebe a
companhia
um
importante
subsidio.
TIVERAM
ESTES
PAQUETES
a
honra
de
conduzir
Suas
Magestades
o
Imperador
e
Impe
ratriz
do
Brazil,
como
também
S. A.
o
Infante
D. Augusto.
TODAS AS
INFORMAÇÕES
e
bilhetes de
passagem
podem
ser
obtidos
no
PORTO
na
rua
dos
Inglezes,
23,
de
GUILHERME
C.
TAIT.
Para
esclarecimentos
em
Braga
o
snr.
João
Manoel da
Silva
Guimarães, rua
do
Souto.
SELLOS PARA COLLECÇÕES.
JFaustino
Antonio iVIartins
52—
Rua
do
Loreto
—52
LISBOA.
N
’
este estabelecimento,
o primeiro
na
sua
especialidade
em
Portugal,
encontram
os
snrs.
colleccionadores
grande
sortimen
to
de
sellos
antigos
e modernos de
todos
os
paizes
do
mundo,
a preços
muito
con
vidativos
e sem
competência.
Pacotes
para
os
principiantes,
com
30,
40,
50,
60,
70,
100
e
150
sellos
differentes
a
100,
200,
300,
400,
500,
10000 e
20000
reis,
de
muita
conveniência
e
novidade.
Recebem
se encommendas
de
todos
os pontos, sendo acompanhadas
de
sua
importância
em
sellos
ou
valles
do
correio.
(929)
Vende-se
para
pagamento
de dividas,
uma
morada
de
casas,
edificada
de
novo,
na
rua
da
Sé,
antiga
de
Maximinos,
desi
gnada
pelos
n.
05
16
e
17,
bem
como
tam
bém
se
vende,
em
Santa
Eulalia
de
Te-
nões,
subúrbios
d
’
esta
cidade,
uma
pro
priedade
rústica,
chamada
da
Herdade,
toda
morada
sobre
si;
trata-se
no
Banco
Mercantil.
(927)
INJECÇÃO
HYGIENICA
BALSAMIGO
PROPHITATICO
1
I
f
ARREVOAMEiVTO
Quem
pertender
arrendar
a
Quinta
dos
Apostolos, sita
na
freguezia
de
Ferrei
ros,
póde
dirigir-se
a
seu
dono,
morador
na
mesma
quinta.
(914)
ABREVDAn.SE
Desde o
proximo
S.
Miguel,
tres
moradas
de
casas
de 2 andares,
construí
das
de novo,
com
quintal
e
agua,
na
rua
de
S.
Geraldo
n
0
18,
20
e
22 Trata-se
na
mesma
(rua
n.°
17.
(943)
Vende-se
a casa
n.°
5
da
rua
■
-'-X
da
Sé.
para
tra
t
ar
na
j
Ua
dos
Capei-
listas, n.°
15.
(901)
Esta
injecção é
a
unica
e
eflicaz
que
cura
em
seis ou
oito
dias toda
a qualida
de
de
purgações
tanto
antigas como
mo
dernas,
ainda
as
mais
rebeldes.
Vende-se
em Braga,
na pharmacia
Alvim,
á
Porta
Nova.
Em Coimbra,
pharmacia
Barata
Di-
niz,
rua
de
S. Bartholomeu.
Deposito
principal
no
Porto
na
Phar
macia
Madureira,
rua
do Triunfo
n.°
142,
proximo
ao
Palacio
de
Christal.
Preço
de
cada frasco—400
rs.
(861)
Vende-se
uma
morada
de
casas
XiíàL
Slta
na
rua
da
Cruz
de
Pedra
n.°
-
.6
a 6
A,
de
2
andares,
aguas
furtadas,
lojas,
sotto,
quintal
e
agua.
Trata-se
com
Francisco
Martins
da
Silva
Araújo, morador
na
mesma
rua.
ca
sa
u.°7,
contígua
áquella.
(862)
HSõõã
Os
Behuçailo»
mytíiiens,
de
na
tureza
balsamica,
calmante,
peitoral
e
ex-
pectorante,
são
o
melhor
dos
remedios até
hoje conhecidos
nas
doenças
tossicolosas.
Caixa
200
reis.
—
Meia
caixa
100
reis.
Unico
deposito:
PHARMACIA
CEN
TRAL,
rua
de
Santo
Antonio,
227,
no
Porto.
Em
Braga:
PHARMACIA
DOS
0R-
PHÃOS,
praça
Municipal.
(814)
JOSÉ
ANTONIO
FERREIRA
GOMES
—
5
Rua
Nova
de
Souza
5—
Com
estabelecimento
de
merceana
(
pregagens
e
objectos para
flores
e
de
es-
criplorio.
Vende
pregos
de
arame
de
todas
as
dimenções.
(843)
BRAGA,
TYPOGRAPHIA
LUSITANA—<878.
t
l
C
i
i
e
I
(
<
í
t
t
!
(
I
t
S
(
t
(
l
í
(
s
d
«
i
<
c
2
«
V
r
1
d
Si
d
It
d
2
h
Ç
u
n
rt
m
p!
e
<i'
st
ni
ei
lii
re
re
os
E
n<
si,
P<
m
dc
qt
Gi
Vi
m!
fai
do
Parte de Comércio do Minho (O)
